Notícia

Suplemento Pernambuco

Entrevista - Angela Teodoro Grillo

Publicado em 24 maio 2019

Faça um teste rápido com a pessoa que está ao seu lado. Peça para ela dizer o nome de uma obra de Mário de Andrade (1893-1945) que lhe vem à mente. Em uma suposição infundada, digamos que ela responderá Macunaíma (1928). Já um leitor que conheça com mais profundidade o modernista poderá escolher um dos estudos sobre música, mas dificilmente citará um texto cuja força motriz está nas questões raciais. A suspeita se deve ao fato de que a crítica, em sua maioria, opta por trazer à superfície outros aspectos de sua produção, daí a relevância de Aspectos do folclore brasileiro (Global Editora, 2019), organizado pela pesquisadora do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), Angela Teodoro Grillo. A obra faz justiça à trajetória do autor ao trazer para o público textos inéditos em que ele trata das questões étnicos-raciais no país.

Em entrevista ao Pernambuco, a pesquisadora explica por que Estudos sobre o negro, uma das partes dadas como inexistente por pelo menos 60 anos, é uma das mais valiosas reflexões do modernista sobre o racismo no Brasil.

Por quais motivos os Estudos sobre o negro, nomeado pelo autor como Preto, demoraram tanto para serem localizados no arquivo de Mário de Andrade?

Prefiro explicar porque ele foi encontrado. Desde 2005, realizo minhas pesquisas no acervo de Mário de Andrade guardado no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP). Em 2007, meu mestrado estava inserido em um projeto temático dedicado aos arquivos da criação do escritor, financiado pela FAPESP e coordenado pela professora Telê Ancona Lopez. Como parte do meu trabalho, competia-me fazer a classificação de dez manuscritos do autor, entre eles o dossiê intitulado Preto. Quando cheguei a ele, me dei conta que estava diante de um documento muito importante e até então desconhecido. Percebi ali que o Mário pesquisador da cultura brasileira estava preocupado em compreender a presença da cultura negra. O primeiro motivo que me faz chegar a este manuscrito foi fazer parte de uma pesquisa cientifica dedicada à organização, catalogação, análise e democratização dos manuscritos do escritor. O segundo aspecto fundamental foi meu interesse pela presença da cultura de matriz africana na obra de Mário de Andrade. Se estamos diante de um artista/intelectual modernista que se preocupa com o "encontro das três raças", como se dizia na na época, para compreender a identidade brasileira, eu me perguntava onde estaria a contribuição da cultura negra na obra dele. No Preto encontrei a porta para entender isso.

Há também a questão da nomeação do manuscrito, de acordo com a lista deixada pelo autor...

Pouco antes de morrer, Mário deixou uma lista de suas Obras Completas, no total de 20 volumes. Em relação ao volume de número 13, ele indicou Aspectos do Folclore Brasileiro, que deveria ser constituído de três partes: O Folclore no Brasil, Estudos sobre o negro e Nótulas Folclóricas. Oneyda Alvarenga, discípula de Mário, após a sua morte, encontrou no arquivo do escritor a primeira e a terceira partes, porém não localizou a segunda e substituiu o número 13 por Música de feitiçaria no Brasil. No entanto, a parte tida como inexistente foi por mim identificada no manuscrito Preto, composto de 356 documentos – notas de trabalho/leitura; dois artigos e uma conferência preparada para ser apresentada nas comemorações do Cinquentenário da Abolição por ele organizadas enquanto Diretor do Departamento da Cultura da municipalidade de São Paulo, em 1938.

A publicação de Aspectos do folclore brasileiro viabiliza, portanto, a edição de uma obra planejada, interrompida pela morte do escritor. Como outras edições da equipe Mario de Andrade (IEB-USP), inclusive que estão no prelo, busca-se recuperar o projeto original do escritor, na medida em que se estabelece as relações entre manuscritos, leituras e correspondências. Esta edição, além de um dossiê, conta com dois posfácios escritos pelas professoras Ligia Fonseca Ferreira e Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti. Ainda que a mudança de título Preto para Estudos sobre o negro não tenha tido tempo de ser feita por ele, a análise e a interpretação dos documentos permitiram a identificação desses documentos como a segunda parte do projeto vislumbrado pelo autor. Essa segunda parte reúne textos (com notas de pesquisa) em que Mário de Andrade está pensando sobre a origem e em que medida se dá a violência contra o negro no Brasil. É interessante notar que se no artigo e na conferência ele afirma que qualquer negro no Brasil pode alcançar um lugar de poder, a seguir, em 1939, o escritor muda de opinião, como podemos ver desde o título daquele que considero seu texto mais importante sobre o tema, o Linha de cor.

Portanto não procede dizer que Mário de Andrade se esquiva em alguma medida dessa discussão, exatamente no momento em que se discute sobre as três raças no país?

Cada vez mais me refiro ao Mário como um intérprete do Brasil. Como outros intelectuais brasileiros e latino-americanos, ele procura entender o que nos torna singular em relação ao europeu, por exemplo. Mário tem ideias semelhantes e que muito antecedem o que conhecemos hoje como “estudos culturais” e “pós-coloniais”. Ele procura ouvir e registrar a voz do subalterno e não falar por ele. Para Mário de Andrade, não há hierarquia entre cultura popular e cultura erudita. Quando pensamos em cultura brasileira, evidentemente a cultura de matriz africana está presente e o interesse por ela pode ser identificado em toda sua obra. Seja como pesquisador, crítico ou artista, há a presença negra em toda sua poesia e também nos estudos que realiza sobre outras manifestações artísticas, como o ensaio sobre Aleijadinho, em que destaca que estamos diante da obra de um gênio mulato, termo bastante recorrente na época. Ao abrirmos cada vez mais os olhos para obra de Mário de Andrade e de outros artistas afro-brasileiros vemos que o tema está presente na obra deles, mas não podemos compreende-los com os paradigmas de hoje, mas do momento deles. Por isso, considero que Mario não se esquivou, ao contrário, sua obra afirma a valorização da cultura de matriz africana e a denúncia da violência contra o negro.

Mas em Sambas insonhados (2016) você sugere que Mário de Andrade não assumia a cor. Queria que você comentasse esse aspecto a partir dos manuscritos que teve acesso no acervo do escritor.

Sabemos que ainda hoje ao termo “negro” pode ser atribuída também uma conotação negativa. Desde o período escravocrata, o “negro” era o insurreto, o desobediente, não à toa Aimé Césaire, contemporâneo de Mário de Andrade, substitui “noir” ("preto") por “nègre” ("negro") em seu conceito de Négritude. Toda a ambivalência desses termos e suas inversões semânticas, tão bem estudadas por Ligia Fonseca Ferreira, devem ser levadas em conta ao lermos a passagem em que Mário de Andrade afirma que toda pessoa no Brasil de “cor duvidosa” é insultada como “negro!”. Ele mesmo, ao ouvir o insulto, responde “vou passando bem, obrigado!”. Francisco Lucrécio, um dos fundadores da Frente Negra Brasileira (FNB) e conferencista convidado por Mário para as comemorações do Cinquentenário da Abolição, em depoimento, interpreta que essa resposta de Mário é um não assumir a cor. Em um dos poemas por mim analisados, Reconhecimento de Nêmesis, escrito em 1926 e publicado em 1941, pude identificar um eu lírico negro. Ao servir-me dos estudos de João Luiz Lafetá, que compreende nos versos uma cisão entre o adulto e a criação, entendi que há também um encontro conflituoso do adulto com a criança negra de sua infância. É um longo e belo poema que pode ser lido na chave do autobiográfico, visto que, por exemplo, nos últimos versos o eu lírico registra o endereço do poeta: “Nesta Rua Lopes Chaves/ Terá um homem concertando/ as cruzes de seu destino”. Sublinho que “concertando” é grafado com “c”, ou seja, é na arte, é no concerto do destino que o homem vai resolver seus conflitos com essa criança negra que ora ele a acolhe, ora ele a repele.

