Notícia

Jornal de Piracicaba

Esalq instala laboratório de comportamento de insetos

Publicado em 30 janeiro 2007

Criar substâncias que atraiam insetos para sua posterior captura e assim garantir maior produtividade agrícola. Este é, em linhas gerais, o principal objetivo das pesquisas do Laboratório de Comportamento de Insetos, em funcionamento desde o final do ano passado na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

De acordo com o professor José Maurício Simões Bento, as pesquisas acontecem na Esalq desde o final da década de 90, mas faltava um espaço próprio. "Este laboratório surgiu da necessidade de não sermos mais tão dependentes do que é desenvolvido no exterior", afirma.

Para estudar insetos que comprometem o rendimento das safras, Simões Bento e seus assistentes trabalham com duas linhas de pesquisa: feromônios e voláteis das plantas. "Feromônio é a substância utilizada para comunicação entre indivíduos da mesma espécie, enquanto os voláteis são usados entre espécies diferentes."

O professor explica que, em relação aos feromônios, é isolada a substância que exala o cheiro que atrai os insetos, sendo criada uma armadilha. Na parte de voláteis, é criada uma planta-alvo que servirá de contato para a captura. "Nos dois casos, tornamos mais fácil a captura das pragas, permitindo que isso se faça de maneira natural", detalha.

As pesquisas são feitas por encomenda de produtores. O grupo, que já trabalhou com migdoles (que ataca as raízes da cana-de-açúcar), bicho-furão (praga do citros), agora estuda o bicudo da cana, o besouro do eucalipto, a traça da batata, o psilídeo do citros e a broca do cupuaçu, pesquisa feita a pedido da Universidade do Amazonas. Orçado em R$ 250 mil, o laboratório tem 180 metros quadrados de construção e metade dos recursos veio de uma fundação japonesa, a Fuji Flavor Co. O restante chegou por meio da Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo (Coopercitrus), Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além do próprio departamento. (Ronaldo Victoria) 

Jornal de Piracicaba (Piracicaba/SP) — Cidades — 30/01/2007 — Pág. A-8