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Gazeta Mercantil

Equipamentos de última geração serão importados

Publicado em 09 junho 2005

Por Edson Álvares da Costa, Ribeirão Preto (SP)

As imagens permitem detectar e tratar anomalias no funcionamento do cérebro humano

As imagens permitem detectar e tratar anomalias no funcionamento do cérebro humano. O Brasil está próximo de concretizar o maior negócio na área de imagens médicas do País. Com verbas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sendo US$ 5 milhões já aprovados, o projeto CInAPCe - Cooperação Interinstitucional de Apoio a Pesquisas sobre o Cérebro vai importar quatro aparelhos de ressonância magnética funcional de última geração.
Diferentemente dos aparelhos convencionais de ressonância magnética, que mostram apenas aspectos anatômicos do corpo humano, os novos equipamentos, os primeiros a chegar ao País, revelam alterações funcionais no cérebro, permitindo o diagnóstico de várias doenças não relacionadas à anatomia cerebral propriamente dita.
As informações são do professor de física médica da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, Oswaldo Bafa Filho, que presidiu o 1 Congresso Brasileiro de Neuroimagem Funcional, realizado no último fim de semana nesta cidade e que reuniu 330 pesquisadores, profissionais e estudantes de várias áreas.
"Estamos na fase final para decidir quem serão os fornecedores", diz Bafa, revelando que as multinacionais Siemens, Philips e General Electric estão na lista de potenciais fornecedores dos equipamentos.
A iniciativa de criação do CInAPCe partiu de pesquisadores de quatro instituições: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto, Faculdade de Medicina da USP de São Paulo, Unicamp e Instituto de Pesquisas Albert Einstein, que bancará com recursos próprios a aquisição de um dos equipamentos.
Segundo a Fapesp, "a exemplo do modelo utilizado nos programas Genoma e Biota, o CInAPCe prevê a formação de uma rede de cooperação entre diversos grupos de pesquisa no Estado de São Paulo, em um instituto virtual dedicado ao estudo do sistema nervoso."
"Há uma série de doenças cuja alteração não está na anatomia, mas no funcionamento do cérebro. Por isso a importância científica dos novos equipamentos", afirma Bafa. Segundo ele, a primeira fase do projeto terá como foco o estudo da epilepsia.
Outra tecnologia discutida no congresso e inédita no Brasil foi a da magnetoencefalografia, baseada em sinais eletromagnéticos do cérebro para fins de diagnóstico. Por enquanto se usa no País a velha técnica de eletroencefalografia, que faz diagnósticos com sinais elétricos do cérebro.
A tomografia de emissão de pósitrons foi outra novidade abordada durante o congresso. Segundo Bafa, trata-se da injeção no corpo humano de substância radiativa que será consumida durante o metabolismo. "A glicose, por exemplo, pode ser marcada pela substância radiativa, permitindo o mapeamento do fluxo da substância no cérebro", explica o professor.
"A neuroimagem funcional é um assunto extremamente atual e uma das principais áreas de investigação na interface entre medicina, física, engenharia e informática", diz o engenheiro Paulo Mazzoncini de Azevedo Marques, professor de física médica e informática biomédica da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto.
Segundo Azevedo Marques, o investimento na área representa o primeiro passo para que o País saia da pesquisa para a prática no diagnóstico avançado de doenças cerebrais. "Além do impacto científico, o investimento representa também um impacto econômico, pois envolve a aquisição de tecnologia de grandes multinacionais", diz.