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Entenda o que já se sabe sobre a Covid longa e quais os principais sintomas

Publicado em 18 agosto 2021

Apesar de muitas pessoas terem se recuperado da Covid-19, milhões continuam sofrendo com os sintomas da doença

Em todo o mundo, mais de 180 milhões de pessoas já se recuperaram da Covid-19, segundo informações do site Worldometers, que compila dados mundiais desde o início da pandemia. Apesar disso, nem todas as vítimas do novo coronavírus (Sars-CoV-2) conseguiram se livrar totalmente da doença. Isso porque, em muitos casos, os principais sintomas podem permanecer por meses.

Especialistas destacam que a Covid longa, também conhecida como “síndrome pós-Covid”, é o termo que tem sido usado para descrever o quadro de saúde de pacientes que continuam com sintomas da doença após 12 semanas. Entre os principais sintomas estão a perda de memória, falta de ar e perda de olfato e paladar, além de sequelas neurológicas.

As pesquisas na área já destacam que a Covid-19 é uma doença que não só afeta o pulmão, apesar de ser o órgão mais debilitado, mas também o sistema neurológico.

O maior levantamento sobre o assunto foi publicado na revista médica The Lancet e divulgado pelo jornal britânico The Guardian, em julho deste ano. A pesquisa ouviu 3.762 pessoas com suspeita ou confirmação de Covid longa em 56 países. Ao todo, os pesquisadores identificaram 203 sintomas, sendo 66 deles monitorados por mais de seis meses.

Os sintomas incluem alucinações visuais, névoa cerebral, tremores, coceira na pele, alterações no ciclo menstrual, disfunção sexual, palpitações cardíacas, problemas de controle da bexiga, perda de memória, visão turva e diarréia.

Os dados mostram que do total de participantes do estudo, 3.608 (96%) relataram sintomas além de 90 dias. Destes, 2.454 (65%) apresentaram sintomas por pelo menos 180 dias e apenas 233 se recuperaram completamente.

Cerca de 22% das pessoas que participaram da pesquisa relataram não poder trabalhar, ser demitido, tirar licença-médica prolongada por invalidez devido à doença. E 45% exigiram um horário de trabalho reduzido.

Athena Akrami, neurocientista da University College London e uma das autoras do estudo, explicou que é provável que milhares de pessoas estejam sofrendo com as sequelas em silêncio, sem entender que seus sintomas estão relacionados ao vírus. “Depois de seis meses, a maioria dos sintomas restantes são sistêmicos. Coisas como a regulação da temperatura, fadiga, mal-estar pós-esforço e [questões] neurológicas”, disse Akrami.

Os artigos científicos sobre as sequelas que da doença ainda não são conclusivos e estão em um estágio inicial com foco na coleta e classificação dos sintomas.

Uma outra pesquisa recente sobre a Covid prolongada é de um grupo de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia. Os pesquisadores fizeram a revisão de 18 mil estudos publicados sobre o assunto até 1° de janeiro de 2021.

Eles selecionaram as 15 principais publicações sobre o tema, sendo nove do Reino Unido, três dos EUA, uma da Austrália, uma da China, uma do Egito e uma do México, e identificaram 55 sintomas principais.

Entre os 47.910 pacientes que integraram os estudos, os cinco principais sintomas detectados foram: fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), perda de cabelo (25%) e dificuldade para respirar (24%).

O dermatologista Daniel Cassiano, da Clínica GRU e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destacou que pacientes recuperados da Covid-19 sofrem com a queda de cabelo. “A perda de cabelo é um fenômeno bem descrito após qualquer estresse fisiológico no corpo. Embora ainda não tenhamos estudo científico sobre o assunto, essa queda pode estar ligada ao estresse físico e psicológico que os pacientes vivenciaram com a infecção”, diz o médico.

Ao todo, cerca de 80% das pessoas que tiveram a doença ainda tinham algum sintoma pelo menos duas semanas após a cura.

“Sinto que minha saúde diminuiu 80%”

Eliete ao sair do hospital depois de três meses na UTI. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em maio de 2020, a aposentada Eliete Ribeiro, 62, ficou internada por 90 dias na UTI por causa da Covid-19. Durante a internação, ela teve diversas complicações no pulmão e nos rins.

Mais de um ano após ter alta do hospital e se curar da doença, Eliete ainda sofre com alguns sintomas emocionais e físicos que permaneceram.

“Depois da Covid, eu fiquei com dores neuropáticas nos membros inferiores até os dias de hoje. Fiz exames e o diagnostico é que estou com os nervos dos meus dois pés danificados e não tem mais cura porque é crônico. Tomo uma medicação caríssima que o governo não fornece e preciso me virar para pagar. Também fiquei com depressão por causa de tudo que passei e sofro com esquecimento, preciso sempre anotar tudo”, conta.

Há seis meses, ela foi internada novamente. Dessa vez foram apenas onze dias porque teve uma convulsão. Na época, os médicos explicaram que foi por conta das sequelas da Covid-19. “A minha rotina mudou completamente e minha saúde ficou muito fragilizada. Eu não faço os serviços domésticos em casa, evito andar por aí porque realmente não aguento, as dores são grandes, perdi 80% da saúde que tinha. Tem noite que choro de dor e só consigo dormir com a medicação mais forte, a sensação é horrível. De dois em dois meses vou ao médico e estou me tratando, mas sei que é paliativo”, diz.

No começo de junho deste ano, uma análise publicada no Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry revisou evidências de 215 estudos da Covid-19 para confirmar que as sequelas neurológicas são regra e não exceção em pacientes curados.

“O cérebro acaba sendo um alvo fácil durante o processo de doença por diversos acontecimentos em simultâneo no corpo”, explica Gabriel Batistella, médico neurologista membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

O especialista afirma ainda que os sintomas estão ligados ao ataque ao cérebro pela Covid-19, incluindo a falta de oxigênio para o corpo, danos nos vasos, a alta carga inflamatória que sobrecarrega o sistema imune e a própria invasão cerebral pelo próprio vírus.

Mesmo com o progresso da vacinação em grande parte dos países, até agora, o vírus já infectou mais de 208 milhões de indivíduos e matou 4,3 milhões de pessoas.

OMS vai investigar Covid longa

“Há mais de um ano sofremos as consequências da pandemia de Covid-19 e, com o tempo, fomos percebendo que, para além de problemas relacionados à transmissão, infecção e mortes, a Covid-19 pode trazer também consequências de longo prazo para pacientes. Como essas implicações ainda não estão completamente entendidas pelos cientistas, é muito importante estimular a troca de conhecimento e de experiências entre pesquisadores de todo o mundo”, afirmou o diretor científico da Fapesp, Luiz Eugênio Mello, no evento “Long and post-acute Covid-19”, realizado no início de junho deste ano.

A busca pelo tema da Covid longa gerou 1,5 milhão de menções nas redes sociais nos primeiros meses do ano, disse a

Organização Mundial da Saúde (OMS), que para padronizar definições e tratamentos, criou em fevereiro uma comissão de especialistas de diversas áreas e países para estudar o assunto.

Já no último dia 12 de agosto, a OMS anunciou o lançamento de um projeto internacional para colher dados de pacientes com Covid longa, com o objetivo de traçar um quadro mais preciso das consequências da doença.

O projeto será realizado com o Consórcio Internacional para Infecções Respiratórias Agudas e Graves (ISARIC) e terá duas fases concluídas em 2022. “É urgente otimizar e padronizar a coleta de dados clínicos”, disse a OMS em uma nota sobre o assunto.

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