Notícia

BOL

Empresa de tecnologia rural fica ao lado de Google e Apple em inovação

Publicado em 26 agosto 2013

Por André Cabette Fábio

Focada na área agrícola, a Enalta é a única empresa da América Latina entre as 50 mais inovadoras do mundo, segundo o ranking 2013 da Fast Company, revista americana de negócios. Com sede em São Carlos (SP), ela desenvolveu uma tecnologia que permite vigiar 24 horas por dia todo o processo de plantio, colheita e transporte de cana-de-açúcar.

De acordo com Cléber Rinaldo Manzoni, sócio-fundador da Enalta, a empresa do interior paulista foi escolhida para dividir a lista deste ano com gigantes como Nike, Google e Apple por causa dos lucros obtidos com inovações para a área rural. "Este ano vamos faturar R$ 16 milhões e investir entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões em tecnologia", afirma.

Um dos clientes da Enalta é a Odebrecht Agroindustrial, para quem a empresa desenvolveu, há cerca de dois anos, um sistema que permite ficar de olho, à distância, na operação de 1.121 máquinas, entre colhedoras de cana e equipamentos de apoio espalhados por diversas plantações, que somam 100 mil hectares.

Parecido com um tablet, o equipamento é instalado nas máquinas pesadas e serve como painel de controle para o operador, além de enviar informações por internet e satélite para uma central em Campinas (SP) e outras unidades distribuídas por quatro Estados. O GPS do equipamento permite localizar onde está cada uma das máquinas.

Com essa estratégia, a empresa diminuiu em 12% o consumo de combustível e chegou a uma produtividade 20% maior. No total, foram R$ 30 milhões de economia.

"Monitoramos a velocidade do caminhão vazio e carregado; o tempo que ele permanece dentro da usina de etanol; o tempo para ser carregado etc.", afirma Américo Ferraz, responsável pela tecnologia agrícola da Odebrecht. Com essas informações em mãos, é possível aperfeiçoar os processos de produção.

"Cada colhedora de cana custa R$ 800 mil, por isso é preciso ter o máximo de ganho. Como a mão de obra tem baixa qualificação, temos que monitorar os equipamentos online", afirma.

A Enalta também criou um sistema para garantir que o adubo seja espalhado de maneira uniforme pela área de plantio. Um controle mede a velocidade do trator e regula o diâmetro da saída pela qual o adubo é despejado. Se ele anda mais rápido e, assim, fica menos tempo sobre um local, a saída abre mais; se, ao contrário, diminui o ritmo, a saída fica mais fechada.

Sistema registra todo o caminho da cana do campo à usina

A empresa ainda desenvolveu para a Odebrecht Agroindustrial um sistema que registra cada passo da cana do campo à usina. Com isso, é possível saber de onde vêm os carregamentos e quanto os produtores que os fornece devem receber. "É como uma caixa preta com sensores e GPS", conta Manzoni.

O mesmo equipamento é usado por empresas de papel e celulose. O sistema registra quantas árvores são colhidas num dia e a velocidade em que isso acontece, de forma que seja possível conferir se os colhedores atingiram as metas.

Na hora de transportar a madeira, um computador instalado no caminhão avisa ao motorista em que parte da estrada é preciso desacelerar para evitar que o caminhão tombe.

Na área de etanol, a Enalta também fornece o sistema para Bunge e Grupo São Martinho, entre outras. No segmento de papel e celulose, são clientes as empresas Suzano, International Paper, Duratex e Fíbria.

Investir em tecnologia por encomenda garante lucros

Cléber Manzoni abriu sua empresa em 1999, para dar soluções práticas a problemas que identificou quando fazia iniciação científica na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), ainda na época em que cursava engenharia eletrônica na Universidade de Barretos (SP).

Desde então, a empresa cresce anualmente 120%, segundo ele. Manzoni também afirma que 70% dos lucros vêm sempre de um produto recém-lançado.

Outro segredo do sucesso seria o investimento em negócios de retorno garantido. A Enalta, segundo seu proprietário, só "arregaça as mangas" para trabalhar num novo produto quando ele é encomendado por algum cliente. Depois disso, o mesmo produto é vendido para outros compradores.

Parecerias com institutos de pesquisa públicos também ajudaram a levantar a empresa. Somente a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) investiu R$ 1,2 milhões na Enalta.

Do UOL, em São Paulo