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Empresa de Santa Bárbara cria tecido que conduz dados eletrônicos

Publicado em 24 janeiro 2021

Por Marina Zanaki

Em meio a uma crise, a empresa Têxtil Águida, fundada na década de 1980 em Santa Bárbara d’Oeste, decidiu que era hora de investir em tecnologia.

Entre 2015 e 2016, foi fundada a start-up AG Têxteis, que criou um tecido inteligente capaz de conduzir dados eletrônicos.

A inovação foi possível graças a uma parceria com a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), pelo programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas.

Por meio desse tecido é possível, por exemplo, que uma almofada seja transformada em um controle universal, capaz de regular a televisão e o ar-condicionado ao toque dos dedos. Essa almofada inclusive é o projeto que a empresa prepara para demonstrar a tecnologia.

Química da AG Têxteis, Renata Cristiano Nome explicou que os nanomateriais com propriedades condutoras se fixam no tecido por meio do tingimento. Assim, o tecido não perde leveza e caimento, enquanto ganha novas funcionalidades.

“A gente costuma dizer que o céu o limite. Uma vez que tenha essa propriedade no fio pode se aplicar em diversas áreas, desde monitoramento das funções vitais do ser humano como pode para segurança, comunicação”, exemplificou a química.

O investimento em tecnologia nasceu justamente em uma crise para aumentar a competitividade da empresa. Entre 2015 e 2016, a têxtil viu a sua principal demanda do setor automotivo reduzir. Para se manter competitiva, buscou se diferenciar e buscar um novo nicho de mercado.

“Minha realidade de pequena empresa não conseguiria sustentar a operação fazendo produtos para o mercado têxtil convencional, como moda e decoração. Ia competir com empresas muito grades” explicou o diretor da start-up André Correa Marcilio.

“Então, estamos procurando um nicho de mercado para nos inserirmos e a concorrência é diferente, é mais por qualidade, atendimento, do que por preço”.

O desafio hoje é conseguir monetizar a empresa. André entendeu que a melhor estratégia é elaborar projetos que já desenvolvam os potenciais do tecido, ao invés de tentar vendê-lo apenas como matéria-prima. Para isso, contratou um físico que será responsável por fazer essa conectividade entre o tecido e os dispositivos.

O diretor lembrou que é um desafio inserir tecidos inteligentes no mercado, pela demanda e pela própria concorrência com mercado externo.

“Os investimentos lá fora foram muito pesados. Aqui, infelizmente, tudo depende de política, preço de energia elétrica alta, financiamento de máquina alto. Muita gente fala do impacto de funcionário e custo Brasil, mas não acho que entra na conta. O brasileiro trabalha muito e ganha pouco”, afirmou André.

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