Junto às bailarinas Julia Salem e Isabela Santana e com co-direção de Estelamare dos Santos, a peça tem como tema a morte e conta com forte influência das festas do boi no Maranhão. A apresentação integra o projeto Poeira, criado pelo grupo de dança Minik Momdò, que apresenta espetáculos com diversas temáticas e direções cênicas distintas. O núcleo teve apoio do VIII Programa de Fomento à Dança.
Após passar alguns anos pesquisando a cultura de dança e canto do Maranhão, a bailarina Daniena Dini volta a criar um espetáculo inédito. A morte é o tema que inspira a criação da peça. Com referências autobiográficas, as bailarinas percorrem trajetórias pessoais para trazer a ambivalência de morte e renascimento ao palco. Com a simbologia do bumba-meu-boi presente, o trabalho mistura referências da cultura popular e da dança contemporânea ao cultivar pausas e momentos de densidade poética com momentos de vigor físico e exploração do espaço. "De fato, tudo morre, tudo escama, da pele à memória, só restando uma imagem quase apagada de lembrança, mas que detém uma ambivalente vivacidade, como uma estrela no céu cujo brilho é o rastro de sua morte", afirma Dini.
A peça conta com uma equipe primorosa de som, luz e figurino que trazem à cena elementos que levam o espectador à uma imersão na coreografia. A composição sonora, assinada por Dini, Beatriz Tomaz e Pipo Pegoraro - além de Ramiro Murillo na rabeca e Bruno Serroni no violoncelo - leva ao palco a influência dos aboios, música cantada pelos vaqueiros no momento em que transportam a boiada.
O figurino, que remete à escamas e tem as rendas como referência, é assinado por Alex Kazuo e a iluminação fica a cargo de Décio Filho, para compor o jogo de luz e sombras que se transforma em cenografia e compõe a dramaturgia junto à música e dança.
Histórico
Em 2003, com o apoio da Fapesp, a bailarina, formada em Comunicação e Artes do Corpo, pela PUC-SP, viajou para diversas comunidades maranhenses como Tutóia, Penalva e a capital São Luís, entrando em contato com a música e a dança locais. No projeto, intitulado Entre São Paulo e Maranhão, que depois se tornou um livro, Dini pesquisou junto às comunidades não somente a sua dança, o bumba-meu-boi e suas festas religiosas, mas também a sua rotina, o modo de viver local.
Ministrou oficinas de dança contemporânea para crianças e mulheres caixeiras e devotas que dançam bambaê, caroço, cacuriá, carimbó e festas ligadas ao divino.
Dançou em grupos de boi em São Luís, participou das festas de renascimento e morte desse animal, cuja simbologia é muito forte. A dança e o canto daquele ambiente influenciaram seu trabalho definitivamente.
Foi um senhor chamado Vera, morador da comunidade de Tutóia, local que fica situado próximo à divisa com o Piauí, que instigou a artista, mesmo sem saber, para a sua próxima pesquisa. Seu Vera falava sobre o céu e explicou que quando as nuvens ficam entrecortadas e ralas e o "céu escama", é sinal de que alguém vai morrer.
Após realizar Alcântara, selecionado pelo Programa Rumos Dança em 2006, Daniela volta ao Maranhão com o projeto Entre São Paulo e Maranhão, que ganhou o Prêmio Funarte Klauss Vianna, de onde nasce a nova pesquisa para o atual espetáculo.
Serviço
Escamando, de Daniela Dini
Dias 29 e 30, sexta e sábado, às 21h
Dia 31, domingo, às 19h
Duração: 55min
Censura : livre
Preço: 10,00 (meia para estudantes, idosos e classe artística)
Sala Crisantempo (100 lugares)
Rua Fidalga, 521
Vila Madalena
São Paulo - SP - Brasil
11 3814 2850
www.salacrisantempo.com.br