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Esalq terá R$ 1 milhão para combater febre maculosa

Publicado em 24 setembro 2014

A Comissão Técnica Permanente da Febre Maculosa Brasileira recebeu a imprensa nesta terça-feira (23/09) na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) para informar sobre os trabalhos que estão sendo desenvolvidos no campus e no município com o objetivo de combater a proliferação da doença.

 

Durante o encontro, foi anunciado o início de um programa de esterilização das capivaras do campus.

 

Em cinco anos serão investidos R$ 1 milhão para estudar as relações entre carrapato, capivara e febre maculosa em áreas consideradas endêmicas.

 

A criação da comissão foi motivada pelo o alto índice de mortalidade da doença e também a grande quantidade de capivaras e carrapatos existentes no campus.

 

Na reunião, os profissionais informaram que a forma mais eficiente de combate à febre maculosa é não frequentar locais com placas que indiquem a existência de carrapatos.

 

Para os casos de suspeita da doença, o profissional de saúde deve ser comunicado o quanto antes caso o paciente tenha frequentado áreas com possível infestação do carrapato estrela, agente transmissor da doença.

 

A reunião com a comissão aconteceu no período de pico de contágio da doença na região da bacia do rio Piracicaba, que engloba os meses de julho, agosto e setembro.

 

Participaram profissionais de diversas áreas como médicos infectologistas, biólogos, engenheiros florestais e técnicos da vigilância epidemiológica e da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).

 

A taxa média de letalidade (morte) da febre maculosa é de 40% dos pacientes infectados, mas o índice de óbitos no município é de 51% dos casos.

 

A série histórica que registra os casos da doença em Piracicaba teve início em 1996 e aponta que dos 64 indivíduos que adquiriram a FMB, 33 morreram.

 

Os números parciais de 2014 apontam que, dos quatro casos registrados no ano, três evoluíram para morte.

 

De acordo com Tufi Chalita, médico infectologista e membro da comissão permanente, é importante que a população fique atenta.

 

“Precisamos conscientizar que, independente do tamanho do carrapato, ele pode transmitir a febre maculosa.

 

Algumas pessoas não notam a presença dos carrapatos pequenos no corpo, etapa em que ele é popularmente chamado de micuim ou vermelhinho, fase em que o risco aumenta já que a picada dói menos e a presença do inseto no corpo passa imperceptível”, afirmou.

 

As chances de cura aumentam quando o paciente informa ao médico que esteve em locais que possa ter levado o contato com o carrapato.

 

“A febre maculosa é uma doença que, apesar de letal, aparece em uma proporção muito pequena na população, por isso é fundamental que o paciente comunique ao médico, logo nos primeiros sintomas que esteve em áreas com potencial para a incidência de carrapatos, o que irá facilitar para a adoção dos procedimentos pertinentes ao tratamento da febre maculosa”, relatou.

 

PROJETO — Professora do Departamento de Ciências Florestais da Esalq, Katia Ferraz informou que está sendo desenvolvido desde o segundo semestre de 2013 o Programa de Manejo de Controle Reprodutivo de Capivaras no Campus, que prevê esterilizar em cinco anos de 20 a 30% das capivaras que habitam na Esalq.

 

A iniciativa integra um projeto temático financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e pela Universidade de São Paulo, que ao longo de 5 anos irá repassar R$ 1 milhão.

 

A coordenadora do projeto disse que o procedimento de tornar os animais estéreis é diferente de castrá-los.

 

“A esterilização consiste na vasectomia dos machos e na ligadura das tubas uterinas nas fêmeas. Até o momento, já realizamos este procedimento em cinco animais da população total de capivaras do campus, estimada em aproximadamente 300 indivíduos”, informou.