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Empresa melhora produção in vitro de embriões bovinos e busca protocolo para exportação

Publicado em 29 junho 2014

Foi introduzida no Brasil nos últimos anos uma variação de vaca que misturava a alta produção leiteira do gado holandês, com a resistência do gado gir. Este novo gado de leite é produzido graças à técnica de produção in vitro de embriões.

– Em 2013, produzimos cerca de 266 mil embriões bovinos e estimamos que nossa participação nesse mercado tenha aumentado ainda mais – comenta Andrea Cristina Basso, diretora de pesquisa da In Vitro Brasil, uma das empresas que trabalham no segmento.

A empresa foi fundada em 2002, em um momento em que a técnica começou a despontar como negócio no Brasil, o primeiro país a aplicá-la comercialmente. Na época, a técnica apresentava na época algumas limitações, como o tempo restrito para coleta, além da impossibilidade de congelar e estocar os embriões.

Por essas razões os embriões produzidos eram muito caros para os pecuaristas e, portanto, aplicados, em sua maioria, apenas em animais de alto valor genético, os chamados de “gado de elite”.

A fim de melhorar a tecnologia, aumentar a produtividade e viabilizar o uso de embriões não só em “animais de elite”, mas em todo o rebanho – de modo a reduzir o intervalo entre as gerações e acelerar o processo de melhoramento genético –, a empresa decidiu realizar esforços de pesquisa para mudar os conceitos da técnica até então existentes.

Por meio de análises realizadas no Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi possível comprovar que os meios de cultivo embrionários produzidos pela empresa mantinham a estabilidade por até 90 dias. Isso foi o suficiente para a empresa começar a servir o mercado nacional.

De acordo com Basso, um dos principais obstáculos para exportar os embriões é a falta de um protocolo sanitário comum entre os países.

– Temos uma demanda enorme para exportar embriões congelados de vacas que se adaptam bem ao clima de outros países e não temos condições de fazer isso em razão da falta de um protocolo sanitário para esse tipo de embrião – disse.

A empresa pretende agora desenvolver um protocolo para atestar aos órgãos de defesa sanitária do Brasil e do exterior que os embriões in vitro estão livres de patógenos.

– Precisamos colocar não só nossos embriões, mas também a genética da pecuária brasileira disponível ao restante do mundo. Pretendemos desenvolver uma metodologia que comprove que nosso sistema de produção de embriões está livre de vírus e protozoários, que possa ser reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Brasil e pelas entidades responsáveis em potenciais países compradores – explica.

FAPESP