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Empresa paulista cria tecnologia que triplica o prazo de validade de alimentos

Publicado em 02 abril 2013

Por Carlos Rydlewski

A Nanox é uma empresa com sede em São Carlos, no interior paulista, cujo produto dificilmente poderia ser definido como popular. Ela fabrica partículas antimicrobianas nanoestruturadas. Mas não se assuste. Na prática, esse nome pomposo identifica um pozinho branco, como um talco, dotado de uma propriedade excepcional. Aplicado a embalagens plásticas, ele amplia o prazo de validade dos produtos. “No caso de frutas, hortaliças e derivados de leite, pode até triplicar a duração desses alimentos”, diz Luiz Gustavo Simões, um dos sócios da companhia. O pó já é comercializado no Brasil e exportado para o México. “Agora, vamos levar a nossa tecnologia para os Estados Unidos”, afirma Simões.

O produto da empresa paulista, o NanoxClean, foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA), a agência americana responsável pela regulamentação de remédios e alimentos. O registro oficial para entrada no mercado americano deve ser concedido esta semana. “Já buscamos clientes e investidores, tanto no Vale do Silício como na região de Boston”, afirma Simões, citando dois epicentros da inovação nos Estados Unidos “No segundo semestre, também abriremos uma unidade comercial em uma cidade americana que ainda será definida.” O plano de negócios da Nanox foi traçado com a ajuda de estudantes da Escola de Administração do Massachusetts Institute of Technology (MIT Sloan), por meio do programa Global Entrepreneurship Lab (G-Lab). Entre os clientes em potencial, estão supermercados e fabricantes de embalagens. No total, perto de vinte empresas americanas estão sendo prospectadas.

A Nanox foi criada em 2005 por três pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O grupo havia desenvolvido um produto à base de prata, com propriedades bactericidas, antimicrobianas e autoesterelizantes. Inicialmente, foi aplicado na superfície de metais. “Por isso, nosso principal mercado ainda é o de instrumentos médicos e odontológicos, como pinças, brocas e bisturis”, diz Simões. “Mas hoje também fornecemos nosso produto para fabricantes de carrinhos usados em centros cirúrgicos, armários residenciais, bebedores de água, geladeiras e até secadores de cabelo.”

Em 2007, a empresa desenvolveu as partículas antimicrobianas para embalagens. Isso inclui tanto filmes plásticos como os polímeros duros usados em margarinas e iogurtes. “As bactérias e fungos estão entre os principais responsáveis pela deterioração dos alimentos”, afirma Simões. “A nossa substância combate esses microrganismos, fazendo com que, uma vez embaladas, itens como frutas e hortaliças durem mais.” No Brasil, o uso do NanoxClean foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2012.

Entre os principais concorrentes da Nanox estão empresas japonesas e alemãs. O produto da companhia brasileira, porém, é competitivo em termos globais, pois utiliza menor concentração de prata (principal matéria prima dos antimicrobianos) e, ainda assim, obtém um resultado eficaz. Ou seja, tem custo menor. Em tese, por usar menos prata, o NanoxClean também tem chances melhores de aprovação por parte de órgãos reguladores como o FDA e a Anvisa. O processo de fabricação do bactericida foi desenvolvido por meio da manipulação da molécula de prata, com recursos semelhantes aos empregados para a criação dos nanomateriais (em uma escala equivalente a bilionésima parte de um metro).

A Nanox tem dez funcionários e, embora não divulgue o faturamento, tem receita anual superior a R$ 1 milhão. Ela foi criada com recursos de instituições de fomento à pesquisa e inovação como a Fapesp, o Finep, o CNPq, além de um investimento do fundo de capital de risco Novarum, que tem cotistas como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Coteminas. A produção de empresa é terceirizada e atinge uma tonelada de bactericida por mês. Tal quantidade pode ser aplicada em 2,5 toneladas de plásticos para embalagens. Os sócios da companhia de São Carlos acreditam que é possível multiplicar por cem esse volume nos próximos cinco anos.