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Enorme radiotelescópio será construído na Paraíba

Publicado em 18 janeiro 2020

Projeto pioneiro que irá construir um imenso radiotelescópio no Brasil fará uma espécie de “tomografia” do Universo para desvendar mistérios como a energia escura e a origem de tudo.

Medindo quase um campo de futebol, o Bingo (sigla de Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations, ou Oscilações Acústicas de Bárions em Observações de Gases Neutros) pretende ser o primeiro radiotelescópio a detectar, por rádio, ondas da interação entre átomos e radiação no início do Universo.

Um dos líderes do projeto é Carlos Alexandre Wuensche de Souza, da Divisão de Astrofísica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Além do cientista e de outros pesquisadores do Inpe, o projeto conta com a participação de empresas de São José dos Campos ligadas ao projeto espacial brasileiro. Elas atuarão na construção do aparelho, que também contará com tecnologias de fora do país.

O Bingo será construído por um consórcio de entidades brasileiras e estrangeiras, com liderança de cientistas de universidades e entidades de pesquisa do Brasil e cooperação de instituições do Reino Unido, China, Suíça e África do Sul, entre outros países.

A maior parte da construção é financiada pela Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo), o que evitou que o projeto fosse afetado pelos cortes do governo federal na área da ciência.

O Bingo começou a ser projetado em 2016 e a construção deve ser iniciada em 2020. A previsão é que o radiotelescópio opere em 2022.

“Vamos fazer uma espécie de tomografia do Universo que vai olhar a distribuição do hidrogênio. Tentaremos entender mais o processo de como a energia escura atua na dinâmica do Universo”, disse Souza ao blog ‘Tilt’, do Portal UOL.

Bingo será instalado na Serra do Urubu, na Paraíba, longe de metrópoles e fontes de poluição eletromagnética.

Cientistas esperam ‘grande avanço’ nas ciências astronômicas com radiotelescópio

O radiotelescópio deverá detectar e analisar rastros de hidrogênio neutro –combinação de um elétron e um próton– no Universo. A meta é entender elementos que ainda intrigam cientistas, como a energia escura, e permitir um grande avanço astronômico nacional e internacional.

“Contamos com a contribuição de nossos parceiros internacionais, especialmente as dos pesquisadores do Reino Unido, mas a maior parte da tecnologia para a construção está sendo desenvolvida aqui no Brasil”, disse Carlos Alexandre Wuensche de Souza, do Inpe.

A construção da estrutura, dos receptores e das antenas parabólicas é de responsabilidade da equipe brasileira, com participação de empresas de São José dos Campos.

Inauguração recente de uma base brasileira de pesquisas científicas na Antártica e agora isso. Parece que agora a ciência do Brasil está caminhando na direção correta. Espero que sim, pois enquanto isso até aluno do ensino médio nos Estados Unidos está encontrado exoplanetas.

Já passou da hora de acompanharmos o mundo no campo científico, não com nossos cientistas indo para fora, mas sim ficando aqui e mostrando que também há talentos e recursos neste país.