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Escola Politécnica da USP cria caixa acústica onidirecional

Publicado em 01 março 2007

Uma caixa acústica que vale por muitas. Essa é uma boa definição para um novo sistema de sonorização de alto desempenho, projetado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e cuja patente de desenho industrial acaba de ser concedida à Agência USP de Inovação.
Trata-se de uma caixa acústica onidirecional — isto é, cujo som é irradiado para todas as direções. O equipamento é dotado de alto-falantes instalados em todas as suas faces, cada um apontado para determinada direção até atingir 360 graus de cobertura, tanto na horizontal como na vertical. O número de faces do equipamento pode variar, mas deve ser sempre um poliedro regular — ou seja, um tetraedro (poliedro com quatro faces), hexaedro (seis faces), octaedro (oito faces), dodecaedro (12 faces) ou icosaedro (20 faces). No caso da USP, a caixa criada tem 12 faces.
Sylvio Bistafa, professor do Laboratório de Acústica Aplicada da Poli-USP e coordenador da pesquisa, compara o novo equipamento com os convencionais que realizam sonorização frontal. À medida que o usuário sai do ângulo de ação do som, o nível sonoro diminui e perde qualidade.
"Como a caixa acústica onidirecional é formada por diversos alto-falantes que irradiam som em direções variadas, a necessidade de outros equipamentos espalhados em um mesmo ambiente, seja ele fechado ou ao ar livre, pode ser descartada", observa Bistafa. "Bastaria uma única caixa onidirecional instalada em um trio elétrico, por exemplo, para fazer a sonorização externa das festas de carnaval."
Os alto-falantes são conectados a um amplificador, responsável pelo acionamento e pela distribuição da potência elétrica de maneira uniforme em todo o sistema acústico. O professor observa que modelos semelhantes vêm sendo utilizados em laboratórios acústicos especializados, para a realização de testes de acústica de ambientes.
"Como esse tipo de equipamento ainda não é comercializado no Brasil, a intenção é buscar parcerias com empresas para produzi-lo em larga escala", aponta Bistafa. De acordo com o mercado que se deseja atingir, é possível agregar um número maior ou menor de alto-falantes de potências variadas na caixa acústica onidirecional, cuja estrutura pode ainda ser produzida com materiais como madeira, plástico ou fibra de vidro. As dimensões do equipamento também podem variar de acordo com a necessidade.
Bistafa chama a atenção para a possível redução de custos de instalação e manutenção. Segundo ele, além de ter um preço que deverá ser mais baixo do que o de diversos alto-falantes convencionais, a caixa onidirecional precisa apenas de um único cabo elétrico para funcionar. "Se o protótipo custou pouco menos de R$ 1 mil, nossa estimativa é que o equipamento chegue ao mercado pela metade desse valor", calcula.

Da Agência Fapesp