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Dourados Agora

Engenharia se ressente de ensino médio deficiente

Publicado em 16 março 2010

As deficiências existentes no ensino médio brasileiro foram apontadas pelo diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, como principal causa da escassez de mão de obra especializada nas várias áreas da engenharia nacional. Ele foi um dos participantes do debate sobre desafios, necessidades e perspectivas da formação e capacitação de engenheiros, realizado ontem pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).

Há restrições importantes no sistema de formação de recursos humanos no Brasil e, quando se fala de formar pessoas no nível superior, talvez a principal restrição não seja falta de vagas no ensino superior, mas falta de qualidade e quantidade de jovens cursando o ensino médio - disse Brito Cruz.

Como estratégia para o aumento urgente da formação de engenheiros no país, o diretor da Fapesp defendeu a implementação de cursos de especialização curtos, nos moldes dos existentes nos Estados Unidos.

O professor criticou ainda a política educacional desenvolvida pelo governo federal. Segundo ele, são privilegiados os órgãos de educação federais, em detrimento de importantes instituições municipais e estaduais.

Edinaldo Afonso Marques de Melo, professor da Universidade Federal de Alagoas, reclamou uma participação mais ativa do setor produtivo na formação de engenheiros.

Na opinião do professor, as empresas do setor deveriam, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, buscar seus empregados ainda na faculdade, realizando seleções e oferecendo estágios aos estudantes de engenharia.

Edinaldo alertou os parlamentares sobre a necessidade de se elevar o piso salarial dos engenheiros no país para se evitar a evasão na profissão. Ele considerou de relativa importância para o bom desempenho na área a titulação acadêmica de mestrado ou doutorado.

Fonte: Jornal do Senado