Notícia

O Diário (Barretos, SP) online

Especial Instituto Butantan

Publicado em 07 junho 2010

Verdadeira tragédia abateu o Instituto Butantan, órgão da Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, neste mês de maio, quando um incêndio destruiu o maior acervo de cobras do país. Segundo Oswaldo Augusto Brasil Esteves Sant´Ana, pesquisador científico do referido Instituto: "O que o fogo destruiu foi uma destas raras histórias e que não poderá gerar novas histórias contadas no futuro... A miséria é mental, a pobreza será infinita. Toda Instituição tem sua história, em se tratando de Butantan, retrato a beleza de seu início, ato humano coroado de ideal e amor pela causa: no caso o conhecimento de répteis. Conta-nos o neto de seu fundador que foi Vital Brasil, hoje cientista atuante no mesmo Instituto ao qual já nos referimos o seguinte:"nos idos de 1897 na bagagem do médico Vital Brasil que se mudava de Botucatu para São Paulo, imagino roupas, utensílios algum mobiliário. Junto sua mulher Maria da Conceição e duas filhas Vitalina de 3 anos e minha avó Alvarina de 1 ano,e por incrível que possa parecer alguns exemplares de cascavel e jararaca, serpentes que estudara com seu espírito de biólogo e que marcariam sua carreira cientista dando origem a uma Instituição única, reconhecida mundialmente: O Instituto Butantan. Mesmo antes de sua fundação oficial, em fevereiro de l901, exemplares destas espécies e de outras venenosas ou não, chegavam à então Fazenda Butantan".

A notícia do infortunado incêndio destruiu totalmente o acervo brasileiro de cobras, único no Brasil, reconhecido no universo. Hoje este acervo transformou-se em cinzas , certamente um dia renascerá como phenix, produzindo outra coleção de cobras que atenderá às necessidades dos cientistas e estudantes que trabalham nesta área. Quando a notícia foi ventilada, pensei imediatamente em minha querida ex-aluna, Dra. Diva Denelli Spadacci Moreno, Diretora do Laboratório de Fisiopatologia do Instituto Butantan. Ela como parte integrante desta realidade foi atingida por um golpe de profundo pezar, pois trabalha com ideal científico de intensificar o nome do Instituto Butantan como um dos maiores do planeta , procurado por cientistas de renome internacional. Transcrevo uma de suas impressões "...perdemos um dos maiores acervos do mundo. No início de todos os anos recebemos aqui no Instituto Butantan, cerca de 40 bolsistas para uma jornada de dois anos. Juntamente com alguns outros pesquisadores, apresento a estes recém-formados os vários laboratórios, museus e coleções do Instituto, particularmente gostava de ver a reação deles, por ocasião da visita à esta magnífica coleção. Não havia quem não ficasse orgulhoso de saber que este patrimônio pertence a nós brasileiros. Uma biblioteca valiosa repleta de obras raras, uma ferramenta essencial na tarefa de conservação do patrimônio natural do planeta que tão repentinamente sumiu."

Com estas impressões que nos foram oferecidas por alguém integrada profundamente ao Instituto, podemos deduzir o incalculável prejuízo da ciência brasileira; muitos projetos de pesquisa em andamento, projetos do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia em Toxinas, financiada pelo CNPQ, pela FAPESP, impediu o andamento do trabalho dos estudantes por especialistas do Instituto. O lamentável em tudo isso, é a falta de credibilidade que os cidadãos brasileiros dão ao sinistro, quando o velho prédio símbolo do Instituto atravessou anos em condições precárias , agonizando sem pensar-se em sua renovação através de uma estruturação física e científica. Para nós brasileiros a perda é inominável, podemos sim compará-lo a um patrimônio histórico científico da mesma maneira que consideramos O Museu dos Inconfidentes em Ouro Preto como baluarte do patrimônio cívico da nação brasileira.

Urge, portanto esforços da sociedade em geral e do poder público em particular, reconstruir eficientemente este patrimônio científico destruído; revigorá-lo, torná-lo expoente para que possamos nos orgulhar de tê-lo como uma referência mundial. O Curador do Instituto Francisco Franco diz que a perda é irreparável: "São cem anos de História, não sei dizer mais nada".