Notícia

Jornal da Unesp online

Equipe descobre 50 espécies de peixes

Publicado em 01 setembro 2007

Especialistas de Rio Preto realizaram levantamento da fauna de riachos da Bacia do Alto Paraná


Embora a Bacia do Alto Paraná seja uma das mais estudadas do País, inúmeras variedades de peixes desconhecidas dos cientistas ainda habitam seus rios. Um levantamento promovido por especialistas do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), câmpus de São José do Rio Preto, descobriu 50 espécies nessa região, que abrange os Rios Paranaíba, Tietê, Paranapanema, Grande e o trecho do Rio Paraná até a barragem de Itaipu.

O projeto que levou a tantas descobertas foi coordenado pelo docente Francisco Langeani Neto. Iniciada em 2005, a pesquisa teve também a participação da docente Lílian Casatti, além da servidora técnico-administrativa Roselene Ferreira e de alunos de pós-graduação e de graduação. Com o patrocínio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o grupo pesquisou a ictiofauna, isto é, o conjunto de peixes do Alto Paraná, com o objetivo de produzir uma síntese das espécies existentes.

Segundo Langeani, o projeto se desenvolveu em três etapas: na primeira, foram levantados os trabalhos publicados sobre as espécies desse trecho da bacia; na segunda, revisou-se o material de coleções brasileiras sobre essa região; por fim, coletaram-se espécimes em áreas pouco estudadas.

O grupo fez coletas em riachos do Rio Grande (MG) e do Rio Paranaíba (MG e GO). "Escolhemos trabalhar nos riachos, pois, potencialmente, eles apresentam espécies novas", explica Langeani. "A maior parte dos peixes de grandes rios já são bem conhecidos pelos pesquisadores."

Após o trabalho de campo, a equipe comparou as espécies encontradas com as já descritas na literatura e descobriu que ao menos 50 não eram conhecidas. "Essa constatação nos faz indagar quantas espécies desconhecidas devem existir na Bacia Amazônica, que é bem menos estudada que a do Alto Paraná", comenta Langeani.

De acordo com o docente, a pesquisa está em fase final e artigos com a síntese das espécies já foram aceitos para publicação em revistas científicas. "O próximo passo será solicitar novo financiamento para desenvolvermos o trabalho nos Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná", afirma.


Corrida contra o tempo

Langeani mostra-se preocupado com o risco de muitas espécies ainda desconhecidas desaparecerem, por causa das agressões ambientais sofridas pela Bacia do Paraná. O docente estima que, mesmo que as pesquisas recentes continuem na mesma velocidade, serão necessários dez anos para descrever todas as espécies da região. "Apenas 310 espécies da Bacia do Alto Paraná eram conhecidas", afirma o pesquisador. "No projeto, descobrimos mais 50, o que mostra que a variedade existente é muito grande."

O docente explica que os riachos da Bacia do Alto Paraná no Estado de São Paulo são os menos preservados e que a ação que mais atinge os peixes é o desmatamento. "Com o corte das árvores, a terra vai para o rio e cobre a rocha, o que acaba matando as espécies que encontram alimento na superfície das pedras", explica.

Na pesquisa do Ibilce, 65% das espécies descobertas têm menos de 21 cm. Os peixes pequenos, que representam as espécies menos descritas cientificamente, são também os mais prejudicados pelo desmatamento, pois, por causa do tamanho, muitas vezes não conseguem procurar outro local para viver. "Nosso maior desafio é conhecer todas essas espécies antes que elas sumam do mapa", adverte Langeani.

Ligya Aliberti Barbosa da Silva,

bolsista UNESP/Universia/Ibilce/São José do Rio Preto