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Enerbio: Brasil é lider no etanol, mas não tem posição assegurada

Publicado em 14 setembro 2007

A competência brasileira na produção do etanol também estará em debate durante a 2 Enerbio que acontecerá em Brasília/DF, entre os dias 9 e 11 de outubro, no Hotel Blue Tree, integrando em seis eventos simultâneos a discussão de toda a cadeia produtiva no que se refere à agroenergia e aos biocombustíveis. O coordenador adjunto da área de inovação tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), João Furtado, participará dos debates e destaca que o álcool combustível se consolidou, no Brasil, por causa do investimento em pesquisa.

Nos últimos quatro séculos, foram feitos trabalhos com a cana-de-açúcar. Esta trajetória fez com que pudéssemos avançar na produção do combustível, comenta ao destacar que é fundamental ao Brasil continuar investindo em pesquisa. Furtado alerta para o fato de países como os Estados Unidos e o Japão mobilizarem as suas melhores competências e grandes volumes de recursos financeiros para conseguir avançar rapidamente no desenvolvimento de tecnologias na área de biocombustíveis. O objetivo desses países é desenvolver pesquisas e recuperar o atraso nesse campo, diz o pesquisador. Para o Brasil esta realidade gera preocupação, segundo o coordenador da Fapesp, pois apesar da liderança no aspecto do conhecimento, o País não tem essa posição assegurada em longo prazo.

Manter posição - Na visão de João Furtado, a 2 Enerbio será importante para chamar a atenção das autoridades, empresários e representantes da academia no sentido de avaliarem os esforços para a manutenção da posição brasileira de líder mundial no campo dos biocombustíveis. Não precisamos mobilizar os mesmos recursos que os americanos, mas é importante acompanhar o que acontece para podermos assimilar e aplicar as novas práticas aqui, afirmou. Furtado assinala que o investimento constante em pesquisa é primordial, uma vez que a energia e combustível originários de fontes não-renováveis são esgotáveis e, em breve, a produção do planeta não terá capacidade de atender a demanda.

Outro tema a ser abordado na 2 Enerbio e levantado pelo professor Furtado refere-se ao protecionismo agrícola da Europa. "Atualmente, os países europeus não se protegem da importação do petróleo, mas procuram se proteger da importação de álcool, sob o argumento de que se trata de um produto agrícola.

Isso é uma grande contradição", reclama o pesquisador da Fapesp. Na opinião de Furtado, este tipo de medida pode retardar o processo de desenvolvimento dos biocombustíveis, mas não impedirá a consolidação do uso de produtos renováveis no planeta.

O presidente da Enerbio, Ronaldo Knack ressalta que os problemas causados pelo aquecimento global estão cada vez mais presentes no cotidiano e os consumidores já optam por marcas comprometidas com a sustentabilidade e a preservação do meio-ambiente. Ele também explica que durante as conferências, fóruns e seminários da 2 Enerbio, o tema será amplamente debatido por empresários, professores e autoridades nacionais e internacionais. "Este será um encontro de parceiros, que poderão oferecer capital para investimento, infra-estrutura, tecnologia e idéias para o desenvolvimento da economia mundial nos setores relacionados aos combustíveis e à agroenergia", sintetiza Knack. A Enerbio engloba a realização da 2 Conferência Internacional de Energia, a 2 Conferência Internacional dos Biocombustíveis, a Feira Internacional de Agroenergia, biocombustíveis e energias renováveis e uma série de seminários, fóruns e encontros complementares, todos com o debate centralizado na inovação para a cadeia produtiva do setor de energias renováveis. As discussões do evento focam tanto no contexto das pequenas como das grandes empresas e nas diferentes formas de organização para o desenvolvimento desse setor. A segunda edição da Enerbio se realizará durante os dias 9 e 11 de outubro no Hotel Blue Tree em Brasília. As informações partem da assessoria de comunicação da Enerbio.