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Equipamento brasileiro permite monitorar remotamente a oxigenação de pacientes com Covid-19

Publicado em 19 maio 2020

Um dispositivo criado por uma empresa brasileira para monitorar uma apneia do sono pode ajudar a acompanhar, de forma remota, pacientes com sintomas leves do Covid-19, uma doença causada pelo novo coronavírus.

A Biologix, startup de São Paulo, criou, há cinco anos, um oxímetro que capta os dados de oxigenação do paciente e, com a ajuda de um aplicativo celular, monitora esses dados e envia para um banco de dados. Lá, uma equipe médica tem acesso às informações.

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A intenção original do dispositivo era que pacientes com apneia do sono não precisassem passar a noite sendo monitorados, em laboratório, para receber ou diagnosticar. Com uma pandemia de novo coronavírus, os criadores usam adaptações no sistema para que sejam usados ??em pacientes com casos leves do Covid-19.

O oxímetro já está sendo testado no Hospital de Campanha do Pacaembu, na capital paulista, e também tem uma intenção de expandir uma iniciativa para outros hospitais públicos, explica o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, diretor da Biologix e professor associado da USP que dirige o Laboratório do Sono do Instituto do Coração, em São Paulo.

“Em hospitais, pode ser usado para monitorar pacientes de Covid-19, que não estão autorizados e deixar os leitos de UTI livres para pacientes doentes”, explica Tácito Mistrorigo de Almeida, presidente da Biologix, da Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A fundação contribuiu no financiamento à pesquisa que originou o oxímetro.

Primeiro, a intenção da equipe é propagar ou usar o equipamento em hospitais. Depois, há planos para que seja vendido diretamente ao consumidor, em farmácias. Com isso, em um segundo momento, é possível monitorar os pacientes diretamente da casa deles, explica Lorenzi Filho.

Veja como funciona o oxímetro

O pneumologista lembra que a hipóxia – que é a baixa oxigenação dos tecidos -, causada pela Covid, não tem sintomas. Por isso, é possível que o paciente tenha o problema sem o sentir. Daí aumente a importância do oxímetro.

“O sangue venoso [das veias] passa pelos pulmões e não se oxigena “, explica Lorenzi Filho.” Aí começa a hipóxia. Só que a hipóxia não dá falta de ar. Quando o paciente é internado, é internado pela insuficiência respiratória – para receber oxigênio “, afirma Lorenzi Filho.

O médico afirma que o equipamento desenvolvido pela empresa tem dois destaques: um é um recurso de monitoramento remoto. Uma outra é a estabilidade nas medições – porque é associado a um dispositivo que faz com que as medidas não oscilem com os movimentos do paciente, como em oxímetros “normais”.

Além disso, a paridade com o celular faz com que o paciente seja “lembrado” das medições a cada quatro horas. O pneumologista declara que a equipe planeja testar o uso do equipamento em casa com moradores de Paraisópolis, em São Paulo. Além de medir a oxigenação de pacientes, o oxímetro permite manter um registro das medidas anteriores, para acompanhar uma melhora ou piora no quadro.

O dispositivo é um sensor portátil, sem fio, colocado no dedo indicador do paciente. Ele consegue indicar a saturação de oxigênio e a frequência cardíaca de uma pessoa, e uma idéia é que, se houver oxigênio, a equipe médica entrará em contato com o paciente ou com quem estiver sendo mantido.

“O sistema permite que a equipe de monitoramento mande pacientes para um hospital em nenhum momento, diminuindo o risco de interação com outras pessoas e, acima de tudo, protegendo profissionais de saúde”, explicou Tácito Mistrorigo de Almeida à Agência Fapesp.

“Vários dispositivos já estão disponíveis para monitorar pacientes com suspeita de Covid-19 ou sintomas leves, mas eles são respostas nas respostas subjetivas de pacientes. Não monitoram sinais clínicos como o nosso sistema”, afirmou.