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Revista Canavieiros

Era das máquinas: inteligência artificial fortalece cada vez mais a agricultura

Publicado em 01 junho 2017

Após o advento da agricultura de precisão, a busca por tecnologias e inovações cresce cada dia mais, tendo como objetivo o avanço das plantações com mais sustentabilidade e qualidade. Embora a curva de aprendizado tenha sido morosa e a “toque de caixa” para o setor sucroenergético, os progressos são muitos e se intensificam a cada nova safra. Neste contexto, acompanhando a evolução digital empregada nas lavouras, a Canaoeste, dentro do seu plano de reestruturação, resolveu investir em uma ferramenta de geotecnologia possibilitando ao seu associado conhecer melhor sua realidade e suas possibilidades. Para isso, firmou parceria com a IDGeo (Inteligência em Dados Geográficos), uma empresa especializada na gestão, modelagem e produção de geoinformação para agricultura, com destaque ao desenvolvimento de análise espacial e monitoramento remoto do ambiente produtivo e ligada à ESALQ/USP.

O novo contrato possibilitará aos fornecedores de cana associados à entidade ter disponível o QualiAGRO, um mapa que destaca a variabilidade das condições vegetais existentes na lavoura, com base na diferenciação dos padrões de vigor, sanidade, desenvolvimento e manejo da cultura, oferecendo uma referência visual para avaliação da qualidade agrícola. “O QualiAGRO é uma ferramenta operacional para auxiliar as visitas no campo, contribuindo para o reconhecimento imediato das áreas que apresentam expectativa de produtividade abaixo do potencial, contribuindo com estimativas mais coerentes e assertivas”, explica o diretor comercial da IDGeo, Ronan José Campos.

Com o novo serviço, o produtor rural poderá, por exemplo, verificar o desenvolvimento do canavial, a presença de anomalias vegetais, manejo inadequado ou presença de agentes externos em disputa com o desenvolvimento da cana-de-açúcar, evitando perdas de produção. Para o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan, a metamorfose da associação é necessária para atender às demandas dos novos tempos. “A diretoria entendeu que a Canaoeste precisa participar de um modo mais efetivo no cenário canavieiro, contribuindo também com dados, informações não só para a ala produtiva, mas também para o setor como um todo”, afirmou, explicando que com o novo serviço será possível ter em mãos um levantamento completo, por exemplo, das variedades utilizadas pelos fornecedores, áreas de reforma, idade dos canaviais, solo, entre outros.

“Com o mapeamento fica mais fácil fazer estimativas de colheita, participar de um censo varietal, ter dados precisos para assim poder fazer nossas projeções, como outras consultorias fazem. A partir daí, além das projeções da UNICA, Canaplan, DATAGRO, IDEA e outras, teremos a da Canaoeste”, afirmou, pontuando que o convênio com a startup pode contribuir com o trabalho dos agrônomos da associação, no sentido de orientar cultivares, práticas, adubação, controle de pragas, tudo fica mais viável de ser feito com mais precisão, com mais eficiência”, pontua.

Opinião compartilhada com a gestora técnica operacional da Canaoeste, Alessandra Durigan, ao afirmar que o serviço é uma ferramenta que auxiliará muito o trabalho do associado na gestão da sua propriedade e no manejo de sua lavoura. “Além da elaboração do mapa físico de suas áreas, com atualizações frequentes, ele também receberá o mapa de biomassa que é muito importante para o posicionamento de ações e tomada de decisões que podem refletir em aumentos de produtividade e consequentemente de lucros financeiros. Sempre amparado pelo suporte técnico agronômico da Canaoeste, o associado terá acesso a um trabalho diferenciado e moderno”, assegura a profissional.

“A associação já tinha um departamento de topografia e fazia os mapas a partir de solicitações, agora, com a ajuda do satélite, ganha-se escala e em um ano conseguiremos fazer todos”, explica Almir Torcato, gestor corporativo da Canaoeste, reforçando que 2017 será um ano piloto para atendimento generalizado dos 2.400 associados e depois, o serviço tenderá a ser mais personalizado, atendendo demandas direcionadas. “A inovação é estratégia para a sobrevivência da Canaoeste e desde o início de sua reestruturação, seu portfólio vem sendo sedimentado, agregando valor aos serviços prestados”, destaca o gestor, lembrando que a implantação do projeto de renovação visando os próximos 10 anos da entidade, iniciada em 2015, quando a mesma completou 70 anos, vislumbrava exatamente a modernização exigida na atualidade. “A Canaoeste já oferecia serviços de qualidade, tinha uma equipe bem qualificada, fazia ações de representatividade da classe, mas precisava de uma nova estrutura, para estar mais próxima do fornecedor; gerar conhecimento; informações de valor e ser reconhecida como entidade de liderança em nosso segmento”, elucidou.

