Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Equipe estuda impacto ambiental de atividades

Publicado em 18 janeiro 2004

Classificar o meio rural brasileiro como estritamente agrícola é uma possibilidade cada vez mais distante da realidade. O setor tem apresentado uma crescente diversificação de atividades agrícolas e empregado mui ta gente em atividades rurais não-ligadas diretamente à agropecuária tradicional. São cada vez maiores os investimentos em prestação de serviços, comércio e indústria. A fim de garantir a sustentabilidade do meio rural, sobretudo dessas novas vertentes, a equipe da Embrapa Meio Ambiente desenvolveu o sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural (APOIA-Novo Rural). Trata-se de um conjunto de planilhas eletrônicas que integram 62 indicadores de performance ambiental de atividades econômicas em uma propriedade. O programa faz uma abordagem sistêmica dos impactos, via matrizes de ponderação construídas em plataforma MS-Excel. De acordo com o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da unidade, Geraldo Stachetti Rodrigues, foram consideradas cinco dimensões de avaliação: ecologia da paisagem, qualidade ambiental (atmosfera, água e solo), valores socioculturais, valores econômicos e gestão e administração. "Dados quantitativos, obtidos em campo e laboratório, foram automaticamente transformados em índices de impacto, expressos graficamente", explica o pesquisador. Os resultados da avaliação do índice de Impacto Ambiental da atividade permitem ao produtor e ao administrador saberem quais as disparidades da propriedade em relação ao modelo de sustentabilidade almejado e corrigi-las. "O APOIA-Novo Rural é um método muito abrangente, suficiente para aplicação em campo na avaliação do impacto de atividades agropecuárias", diz Rodrigues. Ao ser utilizado em propriedades onde se desenvolvem horticultura orgânica, horticultura convencional, agroturismo e pesque-pagues, o método atingiu seus objetivos e mostrou-se flexível para diferentes atividades, diz Rodrigues. "Escolhemos exatamente estas porque são práticas emergentes, bastante diferentes umas das outras e porque temos pesquisadores nessas áreas", explica. "Não se tratam necessariamente de atividades agrícolas, mas essencialmente de atividades rurais." Segundo o pesquisador Pedro José Valarini, que trabalhou na área de horticultura dentro do projeto Novo Rural, o sistema também é adequado para comparar um conjunto de propriedades com horticultura orgânica a outro, com horticultura convencional, mesmo sendo modelos muito diferentes. "Chegamos a índices precisos. No que diz respeito à conservação ambiental, por. exemplo, a horticultura orgânica apresentou resultados 19% melhores que os da convencional. A qualidade da água é 13% superior nas propriedades em que se faz o cultivo orgânico. Na parte de gestão e administração da propriedade, a prática orgânica é 74% superior à convencional, de acordo com os índices analisados", diz. Valarini salienta que a maior vantagem de poder detectar os pontos críticos é ter base para corrigi-los e ampliar, assim, as chances e garantias de um desenvolvimento sustentável da propriedade. "Depois de avaliar os resultados, fazemos recomendações aos produtores", diz ele. "O sistema é tão detalhado que permite dizer a um produtor de suínos que ele está contaminando a água de sua propriedade e, mais que isso, permite apontar quais elementos da água estão em desequilíbrio", exemplifica. O projeto Novo Rural começou em 2001 e recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério Especial de Segurança Alimentar. A primeira etapa foi dedicada ao desenvolvimento do APOIA-Novo Rural. A segunda, em curso, está sendo trabalhada dentro do Programa de Desenvolvimento da Agricultura Familiar, do CNPq. Segundo Rodrigues, já foram visitadas 60 propriedades do interior de São Paulo e, agora, outros 120 produtores entre Paraná, Espírito Santo e São Paulo receberão os pesquisadores e técnicos que utilizarão o sistema para medir os impactos e indicar manejos mais adequados para o desempenho sustentável das atividades. A terceira fase do projeto, prevista ainda para o primeiro trimestre deste ano, tem programado o trabalho de gestão ambiental de atividades rurais na área de proteção ambiental da Barra do Rio Mamanguape (PB). Entre elas, a criação de camarão, o agroturismo e o cultivo de cana-de-açúcar. "O principal objetivo é dar ao produtor, deforma documentada, as diretrizes para ele se inserir melhor no mercado, pois terá um produto com valor agregado."