Notícia

Diário do Povo

EMPURRÃO TECNOLÓGICO

Publicado em 30 maio 2000

Por LUCIANA REZENDE
Só quem está começando um negócio sabe a importância de se reduzir os gastos, tendo toda a infra-estrutura de uma empresa completa (telefone, secretária, computador, fax e xérox) e com o apoio de outras empresas na mesma situação e de treinamentos específicos. É por isso que muitos "microempresários iniciantes" da área de alta tecnologia estão utilizando os serviços do Nade (Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento de Empresas), mais conhecido como Incubadora de Empresas, criada pela Ciatec (Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia). O Nade é a única incubadora da cidade que abriga especificamente empresas de base tecnológica. O microempresário paga R$ 4,00 pelo metro quadrado da área utilizada, além de algumas taxas. A média é de 50 metros quadrados por empresa, o que daria um aluguel médio de R$ 200.0 Nade está localizado em um prédio na rua Lauro Vanucci (próximo da Boate Cabral), no Jardim Santa Cândida. O prédio foi dividido em vários módulos para acolher as empresas "incubadas". Atualmente, a incubadora da Ciatec está lotada, com 20 empresas em funcionando. Três já estão graduadas e seguiram seu próprio caminho, nestes quatro anos de existência do Nade. De acordo com Décio Sirbone Júnior, gerente administrativo do Nade, as empresas recebem na incubadora toda a estrutura para uma empresai funcionar durante quatro anos secretária, telefone, Internet, xérox e fax, além de treinamentos e consultorias específicas, ministradas através de convênio com o Sebrac (Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa) e apoio para a participação em feiras e outros eventos. As incubadoras também têm o apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que através do Programa de Inovação Tecnológica (PIPE), seleciona projetos e destina uma verba de Fundo Perdido, o que auxilia o investimento inicial de muitas empresas. A filosofia da incubadora de empresas é a divisão das despesas para manutenção do local e dos serviços. Sirbone afirma que o período máximo de quatro anos de permanência, segundo estudos realizados, é razoável para uma empresa colocar um projeto em operação e entrar no mercado. Só no Estado, existem 39 incubadoras. Em Campinas, o Sebrae só tem cadastrada a Ciatec atualmente. Para entrar em uma incubadora, o empresário precisa elaborar um plano de negócio e, depois do projeto aprovado, passar por uma entrevista. A Ciatec divulga suas vagas em Centros de Pesquisa, no Diário Oficial e em jornais da cidade. Passada a seleção o empresário pode se estabelecer em uma das salas do prédio, com o compromisso de entregar um relatório mensal aos responsáveis pelo núcleo. PIONEIROS APROVAM SISTEMA DE APOIO Para quem utilizou o sistema de "Incubadora de Empresa" para começar, a aprovação é total. Sérgio Celaschi, um dos sócios da Ecco empresa de manufatura/indústria, comércio e representação, instalou-se na incubadora em 1997. Nesta época, os benefícios eram ainda maiores que hoje. "Nós tínhamos muitos subsídios, inclusive o aluguel da sala saía mais barato. Hoje, os custos aumentaram, mas em compensação, existem mais facilidades através da parceria com o Sebrae, como os cursos (inglês e contabilidade, por exemplo) e as viagens internacionais para treinamento e apresentação de nossos produtos em feiras", analisa. Para ele, outro ponto positivo para a incubadora, fica por conta de estar no mesmo espaço físico que outras empresas, que acabam tornando-se parceiras. A Ecco atende hoje cerca de 10 clientes e trabalha com uma equipe de cinco pessoas. No início, trabalhavam apenas os dois sócios e não em período integral. A Ecco deverá deixar o local no próximo ano e os sócios já pensam em montar uma "incubadora de segundo nível", com um pool de em- presas que também estejam passando pela mesma situação, isto é, por um momento de transição e que queiram dividir despesas e benefícios. "Mas ainda estamos estudando o que faremos", explica Sérgio Celaschi. PONTOS POSITIVOS Luis Fernando Paes, um dos sócios da Infosoft - empresa que trabalha no desenvolvimento de aplicativos (softwares), explica que a infra-estrutura que o local oferece para uma empresa, além do apoio administrativo e tecnológico e o convívio com as outras empresas na mesma situação, são os principais pontos positivos para que uma empresa se instale na incubadora. "O custo-benefício é muito bom", completa. A Infosoft existe há um ano e está na incubadora há cerca de oito meses. Começou apenas com os dois só- cios e um estagiário. Hoje já conta com três estagiários e já conseguiu aumentar sua carteira de clientes.