Notícia

Agência C&T (MCTI)

Empresas de Laboratório

Publicado em 01 março 2008

Por Sheyla Pereira

Você quer montar sua própria empresa, mas não tem dinheiro e nem estrutura para bancar seu sonho? Saiba que as incubadoras podem dar um empurrão e tanto nesta empreitada. Elas cedem o espaço físico e equipamentos necessários para quem está começando, apoio técnico e consultoria direcionada para o desenvolvimento da atividade. Além disso, às vezes há também uma assessoria de marketing, atendimento ao cliente a até mesmo jurídica. Ou seja, as incubadoras atuam como verdadeiros agentes de promoção do empreendedorismo dentro de determinada localidade.

Segundo dados da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologia Avançada (Anprotec), existem hoje País cerca de 400 incubadoras que articulam mais de 6,3 mil empresas, entre incubadas, associadas e graduadas. Estas, por sua vez, geram mais de 33 mil postos de trabalho, além de inovações reconhecidas internacionalmente. Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) e IBMEC São Paulo, José Carlos Dornelas, autor de livros como "Planejando Incubadoras de Empresas", "Empreendedorismo na Prática" e o recente título "Planos de negócios que dão certo", explica que as incubadoras estão crescendo de forma acelerada, graças ao sucesso do movimento, que foi percebido pelos empreendedores e órgãos como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). "Cada vez mais, empreendedores estão aderindo às incubadoras para ter apoio especializado ao seu negócio, pois perceberam que elas são verdadeiros celeiros de oportunidades. São locais onde se recebe total apoio, sem ter de se preocupar com a parte burocrática", declara.

Mais chance

Para o professor da Universidade Federal de Alagoas e diretor da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), José Tonholo, empresas regressas de incubadoras têm muito mais chance de obter sucesso. "Pesquisas do Sebrae apontam que 80% das empresas quebram até dois anos de idade e 5% tem chance de sobreviver até os cinco anos de vida. Já nas empresas incubadas este número cai drasticamente, já que 70% sobrevivem até dois anos e de 40% a 50%, em até cinco anos. Os números refletem a importância deste modelo", explica.

Tonholo destaca, ainda, que um dos maiores diferenciais de empresas incubadas é o diferencial competitivo. "São empresas com poucos funcionários, porém com alto faturamento", revela.

Recursos

Muitos são os órgãos que apóiam e disponibilizam recursos para as incubadoras no País. Entre elas está a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, que apóia incubadoras de base tecnológica. Segundo o chefe do departamento de projetos e programas do órgão, Rochester Gomes da Costa, em 2007 foram destinados R$ 3 milhões para as incubadoras, contra R$ 12 milhões, em 2006. Ele explica que esses recursos têm por finalidade fortalecer a sustentabilidade da incubadora como empreendimento. "Em um primeiro momento, os recursos procuram consolidar sua posição como agente de promoção do empreendedorismo dentro de sua localidade. Em um segundo momento, a qualidade do processo de incubação é o objetivo que merece maior atenção. Os serviços oferecidos às empresas, a promoção da interação com centros de conhecimento tecnológico, o encaminhamento para o ambiente empresarial e a redução do prazo de maturação dos projetos são elementos que conduzem as incubadoras à posição de agentes responsáveis na criação de empresas de base tecnológica no País", diz Costa.

Para Tonholo, os recursos gerados pelas empresas incubadas são modestos, da ordem de R$ 3 bilhões, valor que representa 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB), que é de R$ 1 trilhão. "O maior desafio é que esse número suba para 3% do PIB e se torne visível para a economia nacional. Um dos condutores desta luta é o Programa Nacional de Apoio às Incubadoras de Empresas (PNI)" conta o professor.

Seleção

Mas não é tão fácil se tornar uma empresa incubada. Os principais critérios de seleção dos projetos das empresas são relativos à qualidade das propostas, objetivos, metodologias de execução e adequação dos orçamentos propostos. "A interação com instituições de pesquisa e universidades, além da aderência ao projeto de desenvolvimento local da região são fatores indispensáveis para a seleção das empresas", conta Rochester.

Uma das felizardas foi a IT&D, empresa apoiada pela Incubadora de Empresas de Santos, que desenvolve soluções de,softwares corporativos e automação começou quando o sócio Humberto Ribeiro de Souza desenvolveu um equipamento eletrônico, capaz de medir, com fios, a velocidade de nadadores em tempo real. O projeto foi premiado como segundo melhor trabalho de iniciação científica de 2002, pela Sociedade Brasileira de Computação. Souza conta que isso o motivou a buscar parcerias para desenvolver esse projeto, entre elas, a Incubadora de Empresas de Santos. "Foi aí que, após o estudo de viabilidade técnica comercial, resolvi abrir a IT&D. A maior parte da energia desta nova empresa ficou focada no Sistema de Medição de Velocidade em Tempo Real para Nadadores, conhecido como Velaqua, que deverá ser lançado no mercado ainda neste ano", conta.

As principais vantagens, para Souza, foram intangíveis. "Graças à incubação, a IT&D foi apresentada aos fundos estaduais e nacionais de apoio à pesquisa e inovação, como a Fapesp, CNPq e Finep, que permitiram o desenvolvimento para a criação e validação científica acompanhada dos produtos e processos desenvolvidos na empresa. Outro benefício foi a oportunidade de ter por perto outros pesquisadores e empresários experientes", finaliza.