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Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Empresas criticam transferência da Fapesp

Publicado em 25 agosto 2007

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) foi oficialmente realocada 6ª feira (24/08) da Secretaria de Desenvolvimento para a recém-criada Secretaria de Ensino Superior, à qual estão vinculadas as três universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp). A mudança, publicada no Diário Oficial do Estado, fez a polêmica bater mais uma vez à porta da secretaria, cuja criação no início do ano foi marcada pela ocupação durante 50 dias da reitoria da Universidade de São Paulo.

As críticas, desta vez, têm origem no setor empresarial. Em manifesto publicado hoje, a Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) repudia a troca de secretarias. A entidade, formada por mais de cem grandes empresas, teme pelo enfraquecimento dos laços da Fapesp com o setor produtivo - já considerados frágeis pelo presidente da Anpei, Hugo Borelli Resende.

"É um enfraquecimento da capacidade de influência do setor empresarial nos rumos estratégicos da fundação", disse Resende à reportagem. "A tendência é ficar cada vez mais difícil de promover mudanças relacionadas à inovação, que é uma atividade fortemente relacionada às empresas."

O manifesto foi escrito na quinta-feira (23), antes mesmo da publicação do decreto confirmando a mudança. A troca já havia sido anunciada na semana passada pelo lingüista Carlos Vogt, que assumiu a Secretaria de Ensino Superior após a demissão do secretário José Pinotti - cuja permanência tornou-se insustentável após a ocupação da USP, em maio. Vogt era presidente da Fapesp desde 2002 e, segundo fontes ligadas à instituição, teria preferido permanecer na fundação, mas atendeu ao chamado do governador José Serra para assumir a pasta.

Vogt considerou a preocupação da indústria desnecessária Segundo ele, a mudança de secretarias representa apenas uma troca de cabides no organograma do Estado. A Fapesp, assim como as universidades (o que causou confusão no início), permanecerá uma instituição autônoma, e a interação com a iniciativa privada será mantida. "Nada muda no funcionamento da fundação", garante Vogt. "Não haverá nenhum prejuízo no relacionamento com o setor empresarial."

Até o ano passado, tanto a Fapesp quanto as universidades estavam vinculadas à Secretaria de Desenvolvimento Ciência e Tecnologia. Em 1º de janeiro, foi criada a Secretaria de Ensino Superior e as universidades mudaram de pasta, mas a Fapesp, não. Ao assumir a secretaria, Vogt articulou também a transferência da fundação, considerada natural diante da proximidade congênita da Fapesp com as universidades. USP, Unicamp e Unesp receberam, no ano passado, mais de 60% dos recursos desembolsados pela entidade, de um total de R$ 521,8 milhões. Empresas receberam, diretamente, 5,8%.

"A Fapesp tem um papel crucial para promover a aproximação de universidades e empresas", afirma Resende. "Achamos que essa capacidade de atender os dois lados do processo será muito enfraquecida uma vez que a Fapesp estiver respondendo a uma secretaria cujo foco está em apenas um lado da moeda." Ricardo Brentani, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, também descartou a preocupação "A Fapesp nunca vai se desviar de sua missão, que é proporcionar o desenvolvimento científico e tecnológico no Estado", disse.

Segundo ele, a união das universidades e da fundação em uma única secretaria é um desejo antigo da comunidade científica. "Essa visão é totalmente equivocada. A Fapesp apóia e fomenta a pesquisa onde quer que ela esteja. Basta apresentar uma proposta e um plano de pesquisa qualificado", diz José Tadeu Jorge, reitor da Unicamp e presidente do Cruesp, o conselho que reúne os reitores das três universidades. Colaborou Simone Iwasso