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ÉPOCA 100 - Os brasileiros mais influentes de 2010

Publicado em 13 dezembro 2010

Qualquer um que queira entender as transformações por que o Brasil vem passando deve olhar com cuidado para a lista que publicamos nas próximas páginas. Nelas estão 100 pessoas que se destacaram pelo exercício do poder, pela construção de um projeto, pela inspiração, pelo talento. Por meio de seus perfis, é possível entender melhor os caminhos, as apostas, os desafios do país.

Este é o quarto ano em que publicamos a lista - e produzi-la é uma tarefa árdua. O trabalho envolveu praticamente toda a redação de ÉPOCA, com a valiosa colaboração de milhares de leitores (que fizeram suas indicações pelo site) e de especialistas nas diversas áreas. Para escrever os perfis, convidamos 99 personalidades (um dos textos é sobre um casal) que tivessem afinidade com o homenageado ou com a área. São a garantia de fornecer a você, leitor, um olhar privilegiado, diverso, atual sobre nossa realidade.

Renata Pasqualini e Wadih Arap

Um casal que brilha na pesquisa de novas drogas

Renata (bioquímica) e Wadih (oncologista), que coordenam um laboratório no MD Anderson Cancer Center, em Houston, demonstraram que a parede interna dos vasos sanguíneos tem características peculiares dependendo dos órgãos que irrigam. Os vasos sanguíneos não são todos iguais. Não são como os tubos de PVC que compõem o encanamento das casas. Renata e Wadih identificaram receptores nas células das paredes dos vasos sanguíneos que atraem moléculas específicas. Esse tipo de descoberta tem um grande valor no campo da pesquisa de novas drogas. O mais recente alvo de Renata e Wadih é a obesidade. Eles criaram uma droga capaz de atacar os vasos sanguíneos que nutrem as células adiposas. Os estudos iniciais, em camundongos e macacos, são animadores. Em 2010, o conjunto da obra deles foi reconhecido com o Prêmio Edith e Peter O"Donnell, da Academia de Ciências, Engenharia e Medicina do Texas. Renata trabalha muito. Quando era minha aluna, bastava dizer "duvido que você consiga fazer tal coisa" e lá vinha ela dizer que havia conseguido. Wadih é muito estudioso. É um caso raro de casal de cientistas em que o homem e a mulher estão no mesmo patamar da carreira. Estão casados há 17 anos, mas continuam na fase pegajosa. Gostam de pegar na mão, de namorar. Eles se completam. Fui padrinho de casamento, é claro.

Por Ricardo Brentani - Presidente da Fundação Antônio Prudente e do conselho técnico administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo