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Jornal da Unesp online

Empresa fabricará biopesticida da UNESP

Publicado em 01 março 2007

Por Julio Zanella

Produto à base de sacarose e óleo de soja foi desenvolvido em São José do Rio Preto e Jaboticabal

A UNESP e a empresa Technes Agrícola Ltda. assinaram, no final de 2006, um contrato de transferência de tecnologia e cooperação técnica para produção de um biopesticida à base de sacarose de cana-de-açúcar e óleo de soja. Há quatro anos, o produto vem sendo desenvolvido por cientistas dos campi de São José do Rio Preto e Jaboticabal, com financiamento da Fapesp, dentro do Programa de Apoio a Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes. As principais vantagens dessa novidade são o reduzido custo de produção e os pequenos riscos que oferece à saúde humana e ao ambiente.
Pelo contrato assinado entre o reitor Marcos Macari e o diretor da Technes, Edson Tsuzuki, a empresa se compromete a investir R$ 155 mil na construção de um laboratório no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), campus de São José do Rio Preto, e a reformar um outro na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), campus de Jaboticabal. A Universidade receberá também uma participação sobre a venda dos produtos.
A principal característica do novo biopesticida é matar as pragas por desidratação. "O princípio ativo é um derivado do açúcar que destrói a camada de gordura da estrutura biológica que sustenta o corpo dos animais e tem como principal função evitar a perda de água", explica Mauricio Boscolo, coordenador dos estudos no Ibilce.
"Os resultados das pesquisas em laboratório, na empresa e em algumas propriedades rurais, além da credibilidade da UNESP, nos fazem acreditar nesse novo produto", afirmou o industrial. De acordo com Odair Fernandes, professor da FCAV, nos testes de laboratório e em cultivos protegidos, a substância eliminou entre 90% e 100% da população de moscas-brancas, que atacam mais de 700 espécies de hortaliças e frutas. "O produto se mostrou eficaz também contra os ácaros Calacarus heveae, Tetranychus urticae e Tetranychus ogmophallus, que agridem, respectivamente, seringueiras, plantas ornamentais e lavouras de amendoim", destacou o professor Reinaldo Feres, do Ibilce.

Substância inofensiva
Por ser composto de substâncias naturais, o pesticida não oferece risco à saúde de quem consome os alimentos ou manipula o produto. Também por ser biodegradável, não polui o ambiente nem afeta o desenvolvimento da planta. "A ação do biopesticida exclusivamente no local desejado não elimina outros predadores das pragas usados no controle biológico, como ocorre com os pesticidas tóxicos convencionais", aponta Feres. "As frutas e vegetais podem ser consumidos sem riscos, diferentemente dos alimentos protegidos por pesticidas comuns, que necessitam de um período de carência."
Embora com altos custos iniciais para o lançamento e licenciamento do biopesticida, os pesquisadores acreditam que o preço final da substância será vantajoso em relação aos concorrentes. A estimativa é de que, em menos de um ano, o produto já esteja disponível para comercialização.

Produtora de plantas ornamentais também aprova substância
O biopesticida à base de sacarose de cana-de-açúcar e óleo de soja, que poderá ser comercializado ainda este ano pela Technes Agrícola Ltda., também obteve sucesso em testes realizados por uma outra empresa, Athena Mudas. Com sede em São José do Rio Preto, a Athena exporta mudas, flores e plantas ornamentais para mais de dez países da América do Norte e Europa. Segundo o proprietário, Jairo Schmidt, o novo produto foi avaliado durante o ano de 2006, de forma isolada e também combinado com outros pesticidas químicos, em dosagens variadas.
Schmidt enfatiza que a substância foi eficaz no combate a várias pragas, especialmente o ácaro-rajado (Tetranychus urticae). "A grande dificuldade que temos com esse ácaro é que a sua mutação é mais rápida que o lançamento de novos pesticidas químicos para combatê-lo", diz o empresário.
"No início, os testes eram realizados em pequenos canteiros e havia uma certa desconfiança sobre o produto. Porém, com os resultados extremamente positivos, a empresa passou a empregá-lo em todas as suas estufas", comenta Mauricio Boscolo, pesquisador do Ibilce.
Schmidt ressalta a característica da nova substância, que enfraquece a camada protetora que reveste o corpo das pragas, facilitando a ação de outros pesticidas. "Isso gera economia e menos impacto para o ambiente", diz. Com o novo produto, o empresário, que exporta cerca de US$ 6 milhões por ano, espera diminuir o prejuízo de aproximadamente US$ 100 mil com mudas infestadas por pragas.