Notícia

Jornal de Brasília

Engenheiro cria técnica para reduzir evaporação

Publicado em 25 setembro 2005

Será possível diminuir a evaporação da água? O engenheiro engenheiro químico Marcos Gugiotti, 35 anos, aposta que sim. Ele está testando um pó químico composto de calcário e surfactantes (usados na fabricação de cosméticos e remédios) nos espelhos d'água do Congresso Nacional e do Superior Tribunal de Justiça. Ao ser jogado na água, o produto se transforma numa película ultrafina que minimiza em cerca de 30% a evaporação do líquido.
Os testes começaram na semana passada. Primeiro, Marcos observou a evaporação natural da água nos dois lugares. Ele verificou que por dia são evaporados, em média, seis milímetros de água do espelho d'água que fica na Anexo 1 do Congresso Nacional. O local contém quatro milhões de litros de água. Do montante, são evaporados 78 mil litros/dia.
Utilizando o pó químico, Marcos conseguiu identificar uma diminuição de 25 mil litros (30%) na evaporação. Por meio de um instrumento chamado de micrômetro de gancho — invenção sua —, ele mediu o nível da água durante cinco dias. O líquido tinha evaporado apenas quatro milímetros.
Marcos começou a pesquisa em 2000. Ele estudava, na tese de doutorado, as propriedades mecânicas das monomoléculas (surfactantes) e percebeu alguns fenômenos. Decidiu, a partir daí, trabalhar num mecanismo para reduzir a evaporação de películas ultrafinas. A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp).
"O pó pode ser utilizado em grandes áreas, como represas e lagos, e isso seria uma forma de preservar o bem por mais tempo", explica. A idéia é vender o produto para regiões onde a evaporação é muito alta, como o sertão nordestino.
Concentrado, o produto rende mais que sabão em pó. Um quilo do material pode ser aplicado em 10 mil metros de superfície, devendo ser reaplicado de dois em dois dias. A olho nu, não é possível ver a película formada na água. Segundo Marcos, não existe contra-indicação: o pó é biodegradável, pode ser ingerido por peixes, e inclusive, humanos. "Pode ser usado na caixa d''agua", diz.