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Agência USP de Notícias

Erradicação evita doença que atinge maracujazeiros

Publicado em 29 junho 2015

Por Ana Carolina Brunelli

Um projeto de cooperação entre a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP,em Piracicaba, e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em Vitória da Conquista, visa combater uma doença conhecida como “endurecimento dos frutos”, que atinge maracujazeiros. Os professores Jorge Alberto Marques Rezende, do Departamento de Fitopatologia e Nematologia da Esalq, e Quelmo Silva Novaes, da instituição baiana, dedicam-se a avaliar a viabilidade prática e econômica da condução individual de maracujazeiros em caramanchões, associada com a erradicação sistemática das plantas doentes, semelhante ao que se faz há mais de 20 anos no Brasil para o controle do mosaico do mamoeiro, em busca de um método eficaz e duradouro para o controle dessa virose do maracujazeiro.

A produção do maracujá encontra-se ameaçada. Mais de 61.000 hectares estão plantados com maracujazeiros no Brasil, o maior produtor mundial do fruto, e carecem de medidas que garantam a preservação e maior durabilidade da cultura. A doença é causada por um vírus (Cowpea aphid borne mosaic virus – CABMV), disseminado pelos chamados pulgões, que atinge todas as áreas produtoras de maracujá do País. No início esse projeto recebeu apoio da PNPD/Capes e Fapesp.

“O vírus reduz a longevidade das plantas e provoca danos quantitativos e qualitativos na produção. Um maracujazeiro pode durar até três anos, mas a infecção com o vírus e sem um controle, pode chegar a pouco mais de um ano”, conta o professor Rezende. A doença se manifesta com o sintoma de mosaico na folha, redução da área foliar e da vida das plantas.

Para avaliar a eficiência desse método, os professores compararam, em Piracicaba e Vitoria da Conquista, a infecção natural de maracujazeiro conduzidos em caramanchões individuais, onde foram feitas inspeções semanais para eliminação de plantas doentes, com a de maracujazeiros conduzidos no processo convencional de espaldeiras de um fio de arame, sem erradicação das plantas doentes (controle). “Erradicação é o método mais eficaz, mas é preciso que o produtor fiscalize semanalmente a cultura e arranque rapidamente as plantas infectadas” ressalta.

A utilização dos caramanchões separa as plantas uma das outras, evitando o entrelaçamento das ramas, facilitando a identificação e eliminação da planta doente. Além disso, constatou-se que houve uma economia de 50% na área plantada no modelo de caramanchões. No entanto, conforme aponta Rezende, “a implantação de caramanchões possui um custo alto e não é muito acessível”. No entanto, a aplicação dessa estratégia de manejo da doença pode ser aplicada em qualquer sistema de condução das plantas, desde que individualizadas para facilitar o trabalho de inspeções e erradicação das plantas doentes”. Além disso, segundo o docente da Esalq, é possível que a criatividade dos produtores leve ao desenvolvimento de um sistema barato para a condução individualizada das plantas. É importante ressaltar que esse sistema de manejo para o controle da doença não deve ser aplicado em áreas que cultivam maracujazeiro de forma extensiva, pois há muitas fontes de inóculo do vírus. Deve ser implantado, preferencialmente, em áreas novas ou na recuperação da cultura em regiões onde ela desapareceu devido a presença do vírus.

Resultados

Em setembro de 2013, na Fazenda Areão, na Esalq, foram transplantadas 100 mudas de maracujá na área com caramanchões, enquanto outras 56 mudas foram transplantadas em janeiro de 2014 em área com espaldeiras de um fio de arame no campo experimental do campus da Esalq. As plantas são inspecionadas semanalmente pelo professor Rezende. Até junho de 2015 foram erradicadas apenas seis plantas no espaço com caramanchões, enquanto na área das espaldeiras, localizada a 2.500 metros de distância, onde não foi efetuada a erradicação, 100% das plantas estavam infectadas em julho de 2014. “Onde fizemos a erradicação de plantas doentes ainda temos 94 plantas sadias depois de 21 meses do transplante das mudas no campo, enquanto na área controle perdemos todas as plantas em menos de 6 meses”.

Nos testes conduzidos pelo professor Quelmo S. Novaes, na Bahia, foram realizados os mesmos procedimentos. Plantações com caramanchões e espaldeiras em áreas distantes, ocorrendo a erradicação apenas na primeira. Em setembro de 2014 foram transplantadas 100 mudas de maracujá em cada área. Na plantação nos caramanchões, até março de 2015, 8 plantas doentes foram erradicas, enquanto nas espaldeiras todas as plantas já estavam infectadas nessa data.

Ao tomar conhecimento desse resultado, o produtor Job Alvim Julião, de Anagé, BA, resolveu adotar a erradicação para o manejo da doença na plantação de 60.000 pés de maracujá que transplantou em janeiro de 2015, em espaldeiras de um fio de arame. Até agora erradicou 28 plantas, porém já notou que o emaranhado das plantas dificulta e muito a identificação e eliminação das plantas doentes. “Com a pesquisa, foi possível comparar a durabilidade de uma plantação com erradicação das plantas contaminadas com frequência, em relação a uma plantação onde não é realizado nenhuma erradicação e o vírus é capaz de, em poucos meses, disseminar e devastar completamente um maracujazal”, conta Rezende.

Mais informações: (19) 3429.4485/ 4109 e (19) 3447.8613; e-mail acom.esalq@usp.br

Da Assessoria de Comunicação da Esalq

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