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Correio Popular

Engenharia de Produção forma profissionais polivalentes

Publicado em 29 janeiro 2006

Por Sheila Vieira, Correio Popular (sheila@rac.com.br)
Mercado exige formação cada vez mais generalista para atuar dentro das novas estruturas das empresas

A engenharia está presente em todos os meios de produção e sem ela não há desenvolvimento. Uma das novidades do mercado é o Engenheiro de Produção, profissional generalista, capaz de atender às necessidades atuais do mercado de trabalho e as carências regionais de mão-de-obra nas empresas. Para Claudio Kiyoshi Umezu, doutor em Engenharia Agrícola pela Unicamp, o engenheiro generalista é um profissional geralmente bem aceito pelo mercado. Sua versatilidade está ligada à uma formação bastante ampla, que o permite atuar em diferentes segmentos. Para Umezu, que também é coordenador de Projetos de Pesquisa da FAPESP e do curso de graduação em Engenharia de Computação da Unicamp, a construção de uma carreira depende de qualificação, e para isso é imprescindível o aperfeiçoamento em áreas de interesse e com perspectivas de crescimento.
Os engenheiros começam a atuar no campo da consultoria, pois de acordo com o coordenador, as empresas estão adotando um quadro funcional bastante enxuto, constituído, em sua maioria, por profissionais com pouca experiência de mercado. "Para suprir suas necessidades específicas, as empresas têm adotado uma estratégia de contratação de profissionais especializados na forma de consultoria", afirma Umezu. Geralmente são engenheiros especializados em uma determinada área do conhecimento e com grande experiência no mercado.
Para o professor Antonio Batocchio, do Departamento de Engenharia de Fabricação, da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, as empresas denominadas "classe mundial" (world class) estão entre as principais usuárias dos profissionais generalistas, em razão da maturidade e de se expressarem em termos de processos: modelagem de processos, visão de processos, gestão de processos, dono do processo, líder do processo.
Se as grandes empresas utilizam os engenheiros generalistas por serem adeptas da cultura de "processos", as pequenas e médias o contratam por conta das próprias características e limitações, que as leva a necessitar desse tipo de engenheiro, aquela que faz tudo: atende o fornecedor, gerencia a produção e cuida da manutenção, por exemplo.
Futuro
Batocchio, formado a 27 anos na área de Engenharia na qual é doutor, vivenciou uma época de calculadoras e dos enormes computadores mainframes, onde era muitas vezes necessário o desenvolvimento de programas computacionais em linguagem Fortran para a execução de cálculos e resolução de problemas. Hoje o profissional tem à mão softwares, redes (internet, intranet) que permitem pesquisas e solução de problemas muito mais rápido e em tempo real. Segundo o coordenador da Unicamp, hoje os computadores foram incorporados em todas as áreas de uma organização: administrativa, engenharia e industrial. No meio de produção surgiram os robôs, máquinas a comando numérico (CNC), controladores lógicos programáveis (CLPs), gerenciamento e controle de processos. "Para o ensino de engenharia as escolas tiveram que se adaptar a esta nova realidade, alterando seus currículos e ensinando novos tópicos que não eram tratados na década de 70", lembra Batocchio. Para ele, as áreas mais requeridas nos últimos anos foram áreas de engenharia de desenvolvimento de produtos, engenharia de planejamento e controle de produção e engenharia de manufatura (desenvolvimento de processos e meios de produção). A mecatrônica, engenharia de controle e automação, também integra o rol das mais procuradas e com espaço interessante, a medida que cresce a automatização nos "chãos" de fábrica.
Para Batocchio, o futuro dos alunos do Curso de Engenharia Generalista está ligado à visão ampla do processo como um todo (desenvolvimento da visão sistêmica). Essa visão sistêmica é fundamental para se entender o funcionamento e as interações existentes dentro de uma organização, que funciona a partir da interação de diferentes partes. Por outro lado, o coordenador da Unicamp acredita que a existência e a necessidade da engenharia generalista não irá afetar a necessidade das engenharias especialistas.
Plena
Uma das faculdades que investiu no lançamento do curso de Engenharia de Produção é a Policamp. De acordo com Nelson Carvalho Maestrelli, coordenador do Curso de Engenharia de Produção Plena da Policamp, o objetivo é formar um profissional capaz de desenvolver atividades de projeto, operação e gestão de sistemas de trabalho, que são as estruturas destinadas a obter produtos de natureza física concreta ou serviços, bem como formar um profissional capaz de analisar e estudar a organização de homens e máquinas. Ao final do curso o formando será capaz de executar trabalhos de planejamento, organização, acompanhamento e controle de processos produtivos, e ainda análises econômicas referentes às decisões a serem tomadas, interagindo com o ambiente de trabalho e consciente da influência de suas atividades em relação à capacidade de produzir mudanças na sociedade.
Consultoria
Formado há três anos, Diego de Carvalho Moretti, trabalha na Nortegubisian Consultoria Empresarial e Treinamento, empresa de consultoria. Optou pela engenharia por ser um curso que oferece uma extensa gama extensa de possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Moretti conta que é comum encontrar engenheiros atuando em diversas áreas e as mais diferentes possíveis. "Há engenheiros trabalhando em indústrias, instituições financeiras, consultorias e empresas prestadoras de serviços. Há também engenheiros empreendedores, e os que se especializam em grandes projetos de construção civil e mecânica", cita o engenheiro.
Atualmente, Moretti optou por trabalhar com o seu próprio negócio, como consultor de empresas na Nortegubisian Consultoria Empresarial e Treinamento, atuando principalmente nas áreas de qualidade e produtividade. "Para atuar nesta área é fundamental se manter constantemente atualizado, por isso conclui meu mestrado recentemente e já ingressei em um programa de doutorado na Unicamp", conta o engenheiro, que além de consultor também é professor universitário nas áreas de logística e otimização de processos.
Indagado a respeito da importância da engenharia para os meios de produção, Moretti respondeu que se trata de uma área de conhecimento em que se desenvolvem novos produtos, projetam-se sistemas produtivos, avaliam-se processos e planeja-se a qualidade de produtos e serviços. Além disso, é responsabilidade dos engenheiros avaliar o desempenho de organizações produtivas, medir os resultados, propor modificações e melhorias, zelar pela preservação do meio ambiente, enfim, contribuir para o avanço tecnológico do país.

Serviço
Engenharia de Produção Plena da Policamp
Processo Seletivo Continuado 2.006 até 30/01/06
Informações - (0800)772-6262