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Jornal Cana

Enzimas da vinhaça são usadas para degradar poluentes da indústria têxtil

Publicado em 01 abril 2011

A degradação de produtos químicos que poluem a água por intermédio do metabolismo de organismos vivos é uma tecnologia bastante conhecida. O laboratório de Ecologia Aplicada do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (Cena/USP) está inovando essa técnica ao estudar a produção de enzimas na vinhaça, subproduto resultante da produção de álcool de cana-de-açúcar, para degradar poluentes corno o corante índigo, o mais utilizado na indústria têxtil, que produz a cor característica dos jeans.

As enzimas são um tipo especial de proteína que aceleram as reações químicas. Além de serem encontradas em todos os organismos vivos, são totalmente biodegradáveis, o que confere ao seu uso uma produção segura e ambientalmente correta. "As enzimas podem substituir muitos produtos nocivos ou perigosos, uma vez que são decorrentes de uma tecnologia limpa", afirma o engenheiro ambiental e mestrando Gleison de Souza, bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

"Nosso principal objetivo é um tratamento alternativo para a vinhaça, tornando-a água de reúso", informa a professora Dra. Regina Teresa Rosim Monteiro. Esse tratamento promove o clareamento e a redução dos odores resultantes da decomposição da vinhaça. Paralelamente, "Essa vinhaça transformada é rica em enzimas que podem ser aproveitadas para a pronta degradação de efluentes da indústria têxtil", acrescenta.

"A eficiência dessas enzimas foi testada na descoloração e degradação do índigo com resultados promissores", enfatiza Regina ao lembrar que esse corante é difícil de ser tratado, estando presente em efluentes e lodo. Em um ano de experiência, essa pesquisa atestou a eficiência dos fungos como degradadores de resíduos químicos. "Na presença de efluentes têxteis, as linhagens dos fungos Pleurotus mostraram-se capazes de descolorir e destoxificar", explica. "Uma vez dominada essa técnica, as enzimas podem substituir muitos produtos químicos nocivos ou perigosos, permitindo uma produção segura e ambientalmente correta, decorrente de uma "tecnologia limpa", conclui a professora.

Ainda segundo Regina Teresa Rosim Monteiro, sistemas de tratamento de efluentes mal desenvolvidos, que não diminuem os excessos de resíduos, trazem sérios riscos à saúde humana e ao ambiente. "No laboratório de Ecologia Aplicada do Cena, trabalhamos em busca de processo de degradação da matéria orgânica, como a despoluição da água, por meio de processos biológicos".