O estudo desse poema e de outros textos, em diálogo com a obra publicada, correspondência e manuscritos de acervo do escritor permitiu-me confirmar a hipótese de que foi em projetos no campo da cultura e em produções literárias, e não em declarações individuais, que ele lutou pelo reconhecimento e valorização da contribuição do negro para o Brasil. Ainda que não encontremos um texto emblemático como O emparedado de Cruz e Sousa, Mário de Andrade “concerta” sua origem afro-brasileira como poeta, pesquisador e chefe do Departamento de Cultura, o que não me parece pouco e nem uma esquiva.

Em que medida a posição política que ele ocupa justifica o comportamento individual a respeito da própria origem?

Uma ideia central para meus estudos de Mário de Andrade está em Veneno remédio, de José Miguel Wisnik, obra em que o ensaísta faz um estudo sobre o “mulato” brasileiro. O “mulato” seria aquele que guarda o segredo do todo, pois no Brasil ele pode ser tolerado em vários lugares, mas sempre com algum limite, seria o que tem se chamado atualmente de "passabilidade". Diferentemente de Cruz e Sousa, poeta comparado postumamente pela crítica com Mallarmé, negro retinto que morreu de frio em um vagão de trem, Mário de Andrade, como um negro claro, consegue acessar lugares artísticos e políticos da elite paulistana. Inclusive, eu não diria nem que estamos diante de um assimilado, visto que um assimilado foge da possibilidade de tratar de sua origem. Ele tratou do assunto de forma bastante perspicaz.

Durante muito tempo se investiu na polarização política entre Mário e Oswald de Andrade. Fez ou ainda faz sentido isso?

Tive a oportunidade de ler parte da peça teatral escrita recentemente por Pascoal da Conceição que dramatiza o encontro de Mário e Oswald depois de mortos. O texto procura “resolver” essa peleja com humor e crítica, na medida em que mostra que estamos diante de dois homens que pensam de forma diferente, mas que isso não anula e nem diminui o valor do outro. De fato, ambos têm suas importâncias políticas e culturais e ações revolucionárias a seus modos. Ainda que não tenha sido filiado a um partido político, como Oswald de Andrade, para Mário a arte é sempre engajada, no sentido nacional da época. Penso que a obra de Mário é revolucionária, por exemplo, ao propor a apresentação do cantador de coco Chico Antônio no Teatro Municipal em um momento em que só entravam ali artistas da cultura dita erudita. Considero revolucionária sua ideia de folclore, retirando os estudos do conceito do exótico e usando-o como ferramenta que permite reconhecer a sociedade ou quando registra com rigor suas viagens etnográficas pelo Norte e Nordeste do país, material que servirá aos seus estudos folclóricos ou em sua atuação como diretor do Departamento de Cultura. Mário se nega a participar de qualquer partido pois não quer ter suas ideias tolhidas, nem moldadas. Qualquer julgamento dos caminhos políticos desses dois grandes e diferentes escritores, que busque diminuir a importância de suas obras, visto que nenhum deles era a favor, por exemplo, do nazismo ou da eugenia, para mim não acrescenta em nada aos estudos literários.

Se há esse empenho em trazer as questões raciais para o seu trabalho, podemos dizer que a “manipulação” está na crítica, ao focalizar outros aspectos da obra dele em detrimento desse tema, que você defende ser central?

