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Enquanto MS sofre, Brasil cria tecnologia antidengue

Publicado em 04 fevereiro 2007

Pressionado por resultados para conter a epidemia que já infectou 11 mil pessoas em Campo Grande, o prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) afirmou que a dengue "é, foi e sempre será um problema" para a cidade. Cientistas de diversas instituições de pesquisa no Brasil estão trabalhando para encontrar soluções para desconstruir o fatalismo do prefeito.
No ano passado, pesquisadores apresentaram novas formas de controle do Aedes aegypt, capazes de evitar a proliferação do mosquito. Por enquanto, tecnologias estão em fase embrionárias, mas parecem promissoras.
Uma dessas promessas é um sistema que utiliza que utiliza armadilhas, software e computadores de mão para captura dos insetos e análise das áreas de risco. O Mosquitrap, como é chamada a armadilha, é uma espécie de vaso preto com água no fundo que imita o criadouro do mosquito.
É colocada na armadilha uma substância sintética que libera um odor para atrair e fazer as fêmeas grávidas do Aedes depositarem seus ovos no recipiente.
"O produto aromático foi isolado a partir de uma infusão preparada com a gramínea Panicum maximum", explicou o professor Álvaro Eduardo Eiras, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), responsável pelo desenvolvimento do Mosquitrap.
Ao serem atraídos pelo odor, os insetos entram na armadilha e ficam presos a um cartão adesivo colocado na parede do recipiente. Uma semana depois, é feita a contagem de quantos mosquitos foram capturados por agentes da saúde treinados para reconhecer o Aedes aegypt na sua forma adulta. Uma das vantagens é que não é necessário levar o inseto ao laboratório para ser identificado, como ocorre atualmente com as larvas recolhidas em vasos e pneus cheios de água.
Por trás da tecnologia biológica e informática, há uma idéia bem simples: como se ataca diretamente o mosquito, impede-se que a fêmea deposite os seus ovos. A armadilha pode ser eficaz para controle de epidemias já que a transmissão do vírus da dengue é feita pela fêmea infectada.
Nos testes, a contagem dos insetos capturados é tabulada nos palmtops e em poucas horas é possível para as autoridades conhecerem quais são as principais zonas de risco em uma cidade.
O sistema foi premiado no Tech Museum Awards, principal prêmio de inovação tecnológica dos Estados Unidos.
A cidade de Congonhas (MG) foi a primeira a adotar o sistema em 2005. Segundo Eiras, nenhum caso de dengue foi registrado na cidade deste então. Vitória (ES) será a primeira capital a adotar o sistema.
Larvicida biológico — No Recife é desenvolvida há dois anos uma experiência que mescla o sistema de armadilhas para os mosquitos com um agente biológico. A técnica foi desenvolvida pela Fiocruz.
As armadilhas do Recife são de plástico e dentro levam 2,5 litros de água e uma infusão de gramíneas. Elas precisam ser esvaziadas a cada sete dias, sob risco de a infusão se converter em criadouro de mosquitos. Para evitar que as larvas se proliferem foi adicionado uma bactéria conhecida como Bacillus thuringiensis israelensis. Esse agente biológico produz uma toxina que, ao ser ingerida pela larva, causa danos ao intestino do inseto, provocando sua morte. A adição do Bti, nome comercial do bioinseticida, mata as larvas e, ao mesmo tempo, funciona como estimulante para que as fêmeas depositem ovos nas armadilhas. O larvicida também permite que a armadilha permaneça por mais de um mês no campo.
As armadilha detectaram a presença de ovos e de fêmeas adultas em 88% a 96% dos imóveis nos sete bairros do Recife onde houve a experiência. De acordo com a pesquisadora Lêda Regis, que coordena o experimento da Fiocruz, a detcção de larvas não supera 1% pelo método tradicional que se baseia na pesquisa visual. "Um dos experimentos realizados resultou no recolhimento e queima de mais de 10 milhões de ovos e redução da densidade populacional do mosquito em 60%", conta. (Com informações da Revista Pesquisa Fapesp)