Processo evolutivo contínuo

A importância da tecnologia incorporada na rotina do campo cada vez mais é destacada por especialistas, como ocorreu durante a apresentação da palestra “A Transformação Digital” proferida durante a Agrishow 2017, por Lucas Pinz, diretor de Tecnologia da Logicalis. “O produtor agrícola precisa entender que sua adaptação à total digitalização é estratégico para aumentar sua competitividade e eficiência”, afirmou ele, destacando que seu uso já contribuiu para alcançar bons índices de produtividade, dando como exemplo, o fato de que em 1930, um agricultor norte-americano produzia alimento suficiente para sustentar 9,8 pessoas; em 1950, um produtor conseguia alimentar 55 pessoas; saltando para 72 pessoas, em 1970, chegando em 2017 a 155 pessoas alimentadas por um agricultor. “A digitalização será decisiva para continuar nesse processo evolutivo”, disse, lembrando que para isso, é necessário avançar na transformação digital e aperfeiçoar a conectividade.

Não basta ter, tem que saber lidar com a tecnologia

Para Silvio Crestana, ex-presidente da Embrapa e atual chefe geral da Embrapa Instrumentação, recursos avançados como drones, bionanotecnologia, agricultura de precisão, armazenamento de dados na nuvem, internet das coisas e impressão 3D, entre outros, já estão num estágio de desenvolvimento suficiente para auxiliar na modernização da produção agrícola.

“O avanço tecnológico tem possibilitado a criação de um Big Data enorme, fato que pode se tornar um empecilho para quem não sabe lidar com este banco de dados gigantesco ou uma vantagem para quem entende do assunto”, disse. Um limitante para se conseguir melhores resultados diante de toda essa tecnologia disponível é a dificuldade de conectividade em algumas regiões do país. “Temos nos esforçado para integrar cada vez mais dados e tecnologia para entregar mais valor ao produtor rural”, afirmou, lembrando a complexidade que alguns novos sistemas produtivos acrescentam ao esforço de inovação. “Um exemplo disso é o Sistema de iLPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta), que envolve desafios de manejo e, principalmente, de se ter uma mão de obra mais qualificada”, ressaltou.

Crestana participou do Fórum Inovação da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio), primeiro evento organizado pela entidade na Agrishow, e ao lado de outros profissionais reforçou a importância da agricultura brasileira para o mundo e de seu avanço nos últimos anos. Como fez Alex Foessel, diretor de Tecnologia da John Deere, ao falar sobre Agricultura de Precisão e analisar a tendência crescente de tratores mais conectados com o uso das modernas ferramentas para melhorar a gestão no campo. Neste contexto, a analista de negócios da Labware, Sileine Rodrigues, mostrou que a empresa oferece uma plataforma de soluções que protege o conhecimento e pode garantir a qualidade dos resultados. Já André Pozza, diretor da Unidade de Negócios da Syngenta, apresentou as Soluções Integradas, detalhando o Plano de Agricultura Sustentável da empresa, com foco em maior produção, aumento da biodiversidade e melhoria da qualidade de vida do homem do campo e Cristiano Mendonça, diretor comercial da Michelin, fez uma apresentação sobre A Escolha do Pneu Certo para Incremento da Produtividade Agrícola.

Mendonça enfatizou que os pneus radiais podem indicar redução do uso de combustível em torno de 28%. Fez parte ainda do debate, André Salvador, diretor de Digital Farming da BAYER, que falou sobre Plataforma de Integração, com a criação do Centro de Expertise em Agricultura Tropical (CEAT); Cristiano Pontelli, gerente de negócios da Otmis, braço tecnológico da Jacto, abordou as Inovações Tecnológicas em Agricultura de Precisão, focando automação de máquinas, gestão à vista e consultoria no campo. Almir Araújo Silva, gerente de Marketing Digital da América Latina da BASF, observou que o mundo está no momento da tecnologia, sem volta. Para isso, a empresa implantou a AgroStart, uma aceleradora de startups que busca ideias e soluções para o campo.

Lavoura conectada

“Tecnologia bem aplicada é sinônimo de produtividade, por isso sempre investimos muito, sendo um dos pioneiros a implantar inovações na cana-de-açúcar, isso em 2005, quando ninguém ainda falava nisso”, afirma Victor Campanelli, produtor e diretor executivo da Agro Pastoril Paschoal Campanelli, explicando que a curva de aprendizado foi severa devido a estarem na vanguarda do uso de tecnologias em todos os níveis da produção canavieira, adquiriam know how e contabilizaram histórias de sucesso. Referência em excelência na produção de cana-de-açúcar, milho e gado de corte, Campanelli, comenta que falta ainda um despertar do setor para o uso da tecnologia.

