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Alô Tatuapé

Empresa paulista dobra prazo de validade de leite fresco pasteurizado

Publicado em 12 junho 2015

Por Elton Alisson, da Agência FAPESP

A Agrindus – empresa agropecuária situada em São Carlos, no interior de São Paulo –conseguiu aumentar de 7 para 15 dias o prazo de validade do leite fresco pasteurizado tipo A que comercializa com a marca Letti em 45 cidades do Estado de São Paulo.

A façanha foi alcançada por meio da incorporação de micropartículas à base de prata, com propriedades bactericida, antimicrobiana e autoesterilizante, no plástico rígido das garrafas usadas para envasar o leite produzido pela empresa.

A tecnologia foi desenvolvida pela Nanox – uma empresa de nanotecnologia também sediada em São Carlos, apoiada pelo Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) e uma spin off do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

“Já sabíamos que a aplicação do material antimicrobiano e bactericida que desenvolvemos em plásticos rígidos ou flexíveis usados para embalar alimentos melhora a conservação e aumenta o shelf life [vida útil] dos produtos”, disse Luiz Pagotto Simões, diretor da Nanox, à Agência FAPESP.

“Por isso, decidimos fazer um teste com o plástico das garrafas de polietileno usadas para envasar leite fresco tipo A e conseguimos mais que dobrar o prazo de validade do produto somente pela adição do material na embalagem, sem usar nenhum aditivo no alimento”, afirmou.

De acordo com Simões, as micropartículas são misturadas na forma de um pó na matriz de polietileno utilizada para moldar as garrafas plásticas por injeção ou sopro e são inertes, ou seja, não apresentam o risco de se desprenderem da embalagem e entrarem em contato com o leite.

Para testar a eficácia do material em aumentar o prazo de validade do leite fresco foram realizados testes durante um ano, tanto pela agroindústria fabricante do produto como pela empresa e por laboratórios terceirizados. “Só depois de obter a certificação de que o material estendia o shelf life do produto a empresa decidiu colocá-lo no mercado”, disse Simões.

Além da empresa, o material também está sendo testado por outras duas indústrias de laticínios distribuidoras de leite fresco em garrafas de plástico, em São Paulo e em Minas Gerais, e por empresas na região Sul do país que comercializam leite in natura em embalagens plásticas flexíveis (saquinhos).

“No caso dessas embalagens, conhecidas popularmente como ‘barriga mole’, o material é capaz de aumentar de 4 para 10 dias o shelf life do leite fresco”, afirmou Simões.

A empresa quer comercializar o produto na Europa e nos Estados Unidos, onde se consomem volumes muito maiores de leite in natura em comparação com o Brasil.

No Brasil, o tipo de leite mais consumido é o longa vida, que passa por um processo de esterilização a temperaturas ultra-altas – de 130 ºC a 150 ºC, durante 2 a 4 segundos –, com o intuito de diminuir significativamente o número de esporos bacterianos do leite e permitir que o produto seja comercializado pelo prazo de até quatro meses, em temperatura ambiente.

Já o leite fresco tipo A é submetido a um processo de pasteurização a temperaturas brandas dentro da própria fazenda e necessita de refrigeração, comparou Simões.

“Ao dobrar o shelf life desse tipo de leite é possível obter ganhos na logística, armazenamento, qualidade e na segurança do produto”, avaliou.