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Agência USP de Notícias

Empresas unem habilidades em organização virtual

Publicado em 31 março 2000

Criar uma empresa virtual, unindo habilidades especificas de empresas diferentes para explorar novas oportunidades de negócios e desenvolver produtos diferenciados. Essa é a essência da Organização Virtual de Tecnologia, ou Virtec, um projeto pioneiro no Brasil, organizado peio Núcleo de Manufatura Avançada (Numa), ligado ao Departamento de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC USP). A Virtec é um projeto de integração que era uma rede de empresas que trabalham juntas, formando uma "empresa virtual", que compartilha recursos e competências de cada uma, sem a necessidade de haver um escritório centralizador. "Com a estrutura da virtualidade, basta ele buscar a competência necessária em alguma empresa e através da cooperação rapidamente oferecer a resposta ao mercado ou cliente", afirma Carlos Frederico Bremer, coordenador do grupo de Empresas Virtuais do Numa e professor de Engenharia de Produção da EESC. Para Bremer, a empresa virtual pode se adaptar melhor a eventos inesperados que ocorrem no mercado, especialmente se um concorrente lança algo novo ou o cliente quer algo diferente. Ele também vê benefícios para as pequenas e médias empresas: "uma grande vantagem é o fato de elas parecerem maiores do que na realidade são", diz. "isso passa uma maior credibilidade e maior visibilidade no mercado". As empresas tornam-se parceiras independentes, reguladas por um código de ética combinado entre as partes e presididas por um dos membros da Virtec. Novas oportunidades de negócios são detectadas por um especialista, chamado de broker e então explora-se essa oportunidade agregando as habilidades das diversas empresas que compõem a Virtec. O ciclo de vida "de cada empresa virtual é o tempo de duração da oportunidade de negócio explorada. A Virtec também atua na solução de problemas técnicos, elaboração de estratégias de marketing e estudo de mercado para cada tipo de projeto. A primeira realização conjunta dessas empresas foi um martelo reciclável produzido por duas participantes da Virtec - uma fez o cabo de alumínio e a outra, a cabeça de borracha biodegradável - usado para montagem de vidros e no acabamento de peças de metal. "Quanto aos novos produtos, temos mais um amortecedor para centrífuga e estamos desenvolvendo outros produtos", explica Bremer. O plano inicial é que haja uma Virtec em diferentes países, concluindo uma rede de comunicação e exportação mundial. Atualmente há uma em Monterrey. México, e outra em São Carlos, que existe há um ano e meio. reúne nove empresas da cidade com 350 funcionários e faturamento conjunto de US$ 30 milhões por ano, e que atuam nas áreas de metal mecânica, eletro eletrônica, polímeros e automação. "Estamos agora ajudando na formação de outra organização virtual em Caxias do Sul voltada para empresas de matrizes e ferramentas", declara Bremer. Anteriormente, os alunos de mestrado faziam visitas às empresas, para conhecer e identificar as competências de cada uma, mas foram substituídos por estagiários do curso de Engenharia de Produção. No entanto, o plano da Virtec, segundo o professor Bremer, é contratar profissionais para realizar essa etapa, o que depende apenas de um financiamento. Esse próximo passo pretende aumentar a competitividade da rede, contratando profissionais para fazer o serviço dos estagiários, e assim poder vender a Virtec para mais empresas "Os empresários acreditam que o modelo é bom, porque a Virtec gera muitos negócios", conclui Bremer.