“Algumas usinas já entenderam que 80% de seus custos são agrícolas e já começaram a investir em tecnologia, mas outras ainda não, e não sabemos se isso vai acontecer um dia e se dará tempo de colherem os resultados (antes de fecharem)”, pondera ele, apontando que o trabalho feito pelas cooperativas tem contribuído para a atividade do pequeno produtor. “Não é fácil de fazer, de gerenciar, não é barato, portanto, o auxílio oferecido pelas cooperativas é o caminho para a expansão da implantação da tecnologia”, disse, afirmando que isso vem se intensificando nos últimos anos. Campanelli foi um dos palestrantes da STARTAGRO - A revolução das máquinas, evento realizado pela primeira vez também na Agrishow, sob a tutela da DATAGRO, no painel “A máquina do futuro: quando algoritmos, tratores autônomos e Internet das Coisas se encontram”, do qual participou também Luís Otavio Fonseca, Líder de Agronegócio Digital da IBM.

Fonseca reforçou a aproximação da IBM junto ao agronegócio, mas enfatizou que recentemente foi criada uma plataforma de desenvolvimento de novas tecnologias para o setor. Entre elas, citou a plataforma Watson de Inteligência Artificial da empresa, que concentra dados de meteorologia, solos, sementes, defensivos, etc, compila e envia recomendações aos agricultores sobre as melhores ações a seguir. “Caberá aos produtores tomarem a decisão ou não”, disse, comentando ainda sobre a conectividade no campo, fato que deverá melhorar com a instrumentação das máquinas. “Com o passar do tempo, vamos conseguir ver a democratização da tecnologia no campo e é natural que a última milha de comunicação venha junto”, frisou.

Apesar da tecnologia contribuir com a geração de dados, Fernando Martins, CEO da Agrotools, ressalta que as informações ainda não são bem utilizadas pelos agricultores, citando uma pesquisa feita nos Estados Unidos que mostra que 83% dos agricultores que utilizam equipamentos de última geração sen tem-se perdidos com tantos dados. Sua empresa tem registros de 1.200 camadas de dados do território, uma tecnologia exclusiva que armazena informações de 3,8 milhões de propriedades rurais brasileiras, sendo 1,1 milhão delas no mais alto nível de produção. “Temos um banco de dados mais preciso que o Ministério da Agricultura e o Incra, coletando imagens de satélite há dez anos”, disse.

 

Gerações e inovações diferentes

A rapidez com que a tecnologia avança sobre as atividades rurais tem impressionado até mesmo quem sempre foi considerado um visionário no setor agrícola, como é o caso do empresário Maurílio Biagi Filho, presidente do Grupo Maubisa e presidente de honra da Agrishow, ao participar do painel ‘Diálogo de Gerações – como a tecnologia e o empreendedorismo podem ajudar na retenção do jovem no campo”, no evento da STARTAGRO, na Agrishow, com a jovem empreendedora Danielle Fonseca, cofundadora da startup Uller Agro, conhecida como a Uber das Máquinas. “É o mundo do compartilhamento, são inovações extraordinárias que estão acontecendo e este é um negócio que será muito bem-sucedido”, afirmou.

Sob a admiração do empresário, Danielle explicou para uma plateia atenta seu modelo de negócio baseado no compartilhamento de máquinas agrícolas. “Hoje contamos com uma rede de usuários de 119 fazendas cadastradas e de 65 produtores que disponibilizaram máquinas para serem alugadas”, disse, comentando que o interesse pelo serviço vem crescendo. Daniella é neta de Antônio Aureliano Chaves de Mendonça, ex-governador de Minas Gerais e vice-presidente da República. “Aureliano foi meu amigo e um dos profissionais extraordinários deste país, tendo contribuído para a implantação do Proalcool. Este encontro mostra que a tecnologia une pessoas além de trazer todo o desenvolvimento para o setor”, concluiu Biagi.

 

Entrevista

“A atual capacidade de gerar e armazenar dados é infinitamente superior à capacidade de analisá-los e utilizá-los em todo seu potencial”

A afirmação é de Ronan José Campos, diretor comercial da IDGeo, empresa especializada em transformar a diversidade de dados coletados e armazenados em conhecimento estratégico a respeito do território produtivo. Nascida em 2013, em Piracicaba- SP, a empresa é uma das propostas inovadoras selecionadas para se desenvolver no parque tecnológico da ESALQ/USP, a ESALQTec. Nesta entrevista exclusiva, o pesquisador fala sobre a atuação da IDGeo e da parceria firmada com a Canaoeste para oferecer um novo serviço aos seus associados. Confira:

 

Revista Canavieiros: A IDGeo foi criada quando?

