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Diário Boca do Povo - Sete Lagoas

Entrevista Rita Ferreira - Empresária com um pé na academia - 1ª parte

Publicado em 19 agosto 2020

Por Ivan Dias

Nesta coluna entrevisto Rita Cristina Ferreira, Diretora Técnica da empresa DWG Arquitetura SS Ltda,, atualmente sediada em São Carlos — SP, mas que esteve por 22 anos no coração da Avenida Paulista em São Paulo. Ressalte-se que a DWG foi aberta com apoio do SEBRAE onde Rita fez cursos de custos em serviços, marketing, contabilidade e gestão de pessoas. No momento, é doutoranda em Arquitetura e Urbanismo pelo IAU-USP.

Ela não é de Londrina mas acompanha o que ocorre aqui e contribui com sua formação e conhecimento para a cidade. E Rita tem uma característica muito interessante para os objetivos que me proponho ao discutir desenvolvimento nesta coluna: o de ser empresária com um pé na academia conhecendo assim as agruras e os possíveis bônus dos dois lados. Mas passemos a palavra à Rita. Ivan: Rita obrigado por ter atendido o convite, mas antes de tudo apresente-se para os leitores. Rita: sou arquiteta, formada em 1990, pela (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP).

Porém, antes de fazer arquitetura, cursei O Técnico em Processamento de Dados. Uma das minhas opções era fazer Computação. Isto influenciou a minha atuação profissional, na qual fiz uma ligação entre projeto e tecnologia da informação. Também fiz o mestrado entre 20052007, sob orientação do Prof. Eduardo Toledo, na Escola Politécnica da USP. Atualmente estou em fase final do doutorado no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP de São Carlos. Tenho uma empresa que atualmente está “ de molho ”, porque estou dedicada ao doutorado. E interessante esta situação de colocar a empresa “ de molho ”, pois também fiz isso durante o mestrado, ocasião em que também estava desenvolvendo um projeto de inovação tecnológica financiado pela FAPESP, dentro de um programa chamado PIPE (Programa de Inovação Tecnológica para Pequenas Empresas).

Conto melhor mais à frente, na parte sobre projetos que desenvolvi. Ivan: Qual sua relação com Londrina e cite algumas atividades que desenvolveu relacionadas à minha cidade. Rita: Meu primeiro contato com Londrina foi com a Prof. Ercília Hirota, há uns bons 20 anos. Depois, fui convidada a ser professora no SENAI de Londrina, no MBA de Gestão de Obras, entre 2008 e 2016. Foi minha primeira experência como docente. Minha disciplina no MBA do SENAI era Coordenação de Projetos e um dos principais tópicos que eu tratava era sobre BIM (Building Information Modeling). Recentemente, fiz um trabalho de consultoria para implementação do BIM com o CEAL (Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina), que teve a participação dos principais escritórios de projeto da cidade. Este trabalho for organizado pelo Eng. Brazil Ver soza que, após um contato durante uma palestra a convite da Placo (empresa produtora de componentes de construção), mobilizou um grupo em Londrina interessado em se aprofundar sobre o BIM.

Em 2017, preparamos um treinamento sobre BIM. Comentário meu: BIM — Building Information Modeling ou Modelagem da Informação da Construção (ou Edificação) é uma tecnologia de desenvolvimento de projetos de construção que incorpora informação inteligente no projeto permitindo a gestão da obra e da manutenção da edificação ao longo de toda sua vida. Pretendo voltar ao tema em outra coluna. Já há instrumento legal (Decreto no. 9377 de 17/05/2018) que prevê sua implementação e o torna obrigatória a partir de 2021. Atenção gestores públicos!!! Ivan: que projetos você participou relacionados a desenvolvimento e que tenha havido contatos com universidades? Se for com Londrina melhor ainda. Rita: Desde que me formei, sempre mantive contato com a Universidade, pois tenho em mim que esta é uma ponte fundamental para o desenvolvimento econômico e tecnológico.

Minha empresa nasceu da minha experiência na construtora ENCOL entre 19923. A ENCOL teve um grande projeto de inovação tecnológica com a Escola Politécnica da USP, coordenada pelo Prof. Fernando Henrique Sabbatini. Quando montei a DWG, o prof. Sabbatini também era consultor do meu primeiro cliente. Aprendi muito com o Prof. Sabbatini e indiretamente ele acabou sendo meu consultor. Hoje é um grande amigo. Entre 1997 e 1998, fui consultora de um projeto de pesquisa liderado pelo Prof. Carlos Formoso da UFRGS. O projeto estava relacionado ao uso do CAD 3D e, na ocasião, tive oportunidade de fazer contato com o pesquisador Prof. Ghassan Aouad, da Universidade de Salford Inglaterra.

Ele veio visitar O meu escritório. Dessa experiência com a UFRGS e com o Prof. Ghassan, foi semeada a semente de inovação. Considero que o período de 1993 a 1998 foi uma primeira fase dos meus negócios e da minha vida profissional. De 1999 a 2004, foi um período de transição que me fez consciente do potencial que a inovação tecnológica poderia trazer para os negócios.