É interessante notar que, salvo a crítica da literatura negra e/ou afro-brasileira, há uma tendência da crítica brasileira em ser “incolor” em relação aos nossos escritores. Procuro sempre compreender as questões étnicos-raciais em Mário de Andrade de forma semelhante ao que ocorre com escritores afrodescendentes como Machado de Assis e Cruz e Sousa. É preciso estar atento aos textos em que esses elementos aparecem de formas mais cifradas. Nessa discussão étnico-racial, refiro-me a Mário de Andrade como uma voz que não grita e nem se cala, pois não se trata de um escritor militante como entendemos a partir dos anos de 1970 com os Cadernos Negros, não é uma literatura engajada nesse sentido. Antes de Mário, tem-se vozes negras importantes como do poeta abolicionista Luís Gama. Depois, nomes importantes como Abdias do Nascimento, Solano Trindade, Carolina Maria de Jesus mas eles não compõem um movimento literário negro, como conhecemos na contemporaneidade. É necessário um olhar que não busque apenas a semelhança, mas também a diferença, como nos ensina os estudos comparados, pois os processos de elaboração dos elementos étnicos-raciais podem ser múltiplos, é o caso, por exemplo, de Maria Firmina dos Reis que no momento da publicação de Úrsula assina como “uma maranhense” e seu texto, recuperado há poucas décadas, é considerado hoje o primeiro romance abolicionista de nossa literatura. Além disso, a obra de um escritor está aberta aos mais diferentes interesses e interpretações. Esta é a riqueza da crítica literária que deve seguir sem algemas ideológicas.

Você acredita que a publicação desses textos sobre questões raciais pode mudar a relação da crítica estabelecida até então sobre a obra do autor?

Há muitos trabalhos sobre Mário de Andrade e espero que Aspectos do folclore brasileiro contribua para o debate em torno de sua obra que ainda há muito a ser estudada. Nesse livro, considero que o trabalho de pesquisa dedicado a resgatar as comemorações do Cinquentenário da Abolição, realizadas e interrompidas pelo Departamento de Cultura de São Paulo, foi um dos momentos mais gratificantes para mim, pois confirma que Mário não se resumiu a um “mulato” que não quis se assumir. As consultas em jornais da época e em seu acervo mostraram-me que para o Cinquentenário ele organiza 15 dias de "consciência negra", para usar os termos de hoje, convidando intelectuais negros e brancos para um ciclo de conferências no Palácio do Trocadero, em uma “sala de brancos”, como ele mesmo denuncia. Mário planejou para o encerramento a apresentação da Congada de Atibaia, que ele bem conhecia como etnógrafo. Deixou tudo isso escrito e, segundo o roteiro, no final, o prefeito deveria coroar o rei, evidentemente negro, “isso se ele tiver coragem”, escreve. O que ele chamou de "superstição da cor preta" (o que chamamos hoje de racismo) infelizmente venceu, pois a parte final do plano foi cancelada no momento em que, coincidentemente ou não, Mário foi afastado do cargo, provavelmente sem tempo de apresentar sua conferência.

Vale dizer que, em meio ao planejamento das Comemorações, ele recebe uma carta de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde, convidando-o para participar das comemorações nacionais, pois sabia que Mário de Andrade tinha planos para São Paulo. Em resposta, Mário, empolgadíssimo, elabora em uma longa carta, um projeto monumental incluindo mapas da população negra no Brasil, exposições, concertos de música negra, conferências com abolicionistas. Ele não recebe resposta – ou, se teve, ainda não localizei em seu arquivo. Em suma, ignoradas as “loucuras” do modernista, a capital do país comemorou a data com a vinda das cinzas da Princesa Isabel de Portugal e a inauguração de um busto em homenagem a ela. Ressalto que nunca encontrei nenhuma referência de Mário de Andrade à Princesa Isabel. Por isso, tanto na contramão de muitas ideias de sua época, como em tempos atuais em que o retrocesso político insiste em atacar o ensino e a cultura, espero que Aspectos do folclore brasileiro contribua para a crítica a respeito desse que foi um profundo conhecedor do Brasil e que tem lições de resistência e criatividade para nos dar.

