Notícia

Jornal da USP

Ensino e pesquisa para um país melhor

Publicado em 02 março 2009

“São Carlos foi hoje cenário de acontecimento de profundo significado na vida cultural e científica do país: a aula inaugural da Escola de Engenharia de São Carlos, que foi proferida pelo Governador do Estado, Prof. Dr. Lucas Nogueira Garcez, com a presença do reitor Prof. Ernesto Leme, membros do Conselho Universitário, professores e diretores, da Reitoria da Universidade de São Paulo”. 

O parágrafo acima abriu a matéria de destaque do Jornal “A Cidade”, em 18 de abril de 1953. Neste dia, tiveram início as atividades da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, criada em 1948, por meio de um projeto de lei do Deputado Estadual Miguel Petrilli.

O primeiro vestibular contou com 200 inscritos e, desse total, 39 foram classificados para a primeira turma, que oferecia as Habilitações em Engenharia Civil e Engenharia Mecânica. 

A Escola estava instalada em prédio da Sociedade "Casa d'Itália" (hoje ocupado pelo Centro de Divulgação Científica e Cultural – CDCC) e não demorou muito para que a sede ficasse pequena. Assim, em 1956, a unidade foi transferida para uma área bem maior, doada pela Prefeitura Municipal, onde se constituiu o campus universitário da USP-São Carlos.

No novo espaço, as atividades da Escola de Engenharia se multiplicaram e, como resultado de um transbordamento, o Campus passou a contar com outras unidades de ensino. Isso aconteceu no começo da década de 70, quando quatro departamentos da EESC deram origem a mais duas importantes unidades universitárias: o Instituto de Ciências Matemáticas de São Carlos (ICMSC) e o Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC).

Mais tarde, em 1994, acontece outra subdivisão, sendo o IFQSC desmembrado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e no Instituto de Química de São Carlos (IQSC). Já o ICMSC altera o nome para ICMC (Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação).   “Iniciamos como um Departamento da Escola de Engenharia de São Carlos, com a contribuição seminal de seus pioneiros, os professores Sérgio Mascarenhas e Yvonne Primerano Mascarenhas, que aqui chegaram em 1956 para estabelecer os fundamentos da cultura da pesquisa científica em nossa cidade. Os efeitos foram extensos, não apenas para o desenvolvimento da Física e da Química em São Carlos, mas extravasando para os outros departamentos da EESC e, posteriormente, nas décadas de 70 e 80, para as outras importantes instituições de ensino e pesquisa na cidade, como a Universidade Federal de São Carlos e a Embrapa – Instrumentação Agropecuária”, lembra o diretor do IFSC, Glaucius Oliva.

As quatro unidades do campus se tornaram referência em Ciências Exatas e Tecnológicas e são, atualmente, responsáveis por mais de 4.300 alunos de graduação e 2.300 de pós-graduação; um quadro bem diferente do observado no final da década de 90. Naquela época, o número de estudantes matriculados nos programas de pós-graduação do campus era maior que os alunos da graduação. A razão para a mudança no perfil dessa população é clara: nos últimos 10 anos a oferta de cursos de graduação dobrou. Hoje são 21 opções no vestibular, totalizando 935 vagas anuais.

“Essa mudança mostra o nosso comprometimento na formação de recursos humanos altamente qualificados, para trabalhar no desenvolvimento tecnológico e econômico da nossa nação. A carência de mão-de-obra qualificada no setor tecnológico continua a ser um dos principais entraves que emperram o desenvolvimento econômico do país. Mas, para formar profissionais de alto nível é necessário que nas Escolas se faça Ciência e Tecnologia e que exista interface com as empresas na busca de inovação. Nesse sentido, a Escola de Engenharia de São Carlos pode ser considerada um exemplo desde sua fundação. Durante os anos de existência, ela gerou outras Unidades de Ensino e Pesquisa e contribuiu, significativamente, para a criação de empresas de alta tecnologia com expressão internacional. Hoje ela é o quarto orçamento da Universidade de São Paulo”, explica Maria do Carmo Calijuri, diretora da EESC, unidade que tinha cinco cursos até 2002 e hoje tem 10. A expansão continua: no próximo vestibular trará a nova carreira de Engenharia de Manufatura e Materiais.

