Notícia

Pequenas Empresas & Grandes Negócios online

Engenheira empreendedora cria app para melhorar a qualidade de vida de pacientes com epilepsia (1 notícias)

Publicado em 15 de julho de 2025

Ele ajuda profissionais de saúde e quem tem a doença crônica a guiar melhor o tratamento

A Epistemic, fundada em 2015 por Paula Gomez, 52 anos, em São Paulo (SP), nasceu para atender a um propósito: transformar a jornada de saúde de pacientes com epilepsia com soluções inovadoras. Gomez, que é engenheira, sempre foi inquieta e estava à procura de algo com que pudesse empreender . Sua mãe, a física Hilda Cerdeira, foi procurada por neurologistas que sugeriram um estudo ligado a uma área de seu interesse. A cientista fez o link com a filha e ela decidiu que esse era um bom tema para o novo empreendimento.

Assim surgiu a ideia da startup , que começou com um app, acessado pelo celular, e que funciona como um diário de epilepsia. “Quando o paciente preenche as informações corretamente, é possível coletar dados muito importantes para o tratamento. É possível identificar, por exemplo, se há gatilhos que provocam crises e que muitas vezes, a pessoa não havia percebido”, conta a empreendedora

A fundadora conta que o app ainda serve para medir a adesão ao tratamento – o paciente deve registrar todos os medicamentos que precisa tomar e em quais horários. Ele é avisado da hora de ingeri-los e todos esses dados ficam gravados.

“Dessa forma, médicos e mesmo o usuário conseguem visualizar se os remédios estão sendo utilizadas como deveriam. Sabemos que 50% dos pacientes não aderem ao tratamento com medicamentos ou porque se esquecem ou por causa dos efeitos colaterais. Quando vão à consulta, a informação sobre o uso deles é imprecisa. O registro no aplicativo facilita o entendimento”, afirma Gomez.

Os resultados gravados no aplicativo podem ser acompanhados pelos profissionais de saúde – médicos, nutricionistas, psicólogos etc. –, via plataforma web, possibilitando que eles façam análises e correlacionem fatos. Por exemplo, se houve mais episódios de crises quando o paciente dormiu menos horas do que o normal ou menos episódios quando praticou atividade física regularmente. As informações são organizadas por meio de gráficos e, segundo Gomez, com várias possibilidades de visualização.

O app funciona desde 2021 e já evoluiu bastante desde que foi lançado. Mudanças na estruturação do código levaram a um software mais robusto, que aceita alterações com maior agilidade e com uma usabilidade bem melhor para o paciente. Hoje, é possível monitorar e prever crises epiléticas com mais eficiência.

“Estamos iniciando um teste clínico do aplicativo, em parceria com a Associação Brasileira de Epilepsia, com 120 participantes de diferentes regiões do país para coletar dados que serão utilizados para ‘treinar' a inteligência artificial em relação aos gatilhos”, diz a CEO da Epistemic. O produto continua evoluindo para beneficiar mais pessoas.

Novo produto

Chegar a mais gente que precisa é necessário. De acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), cerca de 65 milhões de pessoas no mundo têm a doença. Em muitos casos, ela atrapalha bastante o dia a dia delas, comprometendo a vida pessoal e profissional. A dificuldade do diagnóstico e a adesão ao tratamento são grandes complicadores.

Para ampliar o enfrentamento à enfermidade, a Epistemic desenvolveu o Aurora, um aparelho de encefalograma vestível de alta fidelidade, sem fios, que não usa gel condutor e não precisa de gente especializada para colocação: “A ideia é levar para regiões onde não há atendimento de especialistas. O paciente mesmo pode fazer o exame em casa. Segundo Gomez, o equipamento simplifica o processo, reduz tempo de espera e o custo, sem comprometer a qualidade.

O Aurora está em fase de certificação (pela Anvisa), e deve ir para o mercado no próximo ano. Com o lançamento, a Epistemic espera turbinar o negócio . Embora não divulgue faturamento, Paula Gomez indica que será possível, no mínimo, triplicar a receita da empresa.

A CEO conta que, por ora, não buscam investimentos, mas a partir do momento em que foram listados entre as 100 Startups to Watch, muitos investidores se interessaram pelo negócio . “Passamos a ser mais procurados. Dizem que nos encontraram na lista da premiação”, diz. Para ela, é importante manter o diálogo aberto para quando chegar a hora certa, que pode acontecer no próximo ano.

A Epistemic funciona por meio de assinaturas e opera como freemium (parte das funcionalidades é aberta e parte é paga). Custa R$ 49 mensais ou R$ 149 ao ano. A healthtech vem atuando graças a fomentos e premiações em dinheiro que recebeu ao longo desses anos – pouco mais de R$ 3 milhões, de acordo com Paula Gomez.

Como o projeto é bastante inovador, ela conta, instituições como FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, fundação pública brasileira vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações) e Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) demonstraram interesse de participar do desenvolvimento do projeto.