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Enzima de fungo amazônico otimiza etanol de segunda geração

Publicado em 07 junho 2021

Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) identificaram no fungo amaznico Trichoderma harzianum uma enzima capaz de degradar biomassa.

Alm de caracterizar a substncia, os pesquisadores usaram tcnicas de engenharia gentica para produzi-la em larga escala, reduzindo custos e viabilizando sua utilizao industrial.

A descoberta abre caminho para o maior aproveitamento dos resduos da cana-de-acar na fabricao de biocombustveis, uma vez que o desenvolvimento de um coquetel de enzimas de baixo custo representa um dos principais desafios para a produo de etanol de segunda gerao, derivado do bagao e da palha da cana-de-acar.

“A enzima quebra diferentes acares presentes em vrias fontes de biomassa vegetal, o que a torna muito verstil e interessante no s para a produo de etanol de segunda gerao, como tambm para uso na indstria alimentcia e cosmtica, por exemplo,” comentou a pesquisadora Maria Lorenza Motta.

Alm de apresentar atividade em diferentes substratos, a nova enzima tem uma srie de qualidades bioqumicas que a tornam conveniente para o uso em processos industriais. “Ela atua em uma ampla faixa de pH [de 5 a 9] e de temperatura [40C a 65C] e, mesmo assim, a atividade relativa permanece acima dos 50%. Isso interessante porque diversos processos industriais, como a fermentao usada para a produo de etanol, por exemplo, ocorrem sob variao de pH e temperatura,” acrescentou Maria Lorenza.

Ba do fungo

Alm da descoberta de uma nova enzima para a produo de etanol de segunda gerao, o grupo tambm inovou na forma de buscar solues para a degradao de celulose. “Estamos h alguns anos desenvolvendo uma metodologia de prospeco desses fungos a partir de uma abordagem que envolve evoluo, expresso gnica e genoma. Isso interessante, pois torna nosso trabalho mais assertivo. Com o tempo, estamos criando uma espcie de ba com informaes relevantes sobre enzimas com potencial uso para a indstria”, contou a professora Anete Pereira de Souza.

A metodologia de prospeco envolve estudos de evoluo das linhagens de fungos associados a diferentes ferramentas de anlises de variaes genticas, genes, protenas e metablitos. ” uma abordagem diferente, que nos permite utilizar vrios filtros at chegar a um candidato interessante para ser estudado”, conta.

Com isso, os pesquisadores tm mostrado que os fungos do gnero Trichoderma apresentam grande potencial para a produo de enzimas ativas por carboidratos (CAZYmes), incluindo membros de famlias de glicosdeo hidrolases (GH).

Souza ressalta que quase todas as enzimas utilizadas no Brasil para a degradao de biomassa so importadas e desenvolvidas para o uso de pases do Norte global. “A prospeco de enzimas da biodiversidade nacional traz inmeras vantagens, no s pela reduo dos custos como tambm em ganhos de eficincia na produo de etanol. mais provvel que um fungo da Amaznia esteja mais adaptado para degradar celulose de biomassa em um contexto como o nosso”, explica Souza Agncia FAPESP.

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