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Diarioweb (São José do Rio Preto)

Energia que vem do alto

Publicado em 16 março 2009

Por Domingo Braile

Em 1869, Julio Verne, com seu romance “Vinte mil Léguas Submarinas”, inaugura a Ficção Científica. Este gênero literário nos mostra que tudo que passa pela mente humana tem uma grande chance de se converter em realidade. Em seu romance, Verne consegue criar um submarino, o Náutilus, completamente autônomo do meio terrestre, movido somente a eletricidade. O engenheiro, dono e capitão de tal feito, é o Capitão Nemo. Visitado pelo naturalista frances Prof. Aromax, explica-lhe como funciona o submarino independente de energias fósseis: “Disponho de uma força poderosa que é senhora absoluta do meu navio. Graças a ela posso resolver todos os problemas. Essa força é a eletricidade. A eletricidade! - exclamou o professor sem esconder o seu espanto”. Hoje ninguém se espantaria com tal explicação, no entanto, para gerar eletricidade somos, em geral, dependentes de fontes poluidoras. O Brasil em sua matriz energética é um país privilegiado, uma vez que boa parte da nossa eletricidade é gerada pela força hidráulica dos rios. Para isso paga-se um alto preço, representado pelas grandes represas, que ocupam vastas áreas de terra, geralmente as mais férteis, modificando profundamente o ecossistema. Outras fontes de energia limpa são os ventos que predominam nas regiões costeiras ao mar. Novamente nosso país é beneficiado por mais de 8.500 km de orla marítima, onde outra força descomunal também poderá ser aproveitada. São as marés, que na região norte do país, atingem alturas de mais de quatro metros! Finalmente atendo-me ao título deste artigo, quero chamar a atenção do amável leitor, para a fonte mais limpa e promissora que existe para a obtenção de energia elétrica. É a Energia que vem do Alto, pela transformação da energia solar, em eletricidade.

Partindo do princípio de que, em uma hora, há mais energia solar incidindo sobre a Terra do que toda a energia consumida pelas diferentes formas de vida do planeta em um ano! O homem precisa, mais do que nunca, encontrar melhores maneiras de captar, armazenar e usar esse grande potencial energético de forma rentável. Sigam o raciocínio do professor Ian Forbes, do Northumbria Photovoltaics Applications Centre da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, sobre energias renováveis e mudanças climáticas, em recente conferência realizada na sede da Fapesp em São Paulo: “Calcula-se que todos os continentes tenham a capacidade de suprir uma demanda de aproximadamente 18 terawatts de eletricidade, e o Brasil está incluído nessa estimativa, com uma capacidade de 200 a 250 watts por metro quadrado, um potencial extremamente elevado”. Continuou dizendo: “O Brasil tem o dobro dos níveis de insolação da Alemanha, país que abriga o maior mercado no mundo desse tipo de energia por produzir mais de 40% de sua eletricidade a partir de fontes fotovoltaicas. Mas os principais desafios que ainda devem ser vencidos são a redução de custo da energia fotovoltaica e o aumento da eficiência dos materiais, visando à sustentabilidade em longo prazo”. Por enquanto, a energia fotovoltaica usa cristais de silício para converter a radiação solar em eletricidade. Infelizmente a tecnologia é ainda cara. Necessitamos baratear este custo, que vem caindo ainda insuficientemente ao longo dos anos. O Brasil com todo o Sol que tem, deve incentivar a pesquisa neste campo no qual, poderá ser um líder mundial! Temos boas perspectivas. As Fatecs do Estado de São Paulo têm hoje 170 mil alunos dedicados a transformar ciência em tecnologia aplicada.

 

Domingo Braile é professor Livre Docente da Famerp e Unicamp