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Jornal da USP online

Encontro de novos docentes discute as oportunidades da carreira acadêmica

Publicado em 10 julho 2018

No dia 6 de julho, os docentes contratados nos últimos dez anos participaram de um encontro de integração com os dirigentes da Universidade, no auditório do Centro de Difusão Internacional, na Cidade Universitária.

“Nos últimos anos, a Universidade aumentou o número de professores que não se formaram pela USP, inclusive de estrangeiros, o que tem tornado seu quadro docente mais diversificado, enriquecendo nossos trabalhos. Com isso, é interessante mostrar aos novos docentes quais são os nossos pontos de vista, nossos principais objetivos, discutir nossas atividades, apresentar as metas da gestão e as pessoas que a representam”, disse o reitor Vahan Agopyan na abertura do evento.

O dirigente explicou que a gestão da USP está embasada em três princípios: “a excelência acadêmica, que é o nosso ponto indiscutível e uma busca contínua da Universidade. Nesse sentido, a insatisfação, a autocrítica, a vontade de sempre fazer melhor do que fazemos hoje é o nosso segredo. O segundo aspecto é a interação com a sociedade que nos sustenta, devemos mostrar que o que fazemos tem um resultado imprescindível para o desenvolvimento do País e não pode ser mensurado. O terceiro aspecto é a valorização dos nossos recursos humanos. Um dos pontos da nossa excelência é que temos docentes com currículos maravilhosos, alunos que nos orgulham e se destacam e excelentes profissionais de apoio”.

Agopyan também lembrou que, embora desde a sua fundação, em 1934, a USP se defina como uma universidade de pesquisa cujo grande diferencial é desenvolver as atividades de ensino, cultura e extensão em um ambiente de pesquisa, o novo estatuto reconhece e valoriza as atividades de ensino para a carreira acadêmica.

O vice-reitor Antonio Carlos Hernandes falou um pouco sobre as atribuições da Vice-Reitoria que inclui a administração da Universidade e o processo de avaliação institucional. “Em termos populacionais, a USP seria o equivalente a uma cidade de 120 mil pessoas. É um desafio grande. Temos que cuidar desde a zeladoria até a gestão financeira e de recursos humanos. Neste momento, nossos esforços estão concentrados em melhorar os nossos processos, tornando-os mais eficientes, e a busca por fontes de recursos adicionais para compor o orçamento da Universidade”, afirmou Hernandes.

Na sequência, a programação incluiu a apresentação das Pró-Reitorias, da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional (Aucani), da Agência USP de Inovação (Auspin) e da Comissão Especial de Regimes de Trabalho (Cert).

Durante o encontro, a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Denise Morais da Fonseca, assinou o contrato e se tornou a mais nova docente da USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens Carreira acadêmica

Após o intervalo para almoço, a professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), Tania Casado, apresentou uma palestra sobre as possibilidades e os desafios oferecidos pela carreira acadêmica e as diversas atividades que podem ser desenvolvidas na Universidade por aqueles que escolheram esse caminho.

Para encerrar o evento, o professor emérito da USP e atual presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, foi chamado ao palco para prestar um depoimento sobre sua carreira na Universidade.

“Eu desenvolvi toda a minha carreira na USP e estou satisfeito por isso. Sou de meados do século passado, tive colegas como Antonio Candido e Antônio Delfim Netto e o que eu aprendi ao longo desses 60 anos é que a USP é uma das boas universidades do mundo. Ponto final. Qualquer que seja a maneira de avaliar a qualidade das mais de 10 mil instituições que existem no mundo, a USP está sempre entre o 1% ou 2% melhores”, declarou o professor.

Aos 90 anos, Goldemberg ressaltou que a Universidade ganhou muito com a autonomia financeira conquistada durante a sua gestão como reitor, no final da década de 1980, e que se transformou ao longo dos anos, tornando-se mais interdisciplinar e internacional. “O que a USP oferece são as condições para que os pesquisadores possam desempenhar o seu papel adequadamente. Nenhuma faculdade particular tem as condições laboratoriais, as condições de pesquisa ou as oportunidades de cooperação internacional que temos aqui. E conhecer o mundo é muito importante, não só para observarmos onde está a fronteira da ciência, mas também para vermos onde nós estamos nessa fronteira. Porque a fronteira da ciência não está toda lá fora, parte dela está aqui. Qualquer cientista de qualquer área precisa saber disso e identificar localmente as áreas de pesquisa que não estão sendo desenvolvidas lá fora. As pessoas precisam aproveitar essas magníficas oportunidades que a USP oferece e fazer bom uso delas”, explicou.

Goldemberg também enfatizou o papel da Universidade e o que ela retribui para a sociedade em troca do investimento nela depositado: “Podemos dar respostas mais sofisticadas, mas há um argumento irrefutável: 300 mil pessoas passaram pelos bancos da USP e se tornaram o sustentáculo da atividade econômica, política e social não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil. Pessoas que foram nossos alunos e hoje são grandes líderes, presidentes de importantes organizações”.

“Nós conseguimos criar aqui uma instituição permanente – o que não é comum no Brasil – e que melhorou consideravelmente em relação ao passado. Ainda temos problemas, mas os docentes que entram na USP continuam tendo excelentes perspectivas pela frente”, concluiu o ex-reitor.