Notícia

Jornal da Unicamp

Encontro regional discute o lugar da história

Publicado em 30 agosto 2004

Por MANUEL ALVES FILHO
A Unicamp sediará entre os dias 6 e 10 de setembro o XVII Encontro Regional de História, cujo tema central é "O Lugar da História". O evento, promovido pelo núcleo paulista da Associação Nacional de História (ANPUH-SP), contará com uma série de atividades, como palestras, seminários temáticos, cursos e uma feira de livros. Estão sendo esperados cerca de 1.500 participantes, entre pesquisadores, professores das redes públicas, estudantes e público em geral. De acordo com o professor Leandro Karnal, chefe do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (BFCH) da Unicamp e um dos organizadores do Encontro ao lado do também professor ítalo Tronca, vice-presidente da ANPUH-SP, temas importantes serão debatidos ao longo dos cinco dias de trabalho. "Teremos a oportunidade de refletir, por exemplo, sobre os rumos da pesquisa, da ação dos historiadores e das linhas de reconstrução do passado no mundo pós Guerra Fria", exemplificou. A escolha do tema do encontro, conforme Karnal, tem relação com o intenso debate travado nas últimas décadas acerca do que é ser historiador, do que é um documento histórico e de quais temas um historiador poderia ou não eleger como válidos. "Diferentemente de um medico ou um engenheiro, que raramente se perguntam para que servem, os historiadores fazem esse questionamento de forma sistemática. De tempos em tempos, temos que responder, para nós mesmos e para a sociedade, sobre qual é o nosso papel e os motivos de um determinado recorte histórico", explica. "Somos inquietos em relação à nossa função. Não nos permitimos a menor tranqüilidade", acrescenta. Entre os historiadores, lembra o docente do IFCH, existem pensamentos diferentes sobre o lugar da História. Há segmentos que consideram que determinados fatos passados não voltam. Outros, porém, entendem que eles não desaparecem, apenas se transformam. Ou seja, o que foi a Inquisição assumiria a forma atual das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e a bruxaria poderia ser associada, hoje, à obra do escritor Paulo Coelho. Para o professor Tronca, o Encontro também servirá para a reflexão sobre a perda da qualidade do estudo da História no país. Atualmente, segundo ele, existem poucos pesquisadores produzindo uma historiografia interessante no Brasil. O problema decorre, em parte, a seu ver, das conseqüências produzidas pela ditadura militar. "Durante os anos de exceção, alguns autores, como Ivan Ângelo, Ignácio de Loyola Brandão e Renato Pompeu, elaboravam um pensamento critico sobre o que estava acontecendo nos anos de chumbo, para usar um clichê. A academia, que deveria ser um núcleo crítico da situação, não conseguiu acompanhar a literatura de ficção e ainda permanece sem esse vigor", exemplifica. Conforme o professor Karnal, as inscrições para o XVII Encontro Regional de História estão encerradas, mas os interessados poderão participar dasatividades programadas para os cinco dias de evento, como cursos, mesas-redondas, seminários temáticos, palestras e a feira de livros. Nas palestras, destaca o docente do IFCH, serão abordados temas importantes como a produção de uma historiografia em momentos de crise, ministrada pelo professor Jorge Grespan, ou acerca do lugar da humilhação na análise da História, tema da conferência do professor ítalo Tronca. O XVII Encontro Regional de História é promovido pela ANPUH-SP, com o apoio da Fapesp. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Sanasa Campinas e Unicamp. Outras informações e a programação completa do evento podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-3047 ou pelo e-mail anpuhsp@usp.br.