Notícia

Gazeta Mercantil

Esforço para não, perder a Pirelli

Publicado em 02 abril 1997

Quando a Pirelli fez uma análise da qualidade no processo produtivo de seus fornecedores em 1995, a Get's Empresa de Termoplásticos e Serviços Ltda., responsável pela montagem de cabos de velas, plugues e cabos de baterias, não correspondia aos padrões exigidos. Em uma escala de 0 a 90 pontos, a Get's obteve 41. O mínimo requerido era 50. A nota baixa, segundo os sócios Ítalo Michelli e Luiz Carlos Assumpção, resultou de falhas detectadas em quase todas as etapas de produção: desde o relacionamento com os próprios fornecedores até a perda excessiva de materiais, devido a problemas na produção. "Nós trabalhávamos de forma amadora", acrescentam. Para reverter a situação, a empresa precisaria injetar, a princípio, um capital de aproximadamente R$ 50 mil, em um ano - tempo determinado pela Pirelli. Na época, a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Industriais (Anpei), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), começou a desenvolver um projeto para qualificação das pequenas empresas. E a Get's foi convidada a participar do novo projeto junto com outras sete empresas. O primeiro passo foi deslocar um consultor especializado, Antônio Taveira, para acompanhar a empresa, indicando as falhas e propondo alterações nas etapas prejudicadas. O procedimento preparou a Get's para entrar no processo de qualificação para aprovação efetiva da Pirelli, diz Michelli. Com o projeto, os recursos| que os sócios precisaram dispender para a qualificação caíram para cerca de R$ 15 mil. Além disso, outros US$ 200 mil (financiados) foram aplicados em máquinas e equipamentos, entre os anos de 95 e 96, para substituir o maquinário antigo, que já não dava conta da demanda. A mobilização tinha fundamento. Cerca de 90% da produção da empresa é destinada à Pirelli. "Mesmo para outros clientes, a aprovação da Pirelli funciona como uma garantia", conta Assumpção. Durante um ano, os setores, foram mobilizados e conscientizados do novo padrão, inclusive com treinamento de funcionários. O balanço dos esforços pode ser medido pela nova auditoria da Pirelli feita no último dia 13 de março: dos 41 pontos iniciais a Get's saltou para 82.5. Os resultados positivos animaram não só os sócios. Ítalo Michelli compara a motivação causada nos funcionários como a disputa para ganhar um campeonato. Um dos feitos obtidos no primeiro ano de trabalho com especialistas foi a redução do preço do cabo de velas, devido a uma alteração na matéria-prima, barateando 35% o componente e 5% o total da cada peça. O objetivo do acompanhamento foi uma melhora significativa no controle de qualidade, oferecendo, inclusive, condições de requerer o certificado; ISO 9000. Por isso, o projeto não refletiu em um aumento direto da produção nem alterou o número de funcionários (cem), explicam os sócios. Terminado o primeiro ano de controle, a empresa começa a preparar-se para adquirir o ISO 9000, que na opinião dos sócios deve exigir mais um ano e consumir por volta de US$ 30 mil. Uma das prioridades para iniciar esse novo passo, foi contratar, com recursos próprios, o mesmo consultor. A receita deste ano, deve repetir a de 96, que ficou em torno de US$ 6 milhões. (FF) Barueri