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Brasil Popular

Epidemia de Covid-19 se intensifica e Cuba não reabre escolas até vacinar todas as crianças

Publicado em 02 setembro 2021

O governo cubano decidiu não reabrir as escolas antes de ter vacinado todas as crianças do país, anunciou nesta terça-feira (31) o ministro da Educação, especificando que o início do ano letivo acontece na próxima segunda-feira (6), mas à distância

A ilha, que desenvolveu vacinas próprias contra a doença, atualmente, faz ensaios clínicos pediátricos com as vacinas Abdala e Soberana, com a intenção de imunizar crianças a partir dos três anos.

Uma explosão de infecções de Covid-19 tem sobrecarregado os serviços de saúde cubanos, um orgulho nacional e símbolo do sistema social do país.

No dia 26 de julho, Pedro Julio Miranda, médico de 26 anos, enfrentou um dilema no Hospital del Sur, na província central de Villa Clara: tinha quatro pacientes em estado grave e apenas três cilindros de oxigênio. “Imagine brincar de Deus, decidindo quem vive e quem morre. Pensei que se não fizesse algo, um dos quatro morreria com certeza”, disse Miranda à AFP. Ele procurava “algo que fosse oco e bifurcado em uma de suas extremidades, até que Deus me iluminou, tinha a solução por perto e não conseguia enxergar porque estava em volta do meu pescoço”, relatou. Era o seu estetoscópio.

Semanas depois, o ministério da Saúde reconheceu “limitações” no fornecimento de oxigênio medicinal.

Na província de Holguín, dezenas de médicos denunciaram em dois vídeos coletivos o colapso hospitalar de sua região, algo incomum no país socialista caribenho.

No dia 12 de agosto, o presidente Miguel Díaz-Canel disse que a situação “havia ultrapassado as capacidades do sistema de saúde, destacando o trabalho de todo o seu pessoal”.

“Transmissão descontrolada”

Cuba conseguiu administrar a crise de saúde até julho passado, quando a variante Delta provocou a disparada das infecções. O número médio de casos diários, até 22 de agosto, foi “39,2% superior ao do final de julho”, informou José Ángel Portal, ministro da Saúde.

Até esta segunda-feira (30), a ilha, de 11,2 milhões de habitantes, acumulava 646.513 casos e 5.219 mortes por Covid-19.

Para Amilcar Pérez-Riverol, pesquisador cubano da Fundação Fapesp da Universidade Estadual Paulista (Unesp), há “uma situação grave e uma explosão da transmissão descontrolada do vírus”. “Cuba ficou por muitas semanas com uma taxa de casos positivos em torno de 20%”, quatro vezes a taxa indicada pela OMS “como um alarme para a alta circulação viral”, apontou.

Com uma extensa rede de clínicas de bairro, o país tem 82 médicos por 10.000 habitantes, em comparação com 32 na França e 26 nos Estados Unidos, segundo a OMS.

Havana enviou cerca de 4.000 profissionais de saúde para cerca de quarenta países para ajudar no combate à Covid-19. Porém, enquanto o principal trunfo do sistema de saúde cubano é a prevenção, no “segundo nível não é uma potência”, analisa Pérez-Riverol. “Quando ocorre uma explosão dessa magnitude, se a primeira barreira de contenção for superada, no segundo nível a situação piora muito rapidamente”, acrescentou.

Sob embargo comercial dos Estados Unidos desde 1962, o sistema hospitalar cubano sofre há anos com deficiências de infraestrutura, falta de medicamentos, suprimentos de diagnóstico e equipamentos.

“Meu pai está em tratamento com ambos os pulmões comprometidos”, disse em sua conta no Twitter Mag Jorge Castro, enquanto pedia medicamentos como nimotuzumab, jusvinza e cefepime. Outras mensagens nas redes sociais falavam de pacientes que teriam sido entubados sem sedativos.

Reportagens da televisão estatal revelaram que as pessoas esperam até 24 horas para serem transferidas para um hospital. A AFP verificou ainda a falta de testes de antígeno, PCR e medicamentos nas clínicas locais.

(Da RFI Com informações da AFP)