O diretor do ICMC, José Alberto Cuminato, também destaca o crescimento da graduação do instituto, que duplicou o número de vagas. “O ICMC cresceu vertiginosamente nos últimos 10 anos e, se por um lado isso nos deixa entusiasmados, por outro nossa responsabilidade é maior, porque junto ao crescimento deve estar a qualidade. Temos também que consolidar. Estamos recebendo a primeira turma de Estatística e, nos próximos anos, temos que fazer deste curso um dos melhores do país”, explica o diretor, enfatizando a importância de seguir o Plano Diretor traçado para a unidade.

Como conseqüência dessas ampliações, o campus universitário ficou limitado fisicamente, tendo início, então, um processo de expansão para uma segunda área. Popularmente chamado de Campus 2 e com mais de 100 hectares, o local foi oficialmente inaugurado em 4 de novembro de 2005, ano em que passou a incorporar as atividades acadêmicas da Universidade na cidade.

Produção científica e Pesquisa

A pós-graduação começou ainda na década de 50, com os denominados Cursos de Doutoramento oferecidos pela Escola de Engenharia. Já os programas dos cursos de pós-graduação tiveram início em 1970, com as áreas de Mecânica, Estruturas, Matemática e Hidráulica e Saneamento. Atualmente no campus, são 16 programas com níveis de Mestrado e Doutorado – três deles com nota 7 (máxima) na avaliação da CAPES.

É no campus de São Carlos que estão as unidades com maior produção científica por docente. Enquanto a média da Universidade é de 4,8, o IFSC e o IQSC têm 17 e 13,5, respectivamente.

“No que se refere às atividades de pesquisa, no Instituto de Química de São Carlos há um forte comprometimento no campo da pesquisa básica em áreas da fronteira do conhecimento, que têm sido realizados por grupos consolidados e com alta qualidade internacional. Alguns produtos tecnológicos têm sido gerados entre os quais destacam-se: o desenvolvimento de resinas de poliuretana para próteses ósseas e estéticas; o desenvolvimento de colágeno para uso odontológico; desenvolvimento de eletrodos, módulos e protótipos de células a combustível; o desenvolvimento de substratos para colunas cromatográficas; o desenvolvimento de métodos analíticos para diversos fins que incluem o controle da composição do solo, leitos de rios, bebidas e outros”, explica o diretor Edson Ticianelli. 

Já no IFSC as pesquisas estão voltadas para óptica e fotônica, polímeros, nanotecnologia, biologia molecular estrutural, física teórica, semicondutores, estado sólido, biofísica e ressonância magnética nuclear, etc. Uma forma de se avaliar a importância do trabalho desenvolvido foi a aprovação recente de três Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), um programa do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo objetivo é criar centros de produção científica e tecnológica de ponta para atuarem em rede com instituições em todo o Brasil. O IFSC abriga também dois CEPIDs da FAPESP (Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão).

Outro INCT conquistado no campus está sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, onde as pesquisas básicas e aplicadas estão compreendidas em áreas como álgebra, geometria, topografia, banco de dados, computação gráfica, engenharia de software, sistemas de informação e inteligência computacional.

Na EESC, difícil é exemplificar as pesquisas desenvolvidas. São mais 60 linhas concentradas em nove grandes áreas de atuação: Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção, Engenharia Hidráulica e Saneamento, Engenharia Civil (Estruturas), Engenharia de Transporte, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica e Geotecnia. A Escola é a terceira unidade da USP em capitação de recursos junto às agências de fomento à pesquisa e uma das grandes responsáveis por São Carlos ter 111 PIPEs (um programa da Fapesp que apóia a execução de pesquisa científica e tecnológica em pequenas empresas do Estado de São Paulo). Com esse número, a cidade é a segunda em projetos, estando atrás da capital paulista, que tem 123, e a frente de Campinas, com 63.