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Correio da Paraíba online

Enzima aumenta produção de etanol do bagaço da cana

Publicado em 20 maio 2018

A partir de microorganismos descobertos no lago Poraquê, na Amazônia, pesquisadores têm conseguido resultados importantes no desenvolvimento do etanol de segunda geração, que podem aumentar em até 50% a produção do combustível no Brasil e torná-lo ainda mais sustentável, segundo pesquisa divulgada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tornando o Brasil menos dependente da gasolina.

O etanol de segunda geração, ou etanol celulósico, é produzido a partir da palha e do bagaço da cana-de-açúcar, podendo ser feito também com outros materiais, como o sisal, por exemplo, conforme explicou a pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Tecnologia e Processamento de Biocombustíveis do Instituto UFPB (Universidade Federal da Paraíba) de Desenvolvimento da Paraíba (Idep), Nataly Albuquerque.

Apesar de outros materiais apresentarem potencial na produção de biocombustíveis, que já são produzidos também a partir do milho, o uso da cana-de-açucar ainda é o mais viável e barato, por se tratar de uma cadeia de produção já estruturada, de acordo com Nataly.

“Os biocombustíveis são a principal estratégia do Brasil para a redução dos gases de efeito estufa e redução do uso da gasolina e diesel. Isto irá contribuir, a médio prazo, para reduzir os preços do biocombustível para o consumidor”, comentou o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool da Paraíba (Sindalcool-PB), Edmundo Barbosa.

De acordo com Nataly, a produção de etanol de segunda geração ainda é cara e poucas usinas trabalham com essa tecnologia. Pesquisadores da Fapesp buscam justamente uma forma de tornar o processo mais barato e eficiente.

RenovaBio

Para a coordenadora do Laboratório de Tecnologia e Processamento de Biocombustíveis do Instituto UFPB (Universidade Federal da Paraíba) de Desenvolvimento da Paraíba (Idep), Nataly Albuquerque, uma solução que trará resultados mais rápidos para o mercado de combustíveis é o programa RenovaBio, lançado no ano passado, pelo Ministério de Minas e Energia.

“O RenovaBio é a solução encontrada por Produtores, Academia, a Embrapa Agroenergia, o Ministério das Minas e Energia, Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Agricultura para as questões de meio ambiente, retomada do desenvolvimento e emprego com a produção de biocombustíveis e cumprimento das metas”, disse Edmundo Barbosa.

O RenovaBio prevê o estabelecimento de metas nacionais de redução de emissões para a matriz de combustíveis, definidas para um período de 10 anos. As metas nacionais serão desdobradas em metas individuais, anualmente, compulsórias para todos os distribuidores de combustíveis, conforme sua participação no mercado de combustíveis fósseis.

O programa também prevê a certificação da produção de biocombustíveis atribuindo notas para cada unidade produtora, sendo que maior será a nota para o produtor que produzir maior quantidade de energia líquida, com menores emissões de CO2e no ciclo de vida.

A ligação entre esses dois tipos de produtores se dará com a criação do Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis (CBIO), que será um ativo financeiro, negociado em bolsa, emitido pelo produtor de biocombustível, a partir da comercialização da sua produção (após a emissão da nota fiscal).

Na prática, o esperado é que os produtores de combustíveis fósseis precisem comprar os créditos vendidos pelos produtores de biocombustíveis para conseguir atingir as metas.

Reduzir poluição até 2028

Edmundo Barbosa descarta que a gasolina deixe de ser utilizada pelos consumidores brasileiros a curto prazo. Por outro lado, no processo de descarbonização da matriz energética brasileira, o Governo Federal terá que estabelecer uma meta para reduzir os efeitos dos combustíveis fósseis - que poluem mais, com a gasolina. A meta obrigatória em discussão estaria entre 10% a 15% até 2028.

“Queremos que as metas sejam as maiores possíveis, apesar das petroleiras trabalharem contra, segurando a barreira até mesmo dos 10%. Caso essa meta chegue a 15%, ou mais, haveria a construção de mais de 150 usinas e um volume maior de investimentos, sendo tornando mais atraente o setor se houver uma política pública a favor dos biocombustíveis.

De acordo com Edmundo Barbosa, com essa política, deverá haver a redução do preço do etanol, com maior produtividade e aumento de oferta; redução do ICMS sobre os combustíveis livres, menos poluentes. “A diferença é de impostos é apenas 2% entre a gasolina e etanol”, apontou o dirigente, que afirmou que há ainda um favorecimento ao combustível renovável pelos Estados e, por outro lado, os estados pagam preço dessa opção tendo custos mais elevados na saúde por conta da poluição do combustível fóssil sendo usado com maior quantidade.

O dirigente do Sindálcool negou que houve uma maior opção dos consumidores pela gasolina como um efeito cultural. “Essa impressão de que existe uma cultura de não usar etanol é equivocada. Na Paraíba, a venda de etanol subiu 72% quando a gasolina começou a subir, enquanto o preço do litro da gasolina caiu 2,4% no mesmo período - comparados o primeiro trimestre de 2017 e 2018”.