Ronan José Campos: Criamos a IDGeo em 2013 para darmos continuidade ao desenvolvimento do projeto de monitoramento agrícola que iniciamos quando estávamos trabalhando em usinas.

 

Revista Canavieiros: O que a startup faz?

Campos: Trabalhamos em três linhas: Inovação, Consultoria e Treinamentos. Nosso maior esforço concentra- se na Inovação, gerando novos processos no tratamento e interpretação de dados focados na gestão agrícola. Esses dados têm diversas origens, como imagens de satélites, GPS de máquinas agrícolas, veículos, mapas de aplicação de insumos e o banco de dados das áreas produtivas. Temos um grande projeto chamado “Cana Viva”, sendo financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) - maior agência de fomento à pesquisa, que busca o monitoramento mensal e contínuo das áreas de produção agrícola utilizando satélites, gerando respostas em tempo hábil para manejo com recuperação de produtividade e redução de custos. Além disso, nossa equipe é composta por profissionais muito qualificados, formados e desenvolvendo seus trabalhos nas melhores universidades do país. Apesar de ainda pequenos, já chamamos a atenção de grandes empresas, inclusive de outros setores como silvicultura. Estão bem interessados na migração da tecnologia que desenvolvemos em cana para a produção de eucalipto.

 

Revista Canavieiros: Quais clientes atender?

Campos: Investimos muito no processamento de grande volume de dados, principalmente depois da parceira com a Microsoft, utilizando os mais potentes computadores disponíveis atualmente. Com isso, atendemos grandes projetos, principalmente na produção cana-de-açúcar, entre usinas e consultorias do setor.

Revista Canavieiros: O setor sucroenergético faz parte da sua carteira?

Campos: É o principal setor! Nascemos, crescemos e nos desenvolvemos no mundo canavieiro! Acreditamos piamente que o setor é o melhor modelo de desenvolvimento sustentável para o Brasil e o mundo como fonte energética, tanto biocomburente como bioelétrica, social e ambiental. Em nossa vivência, confirmamos como o setor sucroenergético está na vanguarda da tecnologia no campo, tanto em maior número de equipamentos, quanto em integrações de tecnologia no campo. Além de desenvolvermos a sustentabilidade na geração de energia, ainda ajudaremos no ganho de eficiência operacional e controle na produção de alimentos.

 

Revista Canavieiros: A startup já atendeu outra associação ou cooperativa? Fale a respeito, por favor?

Campos: Esta é nossa primeira parceria com associação, com grande surpresa e alegria. Digo surpresa pela grande motivação da Canaoeste em buscar as melhores tecnologias disponíveis e torná-las acessíveis aos associados. Normalmente, essa demanda vem de grandes empresas do setor, por uma associação é a primeira.

 

Revista Canavieiros: No que consiste a parceria entre a IDGeo e a Canaoeste?

Campos: A parceria consiste inicialmente no desenvolvimento de uma tecnologia exclusiva para a Canaoeste na geração de toda base cartográfica e gestão do banco de dados agrícola. O objetivo principal é que os associados tenham melhor qualidade de informações e mapas que as usinas apresentam de suas áreas. Além disso, a Canaoeste se beneficia com a maior aproximação do produtor e com melhores informação, melhorará seu apoio técnico a ele.

 

Revista Canavieiros: Como funcionará este projeto?

Campos: Este projeto se estenderá por 12 meses e durante esse tempo iremos gerar mais de 4 mil mapas e análises da qualidade da lavoura utilizando imagens de satélites, contemplando todos os associados Canaoeste. Todo relacionamento com o produtor acontecerá por meio dos agrônomos da associação que irão programar a geração do mapa de cada associado. Assim que pronto, o agrônomo retorna ao associado para verificação em campo e coleta das informações junto ao associado. A seguir, o associado receberá o seu mapa atualizado e o resultado da qualidade de sua lavoura. Assim, anualmente os mapas e informações estarão sempre atualizadas e os técnicos e produtores estarão melhores munidos para as tomadas de decisão!

 

Revista Canavieiros: A partir de quando estará disponível aos associados da Canaoeste?

Campos: Iniciamos os trabalhos em maio, com os primeiros resultados na segunda quinzena de junho.

