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Enfrentando a resistência da tuberculose

Publicado em 28 agosto 2006

Por Washington Castilhos, do RJ para Agência FAPESP

Enquanto cientistas de todo o mundo pesquisam uma vacina contra a tuberculose, surge nova ameaça no combate à doença.
Trata-se da multi-multirresistência, conceito usado internacionalmente para descrever casos que se tornam resistentes a seis das principais drogas usadas no combate à doença.
A multirresistência (MR) é usada para descrever pacientes resistentes à rifampicina e à izoniazida, drogas importantes no tratamento da tuberculose.
"A resistência pode ser criada por tratamentos inadequados. É o que chamamos de resistência adquirida. O paciente, inicialmente, não é resistente", disse o sanitarista Miguel Aiub Hijjar, diretor do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, na quarta-feira, no 11º Congresso Mundial de Saúde Pública, no RJ.
Hijjar apresentou detalhes do "Inquérito de resistência às drogas utilizadas no tratamento da tuberculose no Brasil", projeto que coordena há um ano e que deve ser concluído em 2007.
"Com o inquérito, buscamos também melhorar a capacidade de diagnóstico, tratamento e de supervisão, por meio do monitoramento dos casos de tuberculose multirresistente", disse.
Segundo o médico, cerca de um terço da população mundial carrega o bacilo da tuberculose, que é transmitido pelo ar. A situação brasileira não é das piores. Na África do Sul, por exemplo, a incidência da doença é de 720 para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto no Brasil a taxa é de 45 para cada 100 mil.
A alta incidência em alguns estados brasileiros é o que mais preocupa. A cada ano são registrados 370 novos casos no país. O Sudeste concentra o maior número de casos — 63,4%. Desses, 40% estão no RJ.
"O Rio tem também a pior taxa de mortalidade. Temos de investigar essa situação. Se a responsável pela multirresistência à tuberculose for a má qualidade dos serviços de saúde, vamos interferir", disse Hijjar.
Desde a descoberta da estreptomicina, na década de 1940, mais de uma dezena de antibióticos e quimioterápicos foram criados para combater a tuberculose. A doença foi a primeira a ser tratada com a combinação de drogas, como ocorre atualmente com a Aids.
"Começamos a utilizar a terapia combinada ainda na década de 1970, quando vimos que uma droga combatia quase todos os bacilos, mas sempre tinha um que se tornava resistente a ela", lembrou Hijjar.