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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Empresas graduadas da Incamp são selecionadas no Pappe-Pipe III

Publicado em 01 novembro 2011

Por Adriana Arruda

Na última semana, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) divulgaram as 32 propostas de empresas selecionadas para o Programa Pappe-Pipe III. Dentre as que tiveram projetos selecionados, duas são graduadas da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp) da Unicamp: Tech Chrom e BCS Tecnologia. Lançado em 10 de maio de 2011, o programa tem um formato diferenciado dos já existentes Pipe e Pappe e objetiva apoiar e financiar empresas que possuam pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos inovadores.

O projeto selecionado da empresa Tech Chrom, intitulado "Viabilização de produção em escala de um fotômetro para determinação do teor de etanol em álcool combustível e gasolina", envolve a área de Química Analítica e é uma inovação na área. Comumente, as determinações dos parâmetros de qualidade dos combustíveis envolvem logística apropriada para a coleta de amostras e emprego de instrumentos de alto custo e mão de obra especializada, realizada somente em laboratório. Além disso, o teste existente demanda tempo e, caso efetuado sem os devidos cuidados, pode gerar erros.

De acordo com Valter Matos, diretor da Tech Chrom, "a tecnologia trabalha na região do infravermelho próximo e foi desenvolvida para detectar a adulteração em combustíveis líquidos pela determinação do teor de água no álcool etílico hidratado carburante (AEHC) e do teor de álcool etílico combustível (AEAC) na gasolina". Além de não gerar resíduo, o fotômetro apresenta resultado direto no visor do aparelho em menos de um minuto. "O teste obtém resultado instantâneo. Dessa maneira, é possível identificar adulterações no produto a tempo de coletar amostras para análise completa em laboratório", explica o diretor.

O Fotômetro Analisador de Combustível traz vantagens aos proprietários de postos de combustíveis e aos consumidores, já que "oferece oportunidade de realizar análise de dois combustíveis em apenas um aparelho de forma rápida, segura e sem geração de resíduo", completa Valter. Através dessa análise, o revendedor evita as autuações e o consumidor os prejuízos da compra de combustível adulterado, que pode acarretar danos ao seu veículo. A tecnologia também evita a comercialização de etanol a preço de gasolina ou a quantidade elevada de água no etanol, lesando o fisco em ambos os casos.

Com a aprovação do fotômetro pelo Pappe-Pipe III e, consequentemente, com o auxílio da Fapesp, essa tecnologia tem a possibilidade de ser produzida em lotes. "Será feito um upgrade na tecnologia de montagem do produto, chegando a um aumento na escala industrial, montado de forma automatizada. A intenção é realizar uma fabricação em grande escala e, assim, abranger o mercado nacional", explica Valter.

Durante o período de incubação, a Tech Chrom teve treinamento de capacitação e desenvolveu instrumentação analítica específica. Atualmente graduada da Incamp, a empresa participou de cursos e consultorias nas áreas de administração, desenvolvimento de produto e marketing, que auxiliaram na formação de sua base tecnológica. "A incubação na Incamp propiciou contato direto com docentes e especialistas de diversas áreas do conhecimento da Unicamp, disponibilizada através de convênio com a universidade", afirma o diretor da Tech Chrom.

Outra empresa selecionada pelo Pappe-Pipe III, a BCS, desenvolveu o projeto válvula reguladora de pressão para hospitais, que envolve a área de engenharia biomédica. A válvula tem a finalidade de manter estável a pressão de redes canalizadas de fluxo de gás que alimentam equipamentos de respiração - ventiladores pulmonares, máquinas de anestesia e equipamentos que necessitem a entrada de gás. Sendo certificada em testes de vazão e fluxo, a válvula terá utilização comercial em clínicas e hospitais.

Com o apoio do projeto Pappe-Pipe III, a empresa deve finalizar a produção com adequação do produto para exportação e produção em série, realizando o desenvolvimento comercial do produto. De acordo com a diretora da empresa, Cristiane Ulbrich, a tecnologia idealizada pela BCS objetiva "adequar o projeto do produto para produção em escala, obter certificações nacionais e internacionais, investir em recursos que permitam o aprimoramento contínuo dos produtos e investir na comercialização do produto". Além de beneficiar clínicas e hospitais, a produção em escala da válvula deve capacitar fornecedores, criar receitas de exportação para o país e diminuir a manutenção de outros equipamentos - respirador, ventilador e máquina de anestesia.

A BCS foi incubada na Incamp entre 2005 e 2008 e, ao longo desse período, desenvolveu equipamentos médicos e biomateriais para prototipagem rápida. De acordo com Flavio Ulbrich, o vínculo mantido com a Incubadora da Unicamp foi benéfico: "Os laços fortes com a Incamp permitiram a criação de networking e um bom relacionamento, vivenciando a relação universidade-empresa", ressalta.

Sobre o Pappe-Pipe

Em 1997, a Fapesp criou o Programa Pipe, que tem por objetivo apoiar o desenvolvimento de pesquisas inovadoras a serem executadas em pequenas empresas sediadas no Estado de São Paulo. As pesquisas devem ser relacionadas aos problemas em ciência e tecnologia que tenham alto potencial de retorno comercial ou social.

Já o Pappe é uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e foi realizado pela Finep, em parceria com as fundações de amparo à pesquisa estadual. O programa visa financiar atividades de pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos inovadores empreendidos por pesquisadores que atuem diretamente ou em cooperação com empresas de base tecnológica.

No Estado de São Paulo, em função da existência do Pipe, a Fapesp e a Finep acordaram um formato para a implementação do Pappe com características diferenciadas e constituíram o programa Pappe-Pipe III.

Sobre a Incamp

A incubadora da Unicamp foi criada em 2001 e, posteriormente, incorporada à Agência de Inovação Inova Unicamp. Seu objetivo é implantar uma estrutura propícia ao surgimento de novas empresas de base tecnológica, capacitando-as gerencial e tecnologicamente, através da interação Unicamp-empresa-rede de parceiros e contribuindo para o fortalecimento do Sistema Regional de Inovação. A Incamp tem por objetivo auxiliar no desenvolvimento de tecnologias adequadas ao país, no fluxo contínuo de inovações, na geração de riqueza e novos empregos, na diversificação e desconcentração industrial e na valorização da cultura empreendedora.