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A Gazeta (Cuiabá, MT) online

Equipamento vai ampliar estudos do clima no país

Publicado em 28 dezembro 2010

Por Gerson Monteiro

Já está funcionando o novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. Batizado de Tupã, o equipamento amplia em 50 vezes a capacidade do país no processamento de estudos climáticos, colocando o Brasil em destaque no cenário internacional. Instalado em Cachoeira Paulista, a 206 quilômetros de São Paulo, o supercomputador permitirá que setores como transporte e agricultura possam trabalhar com planejamento, uma vez que o sistema atual não tinha tanta precisão em relação a fenômenos extremos, como chuvas, secas e geadas.

Segundo Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe, o novo sistema terá aplicação regional atendendo toda a América do Sul, já que os centros de pesquisas climáticas do exterior não oferecem esse serviço. Para Carlos Henrique Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o supercomputador "é o olhar global do ponto de vista dos brasileiros".

O supercomputador vai atender pesquisas que envolvam oceanos, superfície terrestre e química da atmosfera. "Será possível analisar, por exemplo, a temperatura da superfície do mar, a espessura do gelo na Antártida", explica Sampaio.

Um dos responsáveis pelo projeto, o pesquisador do Inpe Carlos Nobre, diz que o Tupã era a infraestrutura que faltava para o Brasil em termos de pesquisa, já que o País sempre dependeu do exterior. "É fundamental para o planejamento estratégico em desenvolvimento sustentável".

Para Gilberto Câmara, diretor do Inpe, pela primeira vez o Brasil investiu recursos próprios, sem financiamento estrangeiro, com valor total de R$ 50 milhões, sendo R$ 35 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e R$ 15 milhões da Fapesp.

O contrato de convênio prevê a abertura de espaço para grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima) utilizarem o supercomputador. "Precisamos ter instituições para usar todo o recurso disponível", disse o diretor do Inpe, durante a solenidade oficial de inauguração do equipamento.

Estudos como a simulação de 200 anos estão programados para serem realizados até junho de 2011. Outras pesquisas mais sofisticadas, como análise do comportamento no fundo do mar, também deverão ocorrer no período.

Em termos comparativos, um segundo de trabalho do supercomputador equivale a duas horas e 45 minutos de processamento de um computador de uso pessoal utilizando processador Intel Core 2 Duo. O que o Tupã faz em um minuto, demoraria sete dias de processamento numa máquina básica.