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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Escola São Paulo de Química termina sob elogios unânimes de conferencistas e público

Publicado em 18 agosto 2011

Por Luiz Sugimoto

Um bate-papo dos Nobéis Ei-ichi Negishi, Ada Yonath e Richard Schrock com os estudantes e jovens pesquisadores, pontuado por muitas risadas, coroou o sucesso da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) sobre "Produtos Naturais, Química Medicinal e Síntese Orgânica", realizada de 14 a 18 de agosto no Centro de Convenções da Unicamp. "Foi uma grande experiência de vida para os estudantes, especialmente a sessão encerrada há pouco, em que os prêmios Nobel, com toda a humildade, falaram de casos pessoais e de suas ideias e expectativas quanto à evolução da química em suas respectivas áreas", comemorou o professor Ronaldo Aloise Pilli, pró-reitor de Pesquisa da Unicamp e membro do comitê científico do evento.

Fascinada, é como dizia se sentir a professora Vanderlan Bolzani, coordenadora geral da ESPCA, apesar do desgaste na organização de tantas atividades e com tantos convidados e alunos. "Faço ciência com paixão, mas estou especialmente feliz por ter organizado essa Escola. Os prêmios Nobel e os demais conferencistas foram unânimes em dizer que adoraram o evento. Foi um momento único, novo, e com jovens bem qualificados e interessados em discutir ciência. Devo fazer um louvor à Fapesp e ao professor Brito Cruz, que criou a Escola em sua gestão e tem promovido ações para desenvolver a excelência da ciência no Estado de São Paulo".

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp e ex-reitor da Unicamp, foi convidado para a palestra de encerramento da ESPCA, quando discorreu sobre a pesquisa realizada em São Paulo e as atividades da agência de fomento paulista, justamente para mostrar aos jovens pesquisadores as oportunidades que terão caso decidam ser cientistas aqui. "Criamos a Escola há cerca de dois anos, dentro de uma estratégia da Fapesp - que envolve várias outras iniciativas - para situar melhor internacionalmente a ciência feita no Estado de São Paulo. Isso significa obter maior visibilidade junto aos estudantes de todos os lugares do mundo, a fim de que venham trabalhar aqui, seja como pós-doutorandos ou como pesquisadores".

Brito Cruz lembra que a Faspesp tem promovido Escolas de Ciência Avançada em várias áreas do conhecimento, e que a vinda de cientistas de grande respeitabilidade na comunidade internacional contribui para gerar a desejada visibilidade positiva. "No ano passado, em São Paulo, realizamos uma Escola de Economia, também com a presença de quatro prêmios Nobel nesta categoria. Os eventos são muito concorridos, com um processo de seleção competitivo. Fui a quase todas as edições e nossa avaliação é a melhor possível, havendo a mobilização de estudantes em inúmeros países e criando o que queremos: um poder de atração científica no Estado de São Paulo".

Em happy hour no hotel em que estiveram hospedados, Vanderlan Bolzani ouviu de colegas docentes que eles já estavam discutindo projetos com pós-doutorandos, sendo que ela mesma tem dois interessados em trabalhar em seu laboratório na Unesp de Araraquara. Já o pró-reitor Ronaldo Pilli, soube não apenas de possíveis candidatos a pós-doc, mas de jovens pesquisadores estrangeiros dispostos a prestar concursos para ingresso em carreira docente no Brasil. "Este é um caminho seguro para garantirmos, no futuro, a qualidade da ciência e da educação que oferecemos em nossas universidades".

Na opinião do professor Watson Loh, diretor do Instituto de Química (IQ) da Unicamp, nunca aconteceu um evento com o mesmo nível desta ESPCA no país. "As atividades científicas foram de alta qualidade, como o esperado, e as atividades sociais também funcionaram muito bem. Esse evento mostrou que temos condições de atrair cientistas do porte dos laureados com o Nobel e que deve ser o início de um esforço maior para a realização de outros com a mesma dimensão. Esses alunos, que estão se integrando e elogiando o encontro, vão ser propagandistas da ciência do Brasil em 28 países".

Antes do bate-papo com os Nobéis Ei-ichi Negishi, Ada Yonath e Richard Schrock (Kurt Wüthrich viajou antes), alguns estudantes apresentaram oralmente os seus trabalhos, até então expostos em estande externo. Denise Oliveira Guimarães, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Ribeirão Preto), mostrou sua pesquisa de pós-doc, em que recorre à metagenômica na busca de moléculas com atividade biológica, principalmente antibacteriana. "É indescritível a oportunidade de estar aqui hoje, com tantos pesquisadores renomados internacionalmente, incluindo quatro Nobéis, além de grandes cientistas brasileiros. Pude interagir com todos, trocando experiências profissionais e discutindo as dificuldades pessoais encontradas na carreira acadêmica".