 

Revista Canavieiros: Como o associado poderá utilizar o projeto?

Campos: A maneira mais básica é no planejamento e controle das atividades agrícolas, já que terá em mãos as informações atualizadas de sua propriedade, principalmente com área líquida de cultura, principal fator de custos e receitas. Já com a análise de qualidade, o produtor saberá com precisão quais foram as áreas menos produtivas, e com o apoio dos agrônomos da Canaoeste poderão definir um plano de ação na recuperação da produtividade dessas áreas sempre que possível.

Revista Canavieiros: Quais benefícios este novo serviço trará aos associados?

Campos: Informação! Este é o grande benefício, pois quanto mais informação o associado possui sobre sua lavoura, melhor ele consegue maximizar sua lucratividade, assim como a equipe técnica da Canaoeste pode assessorá-lo melhor. Com a análise da qualidade da lavoura, o produtor tem a oportunidade de racionalizar seu investimento, pois saberá como está cada parcela da sua produção. Ou seja, aplica seus insumos no local certo, na dose certa. Além disso, consegue identificar os principais locais de atenção que estejam com problema.

Revista Canavieiros: O custo de um projeto deste tipo ainda é inacessível no mercado caso o associado fosse adquirir diretamente, sem a parceria com a associação?

Campos: Para o pequeno produtor sim, pois o custo fixo associado ao trabalho é alto, tanto que atualmente a área mínima que fazemos de trabalhos como este é de 1.000 ha. Quando falamos em Canaoeste, juntos são mais de 120.000 ha, diluindo e muito os custos fixos tornando o trabalho viável a todos! Com essa parceria, abrem-se muitas oportunidades de levar o que há mais tecnológico ao pequeno produtor, fazendo-o tão competitivo como as grandes agroindústrias.

Revista Canavieiros: Qual a importância de utilizar a tecnologia para o desenvolvimento da agricultura, na sua opinião?

Campos: Como produzir já sabemos, agora a pergunta é como melhorar a aplicação do nosso conhecimento. É fato que revolução agrícola que está acontecendo sustenta-se na informação. Grandes empresas de tecnologia como Google, IBM, Microsoft estão com linhas de PDI voltadas para a produção agrícola. Precisamos fazer mais com o mesmo, as áreas de expansão agrícola estão limitadas, exceto no Brasil que ainda há potencial de expansão. Para isso, precisamos conhecer melhor nossa produção e fazer os manejos ao detalhe, para que isso acontece, faz-se necessário o uso da tecnologia. É fazer o investimento certo, na hora certa e no local correto. Isso traz a maior competitividade e sustentabilidade no agronegócio. Do ponto de vista social, o uso da tecnologia é imprescindível pois as novas gerações que trabalham no campo tem um perfil tecnológico, já vivem nas redes sociais e na busca de aplicativos para facilitarem suas atividades.

Esse pessoal não se encaixa nas tradicionais rotinas agrícolas e irão mudar a gestão e operação da agricultura. Exemplo prático desta situação são as máquinas empregadas hoje no campo, arrisco a dizer que a maioria dos equipamentos vendidos atualmente são com câmbio automático, por duas simples razões: mais eficientes e menor exigência de operadores. Reflexo desta condição foi a grande repercussão do trator autônomo apresentado pela Case IH na Agrishow deste ano. No entanto, o uso das funcionalidades dos equipamentos atuais ainda é baixa, não usufruindo de todos os recursos disponíveis, principalmente suas informações de telemetria e qualidade operacional. Estamos trabalhando nesse meio para ajudar os produtores. A situação é: muita expectativa criase quando se investe em tecnologia no campo, mas o retorno está abaixo do esperado por não saber como utiliza- la ou incorpora-la no processo de produção.

Revista Canavieiros: A falta de conectividade no campo é um problema relatado para o desenvolvimento da agricultura digital. Como resolver essa questão?

Campos: Sem dúvida a conectividade tem sido um grande desafio na implantação de novas tecnologias no campo, principalmente no Brasil por sua grande extensão e rico relevo. No entanto, vejo isso como um desafio que rápido será vencido, muitas tecnologias vêm sendo testadas e desenvolvidas por aqui, como 4G privado, conexões por satélites e conexão de alta latência em dispositivos IoT. Fato que o campo estará ainda mais conectado, a grande questão é: como utilizar todos esses dados? Os dados que já temos atualmente estão mal aproveitados, precisamos rever isso com urgência. Nós da IDGeo fizemos desta questão nosso desafio, precisamos entregar usabilidade a todos esses dados. O produtor tem que ter soluções e não dificuldades, pois destas já bastam os desafios de se produzir!