Em Linha de cor (1939), a defesa de que existe racismo no Brasil, chamado por ele de "preconceito de cor", é feita a partir da análise de provérbios, parlendas e cantigas populares. Ele pesquisa campos diversos (música, artes plásticas, dança). Como explicar a sua metodologia de trabalho?

A terceira parte de Aspectos do folclore brasileiro, chamada Nótulas folclóricas, expõe sua metodologia. Mário, além de um leitor contumaz – sua biblioteca conta com mais de 20 mil livros – ia a campo e recolhia informações. Ao observar, registrava também, no caso de músicas, em partituras. Além disso, enquanto Diretor do Departamento de Cultura, sua metodologia foi usada por um grupo de pesquisadores que viajaram pelo país recolhendo sons, imagens e anotações para compor um dos acervos mais ricos de expressões culturais do país, como mostra, por exemplo, o livro e DVD Missão de pesquisas folclóricas: cadernetas de campos, organizados por Flávia Camargo Toni. Mário não só dizia o que o que fazer, mas como fazer. A partir de um pensamento etnográfico, para ele, o folclore é uma forma de compreender a sociedade, em diferentes linguagens artísticas (dança, artes plásticas, música, poesia) e no próprio cotidiano. Vale dizer que, como pesquisador, não interessa a ele apenas identificar elementos que valorizem a cultura negra, mas também os que servem à compreensão da violência. Por exemplo, no manuscrito Preto, há um conjunto de notas de leitura que mostram que buscou compreender como a mulher negra é ridicularizada ou sexualizada na poesia portuguesa e brasileira. Isso me permitiu trabalhar com a hipótese de que essas notas do etnógrafo serviram à criação do poeta de Poemas da Negra, pois ao inverter o sentido pejorativo encontrados pelo etnógrafo, o poeta alcança versos de amor em que o eu lírico entra em comunhão absoluta com a amada.

Além do poema Reconhecimento de Nêmesis, que outros textos são emblemáticos dessa preocupação com a temática racial ou do racismo?

Cito a biografia romanceada Padre Jesuíno do Monte Carmelo, outra obra interrompida, que hoje conta com a edição estabelecida e estudada por Maria Silvia Ianni Barsalini. É importante lembrar que estamos diante da obra de um escritor que morre precocemente, aos 51 anos, e em plena força criativa. A pesquisa de Barsalini compreende que Padre Jesuíno é um alter ego do Mário de Andrade, o que contribuiu para análise de Reconhecimento de Nêmesis. O padre biografado não pode alcançar postos mais elevados na igreja por causa de sua cor, mas enquanto pintor de tetos das igrejas barrocas da cidade de Itu (SP), no momento em que olha suas mãos, escurece propositadamente a pele dos anjinhos barrocos. É semelhante ao processo de criação de Reconhecimento de Nêmesis, em que os versos são escritos em um momento de raiva em que Mário de Andrade e Menotti Del Picchia brigavam em publicações de jornais. Nele, o eu lírico diante da “mão morena”, assim como o padre, “concerta” sua obra.

De modo similar a essa crítica que se lança aos estudos sobre questões raciais em Mário, é possível pensar em outros temas, como sexualidade e gênero?

Do mesmo jeito que se tem aberto caminhos para pensar as questões étnico-raciais, é possível discutir seriamente as questões de gênero na obra de Mário de Andrade, para além de meras especulações da sua vida íntima. A análise de gênero e sexualidade no poema Girassol da madrugada e no conto Frederico paciência, por exemplo, podem ser riquíssimas visto que são textos de refinado lirismo, ternura e erotismo. Penso que as questões de gênero e sexualidade estão na mesma chave das étnico-raciais, no sentido de que merecem ser trabalhadas com seriedade e rigor. Importam menos os dados biográficos e mais o legado deixado pelo escritor, que serve como material para pesquisa e ensino.