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Jornal do Commercio (RJ) online

Encontrado pau-brasil nativo

Publicado em 07 julho 2005

Flora em Extinção
Mais de cem árvores foram localizadas por pesquisadores da USP num remanescente de Mata Atlântica, na Paraíba

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram na Paraíba a maior população de pau-brasil ao norte do País. A expedição, realizada em março, revelou mais de 100 árvores ainda intocadas num remanescente de Mata Atlântica com 200 hectares em Mamanguape, 60 quilômetros ao norte de João Pessoa.

O coordenador do estudo, Yuri Tavares Rocha, percorreu os Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. "Em Sergipe a espécie já desapareceu", constatou o engenheiro agrônomo, professor de biogeografia do Departamento de Geografia da USP.

Yuri defende a proteção da Mata Sucupira, onde o pau-brasil em estado selvagem foi encontrado. "É preciso transformar a área urgentemente numa reserva", disse o pesquisador, dedicado ao estudo da espécie há seis anos, em entrevista por telefone ao JC.

O pau-brasil, denominado cientificamente de Caesalpinia echinata, era encontrado originalmente do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte. Atualmente, apenas um Estado, além da Paraíba, possui populações preservadas da espécie: Rio de Janeiro, especialmente em Cabo Frio e Búzios. Além de Sergipe, o pau-brasil também desapareceu do Espírito Santo, informa Yuri. Nos outros Estados, a árvore está representada por pequenas populações.

No Nordeste, a equipe de Yuri encontrou a espécie ainda no sul da Bahia e no sul de Alagoas, além do norte da Paraíba. O pesquisador defende a continuidade de pesquisas para a identificação de outras populações de pau-brasil. "É preciso saber onde se encontra a árvore para podermos conservá-la."

Extinção — A espécie, na lista das plantas brasileiras ameaçadas de extinção, já teve 527.182 exemplares abatidos, segundo levantamento do pesquisador publicado na última edição da Revista Pesquisa, da Fapesp.

A exploração mais intensa, segundo a revista, ocorreu no século 18, quando foram cortadas 322.260 árvores. Yuri chegou a esses números após consultar quase mil livros e documentos no Brasil e em Portugal.

Portugueses, franceses, holandeses, espanhóis, ingleses e, mas recentemente, brasileiros realizaram a exploração da espécie ao longo dos últimos cinco séculos.