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Revista Brasileira de Risco e Seguro

Esforços para pesquisas na Amazônia devem ser aumentados

Publicado em 16 julho 2007

Cerca de 10 mil pessoas participaram das atividades e conferências na 59ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), encerrada na sexta-feira (13/7), em Belém.

A reunião enfocou o tema "Amazônia: Desafio nacional". De acordo com Marco Antonio Raupp, que tomou posse como presidente da SBPC durante a reunião, o conjunto das discussões feitas na extensa programação do evento indicou uma urgência: a necessidade de mais recursos humanos em ciência na região amazônica.

"Grande parte das exposições destacou a necessidade de se fazer mais pesquisa na Amazônia e de que haja investimentos para que esses recursos humanos sejam formados na região", disse Raupp.

O ex-presidente da SBPC Ennio Candotti, que ficou no cargo até o dia 12 e foi responsável pela organização do evento, ressaltou que há três anos a entidade indica a necessidade de recursos humanos em pesquisa na região.

"Há três anos perguntamos aos reitores das universidades locais: se lhes fosse oferecido apoio sem limites, qual seria o primeiro item da pauta? A resposta era sempre a mesma: gente qualificada. De fato, ao longo do último triênio batemos muito nessa tecla. Acredito que, com um esforço concentrado, teremos esses recursos humanos dentro de seis ou sete anos", disse.

A SBPC definiu que a próxima reunião anual, a 60ª, será realizada em Campinas (SP), que recebeu a primeira, em 1949. Em 2009, o evento retorna à região amazônica, em Manaus. A entidade pretende realizar reuniões integradas com as instituições regionais dos estados da região pan-amazônica. "Não queremos olhar só a Amazônia brasileira. Queremos trazer para as reuniões a cooperação dos países vizinhos que tenham interesse na região para discutir questões comuns", disse Raupp.

"Há várias questões que são comuns e temos que explorar isso para dar soluções de interesse não só nosso, mas de todos. A ciência tem um caráter universal e o conhecimento da Amazônia precisa estar aberto para os países vizinhos, que são irmãos", afirmou.

Com a apresentação de 2,8 mil trabalhos, a 59ª reunião anual da sociedade foi realizada em conjunto com a Exposição de Tecnologia e Ciência (ExpoT&C) no Hangar - Centro de Convenções da Amazônia. Ao todo, de acordo com a Polícia Militar, circularam cerca de 25 mil pessoas nos cinco dias do evento.

O evento teve custo total de R$ 1,5 milhão, segundo Candotti. "A SBPC entrou com R$ 1 milhão do Ministério da Ciência e Tecnologia, enquanto a Universidade Federal do Pará participou com R$ 500 mil, oferecidos pelo Ministério da Educação. A ExpoT&C, que é relativamente cara, se auto-financiou com apoio de algumas empresas da região na montagem das exposições e na parte técnica", disse.

Os recursos da SBPC, de acordo com Candotti, serviram para financiar passagens e hospedagem de 400 convidados. O dinheiro da UFPA financiou a infra-estrutura, máquina, equipamentos, montagem de estandes e bancadas. O número de pesquisadores e a freqüência das salas foram semelhantes às da reunião anterior, realizada em Florianópolis, que teve a participação de 7 a 10 mil pessoas nas atividades.

"O Hangar, cedido pelo governo do Pará, foi um aporte importante, que estava fora do nosso alcance", disse Candotti, que, depois de quatro anos à frente da instituição, voltará a lecionar no departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo.

Fonte: Agência Fapesp