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Jornal Inter Ação

Empresas de ti focam ações nos fornecedores para prevenir riscos socioambientais

Publicado em 04 novembro 2011

A preocupação em administrar os riscos socioambientais em toda a cadeia de produção tem levado um número cada vez maior de empresas a avaliar e engajar fornecedores em estratégias conjuntas de sustentabilidade. "

Um dos setores em que essas ações são mais significativas é o da tecnologia de informação. Há uma forte cobrança internacional sobre o setor para limpar av cadeia de matérias-primas com fortes impactos sociais e/ou ambientais. Isso tem feito com que empresas, como HP Apple ou Intel, aumentem a transparência e o controle sobre a sua cadeia de produção.

O estudo "The Clear Links Report 2011", produzido pela consultoria de análise de riscos DNY mostra como 26 grandes empresas do setor de tecnologia têm administrado p risco socioambiental na sua cadeia de produção. A base da análise foi os dados do relatório de sustentabilidade apresentados pelas empresas ao Global Global Reporting Initiative (GRI), no qual detalham as ações na cadeia de produção. Entre as empresas selecionadas, 14 são ainda membros do Electronics Industry Citizenship Coalition (EICC), uma coalizão setorial dedicada a estimular a responsabilidade social e ambiental e controlar a cadeia de fornecimento.

As empresas receberam notas em cinco categorias: estratégia administrativa, gerenciamento de riscos, monitoramento, relatório de performance e engajamento. Em todas essas categorias foram

avaliados temas sociais e ambientais, além de novos temas emergentes, o que no setor significa a crise em relação ao uso de minerais provenientes de áreas de conflito, em especial do Congo. Há uma forte pressão nos Estados Unidos paia que as empresas do setor de tecnologia controlem a sua cadeia de fornecimento e proíbam o uso de minerais, como o tântalo, o tungsténio, o estanho e, em menores quantidades, o ouro, que saem dessas áreas de conflito e que em geral são de 30% a 50% mais baratos.

Esses minerais são fundamentais para a indústria da tecnologia da informação. O tântalo serve para armazenar energia em smartphones e computadores-. O tungsténio é usado para fazer os celulares vibrarem e o estanho entra na solda de circuitos. O ouro melhora a conectividade na fiação desses equipamentos.

No estudo da DNV; a nota-, máxima era 90. A média entre as 26 empresas foi de 39,1 pontos, com três empresas líderes superando os 70 pontos: HP (76), Apple (73) e Intel (71). A Motorola ficou com o quarto lugar»com 63 pontos.

O que fizeram de especial essas três empresas que chegara ao topo dó ranking? O principal, ponto segundo o relatório, é que essas empresas se esforçaram para integrar a gestão para sustentabilidade e o processo de reportar suas ações nas operações rotineiras da empresa e nos processos de decisão diários. Um exemplo: a alta gerência trabalha em conjunto com o time responsável pela cadeia de suprimentos" durante o processo de auditoria dos fornecedores, desenvolvendo indicadores chaves de performance conectados com /incentivos e sistemas de reconhecimento.

PARA FICAR DE OLHO

Biocombustíveis para a aviação - Na semana passada, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou uma parceria com a Boeing e a Embraer para colaboração em pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis para aviação comercial. É mais um passo para o Brasil se tornar um dos líderes nessa área. A aviação civil produz aproximadamente 2% das emissões de dióxido de carbono (CO2), segundo dados do" Painel Intergovernamental sobre as Mudanças do Clima (IPCC, na sigla em inglês), das Nações Unidas. E a Associação de Transporte Aéreo Internacional (lata, na sigla em inglês) estabeleceu que as companhias do setor devem interromper o crescimento da emissão de carbono até 2020 e reduzir pela metade suas até em 2050, em comparação com os níveis de 2005. Diante de tais metas, as empresas estão em busca de alternativas ao querosene de aviação. No começo deste ano, um grupo formado por dez empresas dos setores aeronáutico, aéreo e de desenvolvimento de combustíveis havia anunciado a criação da Aliança Brasileira para Biocombustíveis de Aviação (Abraba), cujo objetivo era promover o uso desta fonte de energia no setor. (AE)

Fátima C. Cardoso é jornalista, com Pós-Graduação em Ciência Ambiental, e especialista em assuntos ligados à sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.