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Especialistas avaliam que diferentes vacinas contra a COVID-19 serão necessárias para combater pandemia

Publicado em 09 março 2021

Por André Julião, Agência FAPESP

O combate à pandemia do novo coronavírus é uma luta contra o relógio e que exigirão não um, mas várias vacinas contra a COVID-19, especialmente agora que variantes emergentes do SARS-CoV-2, potencialmente mais transmissíveis, se colocam como obstáculo para a imunização da população.

Essa foi uma das conclusões de um debate virtual realizado por cientistas responsáveis por estudos clínicos de quatro vacinas contra a COVID-19: CoronaVac (Sinovac Biotech com Instituto Butantan), Covidshield (AstraZeneca e Universidade de Oxford com Fundação Oswaldo Cruz), Ad26.CoV2 (Janssen/Johnson & Johnson) e Comirnaty (Pfizer/BioNTech).

O evento, disponível na íntegra no YouTube, faz parte do Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação, organizado por meio de parceria entre a Fundação e o Instituto do Legislativo Paulista (ILP) da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

“É uma corrida contra o tempo, não de uma vacina contra outra. Vamos precisar de vários imunizantes para conseguir a cobertura necessária para enfrentar o que vem pela frente, como novas ondas e variantes”, disse Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, mediador do encontro.

Vacinas contra a COVID-19 não erradicarão o vírus

Até o dia do evento, realizado em 1º de março de 2021, a Organização Mundial da Saúde disse que há 186 possíveis novos imunizantes contra a COVID-19 em testes pré-clínicos, 74 em fase clínica, sendo 15 na fase 3 e quatro na fase 4.

Segundo os pesquisadores que participaram do evento, as opções disponíveis no mercado não garantem a erradicação do vírus. Além disso, muitos especialistas consideram que a pandemia do novo coronavírus se tornará endêmica, como acontece com a dengue e a H1N1.

Assim, o Instituto Butantan já trabalha no desenvolvimento de três novos imunizantes com diferentes tecnologias.

“Uma das candidatas já venceu a fase pré-clínica e brevemente deve entrar na fase clínica acelerada 1 e 2. Também é baseada em vírus inativado, mas em plataforma diferente da CoronaVac, pois não envolve cultivo de células. [A nova vacina utiliza] ovos embrionados, muito assemelhado ao que acontece na vacina da gripe produzida pelo instituto”, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

“Complexo e desafiador”

Os pesquisadores participantes do evento detalharam alguns dos principais pontos de cada um dos imunizantes, como destacou a Agência FAPESP. Covas, por exemplo, considerou que o estudo clínico da CovonaVac foi o mais complexo de todos os realizados no Brasil.

“Mais de 13 mil voluntários foram incluídos e, de todos os estudos realizados até então, certamente foi o mais complexo, o mais desafiador, porque escolheu como população-alvo exatamente os profissionais da saúde que estavam na linha de frente. E os critérios clínicos de inclusão e definição de COVID-19 foram os mais amplos de todos”, disse.

A pesquisadora da Fiocruz, Beatriz Grinsztejn, que coordenou o estudo no Brasil da vacina da Johnson & Johnson destacou os bons resultados com dose única.

“Essa vacina, no esquema de uma dose, oferece proteção substancial, especialmente contra a COVID-19 grave, independentemente da variante viral. Foi bem tolerada, segura e tem esquema de armazenamento e transporte compatível com os canais de distribuição existentes”, disse.

Sobre o imunizante Oxford/AstraZeneca, a professora Lily Yin Weckx destacou que os pesquisadores agora monitoram a reação diante das novas variantes.

“Temos muito pela frente, o estudo continua, mas já conseguimos a participação do Brasil em uma vacina segura e eficaz que pode ter um impacto no combate à pandemia de coronavírus”, afirmou ela.

Já sobre o imunizante da Pfizer/BioNTech, o pesquisador Edson Duarte Moreira Junior, que coordenou os testes clínicos no Brasil, destacou que o método, inicialmente desenvolvido para o tratamento de câncer, é promissor.

“É uma tecnologia segura porque tem compostos químicos sem proteínas virais e boa eficácia, já que desperta resposta imune ampla com o mínimo de imunidade antivetor, diferente das que utilizam vetores [vírus], e permite reforços frequentes. Além disso, é de desenvolvimento rápido e permite produção industrial em escala acelerada”.