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IEA - Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo

Escola de diplomacia científica e de inovação discute cooperação internacional motivada pela pademia

Publicado em 05 agosto 2020

Os esforços científicos para superação da pandemia de Covid-19 e as oportunidades de colaborações internacionais para esse trabalho são os temas principais em discussão na edição deste ano da Escola São Paulo de Ciência Avançada em Diplomacia Científica e de Inovação (InnSciD SP), iniciada no dia 27 de julho e com término sexta-feira, 7 de agosto, com todas as atividades realizadas de forma online.

Organizada pelo IEA, Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP e Centro de Estudos de Negociações Internacionais (Caeni), a InnSciD SP é voltada à profissionais de diversas áreas que atuem ou queiram atuar na área de diplomacia científica.

Os expositores são especialistas brasileiros e estrangeiros de vários ramos acadêmicos e integrantes do Ministério das Relação Exteriores. A exemplo da primeira edição da escola, realizada no IEA em agosto de 2019, os participantes são 100 pós-graduandos, metade deles do exterior. Além das exposições, há mesas de debate e atividades práticas.

Atores

De acordo com Amâncio Oliveira, integrante do Comitê Executivo da InnSciD SP, professor do IRI-USP e coordenador científico do Caeni, as ações de diplomacia científica e da inovação têm como característica o envolvimento de atores não governamentais - sobretudo instituições de pesquisa, universidades e empresas - em iniciativas que permitam aproximar cientistas no trabalho em prol do desenvolvimento dos países. "Essas ações podem contar com a parceria de agências governamentais, principalmente dos ministérios de relações exteriores."

No caso brasileiro, Oliveira considera que há várias iniciativas em que a colaboração internacional e a criação de redes entre cientistas é bem sucedida. Para ele, parcerias para a pesquisa e produção de vacinas contra o Sars-CoV-2, o acordo com os EUA para a utilização da Base de Alcântara, a transferência de tecnologia prevista na compra dos caças suecos Gripen e os consórcios de telescópios internacionais são alguns dos casos relevantes de parceria.

"Há outras iniciativas envolvendo empresas, como os projetos desenvolvidos pelo Instituto Butantan em parceria com empresas como GSK, LG Chem, Sanofi. Várias estimuladas e patrocinadas pela Fapesp."

Ele destaca também uma proposta discutida na edição de 2019 da escola: a São Paulo Framework of Innovation Diplomacy, que define as características, objetivos e abrangência da diplomacia de inovação e elenca uma série de medidas para seu desenvolvimento.

No campo da cooperação internacional entre cientistas e grupos de pesquisa, Oliveira ressalta a importância de editais das agências de fomento. "A Fapesp tem estimulado pesquisadores a trabalhar em parceria, com o lançamento de vários editais que incentivam acordos com instituições de pesquisa estrangeiras."

Desafios

A diplomacia científica e de inovação no Brasil enfrenta desafios gerais e específicos, segundo Oliveira. "Os desafios gerais afetam o funcionamento da diplomacia na área, mas não estão diretamente ligados a ela. É o caso de instabilidade política e econômica, nível de competitividade, problemas tributários e imagem internacional. No plano específico, o país se ressente da ausência de um esquema de assessoramento científico de alto nível, como acontece em outros países, e de baixo nível de investimento específicos para fomento da área."

No que se refere à proteção de informações estratégicas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, Oliveira vê avanços no país, como a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) (13.709/2018). "Esse é um tema de discussão no mundo todo, não apenas no Brasil."

A realização da InnSciD SP conta com a cooperação da Representação da Unesco no Brasil e do Departamento de Comércio Internacional do Reino Unido e apoio institucional da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e do Centro Universitário FMU.